ac 2686

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Que o ‘arco’ seja a doutrina do vero, é o que se vê por sua significação. Na Palavra, em toda a parte em que se fala das guerras, não é significada, no sentido interno, outra coisa senão guerras espirituais (n. 1664). Houve também, na Igreja Antiga, livros que eram intitulados as “Guerras de Jehovah”, como se vê em Moisés (Nm. 21:14–16); essas guerras, que tinham sido escritas em estilo profético, tinham um sentido interno e tratavam dos combates e das tentações do Senhor, assim como dos combates e das tentações da igreja e dos homens que são da igreja. É o que se torna evidente, porque algumas passagens dele foram tomadas por Moisés; vê-se também por outros livros dessa igreja, que são chamados “Livros dos Enunciados Proféticos” (de que se fala em Nm. 21:27–30), nos quais estão quase as mesmas palavras que se encontram em Jeremias (cf. Nm. 21:28 e Jr. 48:45). Também se pode concluir, por causa desses livros, que a Igreja Antiga teve escritos, tanto históricos como proféticos, que eram Divinos e inspirados, e que no sentido interno, tratavam do Senhor e de Seu Reino, e que esses escritos eram a Palavra para os homens dessa igreja, como são para nós os Livros Históricos e Proféticos que, no sentido da letra, tratam dos judeus e dos israelitas, mas que, no sentido interno, tratam do Senhor e das coisas pertencentes ao Senhor.
[2] Como a ‘guerra’, na Palavra, assim como nos livros da Igreja Antiga, significava a guerra espiritual, assim também todas as armas, como a espada, a lança, o broquel, o escudo, os dardos, as flechas e o arco, significavam especificamente as coisas que pertencem à guerra tomada no sentido espiritual. Em outra parte se dirá, pela Divina Misericórdia do Senhor, o que significa particularmente cada uma dessas armas. Aqui, se vai falar do que se refere ao arco, que é a doutrina do vero, e isso, em razão dos ‘dardos’, ‘flechas’ ou ‘setas’, que são as coisas doutrinais pelas quais e com as quais combatem os que são principalmente espirituais e que, por causa disso, foram chamados “atiradores de arco”.
[3] Que o ‘arco’ signifique a doutrina do vero, é do que se pode ficar convencido por estas passagens em Isaías:
“De JEHOVAH os dardos [serão] agudos, e todos os arcos d’Ele, tesos; os cascos dos cavalos d’Ele [serão] reputados como a rocha, e as rodas d’Ele, como a tempestade” (5:28);
aí se trata dos veros da doutrina; os ‘dardos’ são os veros espirituais, o ‘arco’, a doutrina, os ‘cascos dos cavalos’, os veros naturais, as ‘rodas’, a sua doutrina; e como essas coisas têm tais significações, elas são atribuídas a JEHOVAH, a Quem unicamente elas podem ser em um sentido espiritual; pois de outro modo tais expressões seriam vãs e inconvenientes [non decentia]. Em Jeremias:
“O Senhor entesou o Seu arco como um inimigo, afirmou a Sua destra como o que ataca, e matou tudo [que era] desejável ao olho; na tenda da filha de Sião, derramou como um fogo a Sua ira” (Lm. 2:4);
[aí] o ‘arco’ é a doutrina do vero, a qual se mostra aos que estão nos falsos como alguma coisa inimiga e hostil; nenhum outro arco se pode dizer do Senhor. Em Habacuque:
“JEHOVAH, ...montas sobre os Teus cavalos, os Teus carros de salvação. Denudando será denudado o Teu arco [...]” (3:8, 9);
aí o ‘arco’ é também a doutrina do bem e do vero. Em Moisés:
“Irritaram-no e foram fechados, e os flecheiros tiveram-lhe ódio. [...] Susteve-se na firmeza de Seu arco, e foram fortalecidos os braços das mãos d’Ele pelas mãos do forte de Jacó, de onde [vem] o Pastor, a Pedra de Israel” (Gn. 49:23, 24);
onde se trata de José; o ‘arco’ é a doutrina do bem e do vero.
[4] Em João:
“Vi, e eis um cavalo branco, e o que se assentava sobre ele que tinha um arco, ao qual se deu uma coroa” (Ap. 6:2);
o ‘cavalo branco’ é a sabedoria, e ‘Aquele que estava assentado’ é a Palavra, assim como se diz claramente no capítulo 19:13, onde se trata de novo do cavalo branco; e como Quem estava assentado é a Palavra, é evidente que o arco é a doutrina do vero. Em Isaías:
“Quem despertou do oriente a justiça, chamou-o a Sua companhia; pôs diante d’Ele as nações, e sobre reis fez dominar, pô-los como pó para a Sua espada, como palha agitada para o Seu arco” (41:2);
onde se trata do Senhor; a ‘espada’ é o vero, o ‘arco’ é a doutrina que procede do Senhor. No mesmo:
“Porei neles um sinal, e enviarei os que deles se escaparam às nações [a] Társis, Pul e Lud, que são arqueiros, [a] Thubal e Javã” (66:19);
os ‘flecheiros’, ou ‘arqueiros’, são os que ensinam a doutrina; viu-se o que é significado por Társis (n. 1156); por ‘Lud’ (n. 1195, 1231), por ‘Tubal’ (n. 1151) e por ‘Javã’ (n. 1152, 1153, 1155).
[5] Em Jeremias:
“Diante da voz do cavaleiro e do arqueiro, fugiu toda a cidade, entraram nas nuvens, e subiram nos rochedos, toda a cidade está deserta” (4:29);
o ‘cavaleiro’ significa os que dizem o vero, o ‘arqueiro’ é a doutrina do vero dos quais fogem os que estão nos falsos. No mesmo:
“Preparai o exército contra Babel ao redor, todos que têm o arcoatirem contra ela, não poupeis os dardos, porque contra JEHOVAH [ela] pecou” (Jr. 50:14, 29; 51:2, 3);
onde os que atiram e entesam o arco são os que dizem e ensinam a doutrina do vero.
[6] Em Zacarias:
“Cortarei o carro de Efraim, e o cavalo de Jerusalém, e será cortado o arco de guerra; e falará de paz às nações” (9:10);
‘Efraim’ é o entendimento do vero da igreja; o ‘arco’ é a doutrina. Em Samuel:
“Lamentou Davi uma lamentação sobre Saul e sobre Jônatas, filho dele, e disse para ensinar os filhos de Judá o arco” (2Sm. 1:17, 18);
onde se trata não do ‘arco’, mas dos doutrinais da fé. Em Ezequiel:
“[...] Dito de JEHOVAH: Este [é] o dia de que falei. E sairão os habitantes das cidades de Israel, e abrasarão e queimarão as armas, e o escudo e o broquel, e o arco e os dardos, e o bastão de mão e a lança, e abrasarão neles o fogo sete anos” (39:8, 9);
as armas nomeadas nesta passagem são todas armas da guerra espiritual; o ‘arco com os dardos’ é a doutrina e os seus veros. Na outra vida, os veros mesmos, separados dos bens, aparecem como dardos quando são representados à vista.
[7] Assim como o arco significa a doutrina do vero, assim também ele significa, no sentido oposto, a doutrina do falso. As expressões deste gênero, na Palavra, têm pela maior parte um sentido oposto, como foi dito e mostrado muitas vezes, como em Jeremias:
“Eis um povo vem da terra do norte, e uma nação grande será levantada dos lados da terra. Arco e lança trarão; cruel [é] essa [nação], e não terão misericórdia, a voz deles será tumultuosa como o mar, sobre cavalos montarão; dispostos como varão de guerra contra ti, ó filha de Sião” (6:22, 23);
onde o ‘arco’ é tomado pela doutrina do falso. No mesmo:
“Eis, um povo vem do norte, e uma nação grande, e reis numerosos serão levantados das bandas da terra. Têm o arco e a lança, eles [são] cruéis e não terão misericórdia [...]” (Jr. 50:41, 42);
a mesma significação. No mesmo:
“[...] Estendem a sua língua, [como] o seu arco, [para] a mentira, e não para a verdade; prevalecem na terra, porque foram de mal em mal, e não Me conheceram” (9:1, 2 [Em JFA, 9:2, 3]);
[8] que o ‘arco’ seja a doutrina do falso, vê-se claramente, porque se diz que “eles estendem a língua”, que “o seu arco é para a mentira e não para a verdade”. No mesmo:
“Disse JEHOVAH Zebaoth: Eis, Eu quebrarei o arco de Elam, o princípio da fortaleza dele” (49:35).
Em Davi:
“Ide, vede as obras de JEHOVAH, que põe desolações na terra. [Ele] fará cessar as guerras até a extremidade da terra; o arco quebra, corta a lança e os carros queima no fogo” (Sl. 46:9, 10 [Em JFA, 46:8, 9]).
No mesmo:
“Conhecido [é] Deus em Judá, em Israel [é] grande o nome d’Ele. E será em Salém o tabernáculo d’Ele, e o habitáculo d’Ele em Sião. Ali quebrou os dardos inflamados do arco, o escudo, e a espada e a guerra” (Sl. 76:2–4 [Em JFA, 76:1–3]).
No mesmo:
“Eis os ímpios armam o arco, preparam as suas setas sobre a corda para atirarem nas trevas contra os retos de coração” (Sl. 11:2);
aqui o ‘arco’ e as ‘setas’ são evidentemente tomados pelos doutrinais do falso.

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