ac 2689

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E levantou a voz e chorou’; que signifique o último grau da dor, é o que se pode ver pela significação de ‘levantar a voz’ e de ‘chorar’, que seja o último período da dor; com efeito, o pranto em alta voz não é outra coisa. O estado da desolação do vero, assim como o de ser afastado dos veros, com os que se tornam espirituais, foi descrito neste versículo. De que modo essas coisas se passam, deve-se dizer em poucas palavras. Aqueles que não podem ser reformados ignoram completamente o que é ter dor pelo fato de se estar privado dos veros. Eles pensam que ninguém pode jamais estar na ansiedade por uma tal privação; eles somente creem que se pode estar na ansiedade quando se é privado dos bens do corpo e dos bens do mundo, como da saúde, da honra, da reputação, das riquezas e da vida. Mas os que podem ser reformados creem absolutamente de outro modo: estes são mantidos pelo Senhor na afeição do bem e no pensamento do vero; por isso eles caem na ansiedade quando são privados deles.
[2] Sabe-se que toda a ansiedade e toda dor vêm de que se é privado das coisas pelas quais se tem afeição ou que são amadas. Aqueles que têm afeição somente pelas coisas corporais e mundanas, ou que amam somente tais coisas, estes estão na dor quando delas são privados; mas os que têm afeição pelos bens e veros espirituais, e que os amam, estão na dor quando são deles privados. A vida de cada um não é outra coisa senão a afeição, ou o amor; daí se pode ver qual é o estado dos que são desolados quanto aos bens e aos veros pelos quais eles têm afeição, ou que eles amam, isto é, que o estado de sua dor é mais grave porque ele é interior, e que, na privação do bem e do vero, eles consideram não a morte do corpo de que eles não se preocupam, mas a morte eterna. É o estado desses que é aqui descrito.
[3] Para que também se saiba quais são os que podem ser mantidos pelo Senhor na afeição do bem e do vero e, por conseguinte, podem ser reformados e tornar-se espirituais, e quais os que não o podem, cumpre falar igualmente deles em poucas palavras. Cada um, na meninice, quando começa a ser imbuído dos bens e dos veros, é mantido pelo Senhor no afirmativo que o que é dito e ensinado pelos pais e mestres é o vero; esse afirmativo, com os que podem se tornar homens espirituais, é confirmado por meio dos conhecimentos e das cognições, porque tudo que se aprende além, o que é afim, se insinua no afirmativo, e isto corrobora, e isso cada vez mais até a afeição. São tais aqueles que se tornam homens espirituais segundo a essência do vero ao qual eles têm fé, e que são vencedores nas tentações. Mas as coisas se passam de modo diferente com os que não podem se tornar espirituais. Ainda que estes, na meninice, estejam no afirmativo, é certo que, à medida que avançam em idade, eles admitem dubitativos e, assim, enfraquecem o afirmativo do bem e do vero; e quando entram na idade adulta, eles admitem negativos até [experimentarem] afeição pelo falso; se estes fossem induzidos nas tentações, eles sucumbiriam inteiramente. É também por isso que eles são livrados delas.
[4] Mas a causa mesma de que admitam dubitativos e depois negativos toma toda sua origem da vida do mal. Os que estão na vida do mal nunca podem deixar de agir de outro modo. A vida de cada um, como se disse, é uma afeição, ou um amor; tal é a afeição (ou o amor) tal é o pensamento. A afeição do mal e o pensamento do vero nunca se conjuntam; quando parecem se conjuntar elas entretanto não se conjuntam. Há pensamento do vero sem afeição desse vero, por isso entre eles o vero não é o vero, mas apenas uma sorte de sons ou alguma coisa de boca de que o coração está muito afastado. Os homens mais perversos podem até saber um tal vero, e às vezes melhor do que os outros; na realidade, entre alguns há um persuasivo do vero de uma tal natureza, que ninguém pode duvidar que não seja o vero genuíno; contudo, não é o vero se não há a vida do bem. E é a afeição do amor de si ou do mundo que insinua um tal persuasivo, que eles até defendem com a veemência de um zelo aparente a um tal ponto que condenam os que o não recebem ou que não creem como eles; mas esse vero é com cada um tal qual é o princípio, tanto mais forte quanto o amor de si e do mundo é mais forte. De fato, ele nasce do mal, mas não se liga com o mal, é também por isso que ele é extirpado na outra vida. Não sucede o mesmo com os que estão na vida do bem, o vero mesmo tem neles o seu húmus e o seu coração, e, pelo Senhor, a vida.

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