ac 2654

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Zombando’; que signifique não concordante nem favorável ao Divino Racional, é o que se pode ver pela significação de ‘zombar’, que é assim que age a afeição contra aquilo que não lhe é concordante nem favorável. No versículo precedente, foi dito que o “nascido cresceu e foi desmamado”, e que “Abrahão fez um grande banquete quando Isaque foi desmamado”, o que significou que o racional precedente estava separado quando o Racional do Senhor se tornava Divino. É por isso que agora se fala imediatamente do filho de Hagar, a egípcia, pelo qual se entende esse racional, assim como foi mostrado na explicação do capítulo 16 do Gênesis, onde se trata de Ismael e de Hagar. Daí fica também evidente que as coisas que estão no sentido interno seguem uma série contínua.
[2] Quanto ao que diz respeito ao primeiro racional do Senhor, como ele nasceu do mesmo modo que em um outro homem, a saber, por meio dos conhecimentos e das cognições, era impossível que ele não estivesse nas aparências do vero, que em si mesmas não são veros, como se pode ver pelo que foi referido nos n. 1911, 1936, 2196, 2203, 2209, 2519. E porque ele estava nas aparências do vero, esses veros não puderam ser-lhe convenientes nem favoráveis sem as aparências, tais como são os veros Divinos, não só porque não os compreende, como porque eles Lhe são opostos. Mas, para ilustração, tome-se exemplos:
[3] O racional humano que, segundo a sua natureza, provém das coisas mundanas por meio das coisas sensuais, e mais tarde dos análogos das coisas mundanas pelos conhecimentos e cognições, ri-se ou zomba, por assim dizer, caso se lhe diga que ele não vive por si mesmo, mas que lhe parece como se vivesse por si mesmo; e que quanto menos alguém crê viver por si mesmo, tanto mais este vive, isto é, tanto mais está na sabedoria e na inteligência, na bem-aventurança e na felicidade; e que essa vida é a dos anjos, principalmente dos que são celestes e íntimos, ou mais próximos do Senhor, pois eles sabem que ninguém vive por si senão JEHOVAH somente, isto é, o Senhor.
[4] Tal racional zombaria ainda, caso se lhe dissesse que ele não tem proprium, mas que há falácia, ou aparência, que ele tem um. Ele zombaria ainda mais, caso se lhe dissesse que, quanto mais ele está na falácia de que ele tem um proprium, tanto menos ele tem um, e vice-versa. O mesmo sucederia caso se lhe dissesse que tudo que ele pensa e faz a partir do proprium é mal, embora fosse o bem; e que ele não tem a sabedoria senão quando crê e percebe que todo mal provém do inferno, e que todo bem procede do Senhor. É nessa fé e até nessa percepção que estão todos os anjos, que entretanto têm mais abundantemente do que todos os outros um proprium; mas eles sabem e percebem que esse proprium procede do Senhor, ainda que lhes pareça absolutamente como se ele lhes pertencesse.
[5] Ainda mais, esse racional zombaria, caso se lhe dissesse que, no céu, os maiores são os que são os menores, os mais sábios, os que creem e percebem que eles não são de modo algum sábios, os mais felizes, os que querem, sobretudo, a felicidade para os outros e de nenhum modo para si próprios; que o céu consiste em querer estar abaixo de todos, e o inferno, em querer estar acima de todos; que, assim, na glória do céu não há absolutamente coisa alguma do que está na glória do mundo.
[6] Esse racional zombaria igualmente caso se lhe dissesse que na outra vida nada há do espaço nem do tempo, mas que existem estados segundo os quais há aparências de espaço e de tempo; e que lá a vida é tanto mais celeste quanto mais ela se afasta do que se refere ao espaço e ao tempo e mais se aproxima do que é a eternidade, na qual nada há absolutamente que provenha da ideia do tempo nem do que é análogo ao tempo; o mesmo sucederia para um número infindo de outras coisas.
[7] O Senhor viu que havia tais ideias no racional meramente humano, e que, por conseguinte, esse racional zombava das coisas Divinas, e na realidade Ele o viu a partir do Divino espiritual, o que é significado por “Sarah viu o filho de Hagar, a egípcia” (n. 2651, 2652). Que o homem pelo seu interior possa ter a intuição das coisas que, com ele, são inferiores, é o que conhecem pela experiência os que estão na percepção, até os que estão na consciência, pois eles veem a ponto de censurarem seus próprios pensamentos. Daí os regenerados poderem ver qual é o racional que eles tinham antes da regeneração; mas no homem tal percepção existe pelo Senhor, enquanto a do Senhor foi, na verdade, por Ele mesmo.

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