ac 2682

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E lançou o menino debaixo de um dos arbustos’; que signifique o desespero de nada perceber do vero e do bem, é isso evidente pela significação do ‘menino’, que é o espiritual vero (n. 2669, 2677); e pela significação dos ‘arbustos’ ou ‘ramagens’, que são a percepção, mas uma percepção tão fraca que dificilmente é alguma coisa, por isso também se diz “debaixo de um dos arbustos”, os quais têm, mas em um menor grau, a mesma significação das árvores. Ora, as ‘árvores’ (como se vê nos n. 102, 2163) significam as percepções. A significação é ainda evidente pela afeição do desespero que reina nesta ação. Sendo assim, é evidente que estas palavras, “lançou o menino debaixo de um dos arbustos”, significam o desespero de não perceber coisa alguma do vero e do bem. Que a expressão ‘ser lançado debaixo de um dos arbustos’ significa ser desolado quanto ao vero e ao bem até o desespero, é o que se vê em Jó:
“Solitários na indigência e na fome, [eles] fugiam para a aridez, passada a noite, a desolação e a devastação. Estes colhiam a malva sobre o arbusto; [...] tinham por habitação as fendas dos vales, os buracos da terra e dos rochedos. Gemiam entre os arbustos, eles se ajuntavam sob o cardo” (30:3–7);
onde se trata da desolação do vero; ela é descrita por fórmulas que eram habituals na Igreja Antiga (com efeito, o livro de Jó é um livro da Igreja Antiga), como “ser solitário na indigência e na fome”, “fugir para a aridez”, “a noite passada”, “a desolação”, “a devastação”, “habitar nas fendas dos vales e dos rochedos”, então, “colher a malva sobre o arbusto” e “gemer entre os arbustos”, como também em Isaías:
“Virão e descansarão todas nos rios das desolações, nas fendas das pedras, e em todos os arbustos e em todos os espinheiros [ductibus]” (7:19);
onde também se trata da desolação, que é descrita por semelhantes fórmulas, a saber, por ‘descansar nos rios das desolações’, nas ‘fendas das pedras’ e ‘nos arbustos’.
[2] Neste versículo, trata-se do segundo estado dos que são reformados; esse estado consiste em que eles são reduzidos à ignorância a ponto de nada saberem do vero, e isso até o desespero. Eles são reduzidos a uma tal ignorância, para que neles se extinga a luz persuasiva, que é tal que ela esclarece os falsos como os veros, e que introduz a fé do falso pelos veros e a fé do vero pelos falsos e, ao mesmo tempo, a confiança de si próprio. É também para que, pela própria experiência, sejam conduzidos na cognição deste ponto: que nada do bem nem do vero vem deles próprios, ou do proprium, mas que todo bem e todo vero procedem do Senhor. Os que são reformados são reduzidos à ignorância até o desespero, e então eles alcançam a consolação e a ilustração, como se vê pelo que segue. Com efeito, a luz do vero não pode influir desde o Senhor no persuasivo que provém do proprium, porque esse persuasivo é de uma tal natureza que ele extingue essa luz. Na outra vida o persuasivo aparece como a luz do inverno, mas à aproximação da luz do céu, ele se torna, por causa dessa luz, um persuasivo tenebroso em que está a ignorância de todo vero. Este estado é chamado de ‘estado da desolação do vero’ nos que são reformados, e se trata muito dele no sentido interno da Palavra.
[3] Mas há poucos homens que possam saber alguma coisa desse estado, porque hoje há poucos que são regenerados. Os que não são regenerados, quer eles saibam o vero quer eles não o saibam, e quer seja o vero ou não aquilo que eles sabem, é para eles a mesma coisa, contanto que eles possam propalar alguma coisa como vero; mas os que são regenerados pensam muito sobre a doutrina e sobre a vida, porque pensam muito sobre a salvação eterna, e por isso é que se lhes faltar o vero, como ele é o objeto de seu pensamento e de sua afeição, eles têm dor no coração. Eis como se pode ver qual é o estado de um e do outro: enquanto o homem está no corpo, ele vive no céu quanto ao espírito, e no mundo quanto ao corpo; ele nasce em um e no outro, e ele foi criado de tal sorte que pode efetivamente, quanto ao espírito, estar com os anjos e, ao mesmo tempo, pelas coisas que pertencem ao corpo, estar com os homens; mas como há poucos que creem ter um espírito que deverá viver depois da morte, poucos há que são regenerados. Para os que creem, a outra vida constitui todo o objeto de seu pensamento e de sua afeição; e o mundo nada é relativamente. Para os que, ao contrário, não creem, o mundo constitui todo o objeto de seu pensamento e de sua afeição, e a outra vida nada é relativamente. Os primeiros são os que podem ser regenerados; os últimos são os que não o podem.

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