. ‘DEUS abriu os olhos dela’; que signifique a inteligência, é o que se pode ver pela significação de ‘abrir’, e porque era Deus Quem abria; então a significação, que é dar a inteligência, vem por causa dos olhos. Os ‘olhos’ significam o entendimento (n. 212) do mesmo modo que a vista, ou ver (n. 2150, 2325). Diz-se que Deus abre os olhos quando Ele abre a vista interior, ou o entendimento, o que se opera pelo influxo no racional do homem, ou antes, no espiritual de seu racional, e isso por via da alma, ou seja, por um caminho interno desconhecido para o homem. Esse influxo é o seu estado de iluminação, estado em que os veros que ele ouviu ou que leu lhe são confirmados por uma certa percepção interior em seu intelectual. O homem crê que isso foi gravado nele e que provém de uma faculdade intelectual que lhe é própria; mas ele labora no maior erro. É o influxo que vem do Senhor pelo céu no obscuro, no ilusório e no aparente do homem, e que, pelo bem nele, faz iguais ao vero as coisas que ele crê; mas os que são espirituais são os únicos que se tornam bem-aventurados pela iluminação nas coisas espirituais da fé. É isso que é significado quando se diz que “Deus abre os olhos”. [2] Que o ‘olho’ significa o entendimento é porque a vista do corpo corresponde à vista de seu espírito, que é o entendimento; e como corresponde quase em toda a parte em que os olhos são mencionados na Palavra, eles significam o entendimento até mesmo nas passagens em que se crê que eles significam outra coisa, como quando o Senhor diz em Mateus: “A lâmpada do corpo é o olho, se o olho [é] simples, todo o corpo [é] luminoso; se o olho é mau, todo o corpo [é] tenebroso; se, pois, a luz são trevas, quantas trevas!” (6:22, 23; Lc. 11:34); onde o ‘olho’ é o entendimento cujo espiritual é a fé; o que se pode mesmo ver pela explicação que aí se acha: “se, pois, a luz são trevas, quantas trevas!” Igualmente, no mesmo: “Se o olho direito te escandalizar, arranca-o e lança-o para longe de ti” (5:29; 18:9); o ‘olho esquerdo’ é o intelectual, e o ‘olho direito’ é a afeição do intelectual. Que o olho direito deva ser arrancado, é que a afeição deve ser subjugada quando ela escandaliza. [3] No mesmo: “Vossos olhos são bem-aventurados, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem” (13:16); e em Lucas: “Jesus disse aos discípulos: Bem-aventurados os olhos que veem as coisas que vedes” (10:23); aí, pelos ‘olhos que veem’ é significada a inteligência e fé; porque ter visto o Senhor, assim como os Seus milagres e as Suas obras, não é o que fez alguém bem-aventurado, mas o que fez o bem-aventurado é ter compreendido pelo entendimento e ter tido a fé, o que é “ver pelos olhos” e ter obedecido, o que é “ouvir pelos ouvidos”. Que ‘ver pelos olhos’ seja compreender e também ter a fé, é o que foi explicado (n. 897, 2325). De fato, o entendimento é o espiritual da vista, e a fé é o espiritual do entendimento. A vista do olho é pela luz do mundo; a vista do entendimento é pela luz do céu influindo nas coisas que pertencem à luz do mundo; mas a vista da fé é pela luz do céu; daí é que se diz ver pelo entendimento e ver pela fé. Que ‘ouvir pela orelha’ seja obedecer, foi visto (n. 2542). [4] Em Marcos: “Jesus [disse] aos discípulos: Ainda não conheceis e nem entendeis? Ainda tendes endurecido o vosso coração? Tendes olhos [e] não vedes? e tendes orelhas [e] não ouvis? (8:17, 18); onde é evidente que não querer compreender nem crer é ‘ter olhos e não ver’. Em Lucas: “Jesus [falando] da cidade, disse: Se conhecesses as coisas que [são] para a tua paz! Mas [isto] está oculto aos teus olhos” (19:41, 42); e em Marcos: “Isto foi feito pelo Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos” (12:11); onde o que ‘foi oculto aos olhos’ e o que ‘é maravilhoso aos olhos’ é o que está diante do entendimento; coisa que qualquer um conhece pela significação do olho, mesmo no uso da linguagem familiar.