. ‘No tempo estabelecido’; que signifique quando o estado era tal que ele pudesse receber [o Divino], é possível vê-lo pela significação de ‘tempo’. Há duas coisas que, enquanto o homem vive no mundo, se apresentam essenciais, porque elas são os próprios da natureza, a saber, o ‘espaço’ e o ‘tempo’. Daí, viver no espaço e tempo é viver no mundo, ou na natureza; mas essas duas coisas se tornam nulas na outra vida. Contudo, no mundo dos espíritos, elas se apresentam como alguma coisa, e isso porque os espíritos recém-saídos do corpo têm consigo a ideia das coisas naturais, mas a verdade é que eles depois percebem que lá não há o espaço nem o tempo, mas que são substituídos por estados, e que aos espaços e aos tempos na natureza correspondem estados na outra vida: aos espaços, estados quanto ao ser, e aos tempos, estados quanto ao existir. (Sobre o espaço ou os lugares, ver os n. 1274, 1379, 1380, 1382.) [2] Daí cada um pode ver claramente que ideia um homem pode ter das coisas que pertencem à outra vida e de muitos arcanos da fé, enquanto ele está no mundo, ou na natureza, quando ele não quer crer nelas antes de compreendê-las pelas coisas que estão no mundo, e até mesmo pelo sensual, porque esse não pode deixar de pensar que se ele rejeitasse a ideia do espaço e tempo, e, com mais forte razão, se ele rejeitar o próprio espaço e o próprio tempo ele se tornaria absolutamente nulo, e que assim nele não restaria coisa alguma pela qual pudesse sentir e pensar, a não ser que fosse alguma coisa confusa de que é impossível se formar uma ideia; e, contudo, é absolutamente o contrário, pois a vida angélica, que de todas é a mais sabia e a mais feliz, é tal. [3] Eis por que, no sentido interno da Palavra, as idades significam não idades, mas estados; portanto, neste versículo, a velhice não significa a velhice. Do mesmo modo os números significam não números, mas certos estados em particular, como o número de cem anos, de que se falará no que segue. Do que se disse agora, pode-se ver que o ‘tempo estabelecido’ significa o estado quando o Racional era tal que podia receber. [4] Quanto ao que se refere a coisa mesma, a saber, que o Racional Divino era e existia pela união do Divino espiritual com o Divino celeste do Senhor, quando os dias tinham sido cumpridos para que o humano fosse rejeitado, e quando o Racional era tal que ele podia receber, o que no sentido interno é significado por “Concebeu e pariu Sarah para Abrahão um filho na velhice dele no tempo estabelecido”, cumpre saber que no íntimo do racional começa o humano (n. 2105, 2194), e que o Senhor sucessivamente avançou para a união da Essência Humana com a Essência Divina e da Essência Divina com a Essência Humana (n. 1864, 2033, 2523); e isso por seu próprio poder (n. 1921, 2025, 2026, 2083), por meio de contínuas tentações e contínuas vitórias (n. 1737, 1813, 1690), e através de contínuas revelações que procediam de Seu Divino (n. 1616, 2500); e isso, enfim, para rejeitar todo o humano materno (n. 1414, 1444, 2574); e que assim Ele fez Divino o Seu Humano quanto ao Racional, conforme as coisas que estão neste versículo. Vê-se, por conseguinte, como devem ser entendidas estas palavras: “quando os dias foram cumpridos para que o humano fosse rejeitado, e quando o racional era tal que ele podia receber [o Divino]”. [5] Pode-se ter alguma ideia disto a partir do que se passa com os que são regenerados; as coisas celestes que pertencem ao amor, e as espirituais que pertencem à fé, são implantadas neles pelo Senhor não ao mesmo tempo, mas sucessivamente, e quando pelas coisas celestes e pelas espirituais o racional do homem se tornou tal que ele possa receber, então ele é pela primeira vez regenerado, e a maioria das vezes por meio de tentações em que ele é vencedor. Quando isso se opera, “os dias são cumpridos” para que ele rejeite o velho homem e revista o novo homem. (Ver sobre a regeneração do homem os n. 677, 679, 711, 848, 986, 1555, 2475.)