Texto
. Que ‘concebeu e pariu’ signifique que era e existia, a saber, assim como se diz nos números que se seguem, o Divino Racional, pela união do Divino espiritual com o Divino celeste do Senhor, é o que se vê pela significação de ‘conceber e parir’. Que no sentido interno da Palavra não se entendam outras concepções nem outros partos senão concepções e partos espirituais e celestes, foi visto (n. 2584); mas aqui se entendem concepções e partos Divinos, porque se trata do Racional do Senhor feito Divino, e que é falando d’Ele, a saber, do Senhor, que as expressões ‘Ser’ e ‘Existir’ são principalmente empregadas, porque só Ele É e só Ele Existe. Além disso, quanto ao que se refere ao ‘Ser’ e ao ‘Existir’, parece que deve ser quase a mesma coisa, mas não sucede assim: cada um e cada coisa tem seu ser pela concepção e o seu existir pelo parto; por conseguinte, como a concepção é o anterior ao parto, o ser é anterior ao existir.
[2] A alma é o ser mesmo do homem, mas o sensitivo, ou o corpóreo, é o seu existir, pois aquela existe neste. O amor celeste e espiritual é o ser mesmo do homem que é regenerado, mas o racional e o sensitivo, quando foram imbuídos nesse amor, são o seu existir. O mesmo acontece com todas e cada uma das coisas no universo, pois não há coisa alguma que não tenha sua concepção para que ela seja, e seu parto para que ela exista; o que pode ser ilustrado por isto, mas perante os eruditos: todo efeito tem a sua causa e toda causa seu fim; o fim é o ser da causa, e a causa é o existir do fim; igualmente a causa é o ser do efeito, e o efeito é o existir da causa.