Texto
. ‘No dia em que Isaque foi desmamado’; que signifique o estado de separação, é o que se vê pela significação do ‘dia’, que é o estado (n. 23, 487, 488, 493, 893); e pela significação de ‘ser desmamado’, que é ser separado (n. 2647). Desde o primeiro versículo deste capítulo, tratou-se da união da Essência Divina do Senhor com a Sua Essência Humana, nesta ordem: Da presença do Divino no Humano, causa da união (vers. 1). Da presença do Humano no Divino, por conseguinte, da união recíproca de que se falou no n. 2004 (vers. 2). Que dessa união o Humano foi feito Divino (vers. 3). E isto sucessiva e continuamente, quando o Senhor vivia no mundo (vers. 4). E que isso começou quando o Racional se achou em estado de receber [o Divino] (vers. 5). É descrito o estado da união quanto a sua qualidade, com arcanos (vers. 6, 7). Agora se segue tratando da separação do humano materno, e este assunto continua até o vers. 12. Essa separação, neste versículo, é significada pelo desmamar de Isaque; e, nos seguintes, ela foi representada por meio do filho de Hagar, que foi expulso da casa; e como a união do Divino do Senhor com o Seu Humano e do Humano com o Divino é o casamento mesmo do bem e do vero e, portanto, o ‘casamento celeste’, que é o mesmo que o Reino do Senhor, é por isso que se fala do ‘grande banquete’ que fez Abrahão quando Isaque foi desmamado, banquete pelo qual é significado o começo do casamento, ou a primeira união; e se esse banquete não tivesse significado um arcano, assim como o desmamar, não teria sido de nenhum modo mencionado.
[2] Agora, como se vai falar da separação do humano precedente, que o Senhor derivava de sua mãe, e enfim da rejeição completa desse humano, deve-se saber que o Senhor, até ao último momento da vida, quando foi glorificado, sucessiva e continuamente, se separou e rejeitou o que Ele tinha de meramente humano, isto é, o que Ele tinha obtido de Sua mãe, ao ponto que enfim Ele não era mais seu filho, mas era o Filho de Deus, tanto quanto a concepção como quanto ao nascimento [nativitatem] e, por conseguinte, [era] um com o Pai e JEHOVAH mesmo. Que Ele separou de Si e rejeitou todo o humano que Ele obtivera de sua mãe a ponto de não ser mais seu filho, é o que se vê claramente pelas palavras do Senhor em João:
“Como faltasse o vinho, disse a mãe de Jesus para Ele: Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Que [há] entre Mim e ti, mulher? (2:3, 4).
Em Mateus:
“Disse alguém: Eis que a tua mãe e os teus irmãos estão fora e procurando falar-te. Porém, Jesus respondendo, disse a quem lhe dissera: Quem é a Minha mãe e quem [são] os Meus irmãos? E, estendendo a Sua mão sobre os Seus discípulos, disse: Eis a Minha mãe e os Meus irmãos, pois todo aquele que fizer a vontade do Meu Pai, que está nos céus, esse [é] Meu irmão, e irmã, e mãe” (12:47, 48–50; Mc. 3:32–35; Lc. 8:20, 21).
Em Lucas:
“Levantando uma certa mulher a voz dentre o povo, disse-Lhe: Bendito o ventre que Te gerou [peperit Te], e os peitos que mamaste! Mas Jesus disse: Benditos os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam” (11:27, 28);
[3] aí, quando a mulher fala da mãe, o Senhor fala dos que Ele acima designou, a saber, “Todo aquele que tiver feito a vontade do Meu Pai, esse é o Meu irmão, irmã e mãe”, o que é a mesma coisa que as expressões seguintes: “Benditos os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam”. Em João:
“Jesus vendo [Sua] mãe, e o discípulo estando perto, [o discípulo] a quem [Ele] amava, disse a sua mãe: Mulher, eis o teu filho; depois disse ao discípulo: Eis a tua mãe. Por isso desde essa hora tomou-a o discípulo para junto de si” (19:26, 27).
Por essas palavras se vê que o Senhor lhe dizia, segundo esta pensava quando ela O via na cruz em Pessoa, mas a verdade é que Ele a chama mulher e não Sua mãe, e que Ele transferia o nome de mãe aos que são significados pelo discípulo, eis por que Ele disse ao discípulo: “Eis a tua mãe”. Isso fica ainda mais manifesto por estas palavras do Senhor em Mateus:
“Jesus interrogou os fariseus, dizendo: Que vos parece do Cristo? De quem é filho? Disseram-Lhe: De Davi. Disse-lhes: Como então Davi, em espírito, O chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te a minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés? Se, pois, Davi chama-O Senhor, como é filho dele? E ninguém pôde responder palavra” (22:39–46; Mc. 12:35–37; Lc. 20:42–44).
[4] Assim, Ele não era mais o filho de Davi quanto a carne. E mais, quanto ao que diz respeito à separação e à rejeição do humano materno, isso não pode ser apreendido pelos que têm sobre o Humano do Senhor ideias meramente corporais e que pensam sobre esse Humano como sobre o humano de um outro homem, daí para eles tais escândalos; eles não sabem que tal é a vida tal é o homem, e que o Divino Ser da vida, ou JEHOVAH, esteve no Senhor pela concepção, e que um semelhante Ser da vida Existiu em Seu Humano pela união.