Texto
. Em uma manhã, havia um coro a uma certa distância de mim; pelas representações desse coro, foi concedido conhecer que eram chineses, porque eles representavam uma sorte de bode coberto de lã, depois um bolo de milho e uma colher de marfim, como também a ideia de uma cidade flutuante. Desejavam vir para mais perto de mim, e como se aproximassem, diziam que eles queriam estar sós comigo, a fim de manifestarem os seus pensamentos; mas se lhes disse que eles não estariam sós e que havia outros que estavam indignados do fato de quererem estar sós, sendo eles recém-vindos apenas. Quando perceberam a indignação dos outros, ocorreu-lhes o pensamento que eles talvez tivessem prevaricado contra o próximo e tivessem talvez tomado alguma coisa que pertencia a outrem. (Os pensamentos na outra vida são todos comunicados.) Pude perceber a emoção deles; ela provinha do reconhecimento de que os tivessem talvez lesado, depois, da confusão que daí resultava e, ao mesmo tempo, de outras boas afeições. Por esse modo eu conhecia que eles eram dotados de caridade. Entrei logo depois em conversação com eles; por fim eu lhes falei também do Senhor; como eu O chamasse o Cristo, percebi neles uma certa repugnância, mas foi-me descoberta a causa: era uma ideia que eles tinham trazido do mundo, pois tinham conhecido que os cristãos viviam pior do que eles e sem caridade alguma. Quando, porém, eu O chamava simplesmente o Senhor, eles então estavam interiormente comovidos. Eles foram, depois, instruídos pelos anjos, que a doutrina cristã, mais do que qualquer outra doutrina em todo o globo, preconiza o amor e a caridade, mas que há poucos que vivem de conformidade com essa doutrina.