Texto
. ‘Plantou um bosque em Beersheba’; que signifique a Doutrina daí com as suas cognições e a sua qualidade, é o que se vê pela significação do ‘bosque’, e pela de ‘Beersheba’. Quanto ao que diz respeito aos bosques, na Igreja Antiga se fazia o culto santo sobre as montanhas e nos bosques; sobre as montanhas porque as ‘montanhas’ significavam as coisas celestes do culto; e nos bosques porque os bosques significavam as coisas espirituais do culto. Enquanto essa igreja, a saber, a Antiga, esteve em sua simplicidade, então o culto deles sobre as montanhas e nos bosques era santo, pela razão que as coisas celestes, que pertencem ao amor e à caridade, eram representadas pelos lugares altos e elevados, como são as montanhas e as colinas, e as coisas espirituais, que procedem das celestes, eram representadas pelos lugares frutíferos e frondosos como são os jardins e os bosques. Mas depois que as coisas representativas e significativas começaram a se tornar idolátricas, pelo fato de adorarem as coisas externas sem as internas, aquele culto santo se tornou profano, e por isso foi proibido que se fizesse culto sobre as montanhas e nos bosques.
[2] Que os Antigos tenham tido um culto santo sobre as montanhas é o que se pode ver pelo capítulo 12 do Gênesis, a respeito de Abrahão: “Passou daí para a montanha para o oriente de Betel, e armou a tenda, Betel [para o lado] do mar, e Ai [para o] oriente, e edificou ali um altar, e invocou o nome de JEHOVAH” (Vers. 8, n. 1449 ao 1455); e a partir da significação da ‘montanha’, que é o celeste do amor (n. 795, 796, 1430). Que também o culto santo se fazia nos bosques, vê-se a partir dessas palavras neste versículo: “Abrahão plantou um bosque em Beersheba, e invocou ali o Nome do DEUS de eternidade”; depois, pela significação do ‘jardim’, que é a inteligência (n. 100, 108, 1588), e das ‘árvores’, que são as percepções (n. 103, 2163). Que foi proibido, consta nas palavras que seguem: Em Moisés:
“Não plantarás para ti bosque de qualquer árvore junto ao Altar de JEHOVAH, teu Deus, que farás para ti; e não erigirás para ti pilar, ao qual JEHOVAH, teu Deus, (tem) ódio” (Dt. 16:21, 22).
No mesmo:
“Os altares das nações destruireis, os pilares deles quebrareis, e os bosques deles derribareis” (Êx. 34:13);
e que “os bosques queimarão no fogo” (Dt. 12:3).
[3] E porque os judeus e os israelitas, entre os quais foi introduzido o rito representativo da Igreja Antiga, só estiveram nos externos, e não passaram de idolatras de coração, não sabendo o que era o interno, nem o que era a vida depois da morte, nem que o reino do Messias era celeste, nem querendo saber, eles tinham, tantas vezes quantas eram livres, um culto profano e sobre as montanhas e as colinas, assim como nos bosques e nas florestas; e também, em lugar das montanhas e das colinas, eles faziam para si esculturas de bosque, como se pode ver por muitas passagens na Palavra, como no livrodos Juízes:
“Os filhos de Israel serviram aos baalim e aos bosques” (3:7);
e nos livros dos Reis:
“Israel fez bosques para irritar JEHOVAH” (1Rs. 14:15);
e em outro lugar:
“Judá edificou para si lugares altos, e pilares, e bosques, sobre toda colina alta, e sob toda árvore frondosa” (1Rs. 14:23);
e em outro lugar:
“Israel edificou para si lugares altos em todas as cidades, e estabeleceram pilares e bosques sobre toda colina alta, e debaixo de toda árvore frondosa” (2Rs. 17:9, 10);
e em outro lugar:
“Manassés, rei de Judá, erigiu altares a Baal, e fez um bosque como fizera Acabe, rei de Israel, [...] e pôs a escultura do bosque, que fizera, na casa de Deus” (2Rs. 21:3, 7);
de onde se vê manifestamente que eles até faziam para si esculturas de bosque. Aí, nesse mesmo lugar, se diz que essas coisas foram destruídas pelo rei Josias:
“Josias fez tirar fora do Templo de JEHOVAH todos os vasos feitos para Baal e para o bosque, e para o Sol e a Lua, e para todo o exército dos céus, e os queimou fora de Jerusalém, e as casas que as mulheres teceram ali para o bosque; também cortou os bosques que fizera Salomão, e também o bosque em Betel, que fizera Jeroboão” (2Rs. 23:4, 5, 7, 14, 15);
além disso, coisas semelhantes tinham sido destruídas pelo rei Ezequias, aí no mesmo:
“Ezequias, rei de Judá, removeu os altos lugares, e derribou os pilares, e cortou o bosque, e quebrou a serpente de bronze que Moisés fizera” (2Rs. 18:4).
[4] Que a serpente de bronze fora uma coisa santa no tempo de Moisés é o que se sabe; mas quando o externo foi cultuado, tornou-se profana e foi quebrada, pela mesma razão que foi interdito o culto sobre as montanhas e nos bosques, estas coisas ainda podem ser vistas nos Profetas: Em Isaías:
“[Vós] que vos aqueceis para os deuses debaixo de toda árvore frondosa, que degolais os filhos nos ribeiros, sob as saliências das pedras; também nos ribeiros derramaste a libação, ofereceste o presente; sobre o monte alto e elevado puseste o teu habitáculo, e lá ofereceste para sacrificar um sacrifício” (57:5, 6, 7).
No mesmo:
“Nesse dia olhará o homem para o seu Feitor, e os olhos dele verão o Santo de Israel; e não olhará para os altares, obra das suas mãos, e o que fizeram os seus dedos não verá, nem os bosques, nem as colunas solares” (Is. 17:7, 8).
Em Miqueias:
“Cortarei as tuas imagens talhadas, e os pilares do meio de ti; e não te curvarás mais diante da obra das tuas mãos, e arrancarei os teus bosques do meio de ti, e destruirei as tuas cidades” (5:12, 13 [Em JFA, 5:13, 14]).
Em Ezequiel:
“Quando forem trespassados no meio dos ídolos deles, ao redor dos altares deles, para toda colina elevada, em todos as cabeças das montanhas, e sob toda árvore frondosa, e sob todo carvalho ramoso, lugar que deram o cheiro de repouso a todos os seus ídolos” (6:13).
[5] Por tudo isso que acaba de ser dito, vê-se de que origem era o culto idolátrico, isto é, que se adoravam os objetos que eram representativos e significativos. Os antiquíssimos, que viveram antes do Dilúvio, viam, em todas e cada uma das coisas, assim, nas montanhas, nas colinas, nas campinas, vales, jardins, bosques, florestas, rios e águas, nos campos e nos lugares semeados, nas árvores de todo o gênero, também nos animais de todo gênero, nos luzeiros do céu, algum representativo e significativo do Reino do Senhor; mas nunca fixavam os olhos e muito menos a mente sobre os objetos, mas os objetos eram para eles meios de pensar a respeito das coisas celestes e espirituais que estão no Reino do Senhor; e isso ao ponto que absolutamente nada existia em toda a natureza que não lhes servisse de meios. É também isso em si uma verdade: que na natureza todas as coisas, tomadas quer em geral quer em particular, representem; verdade que é hoje um arcano e dificilmente crida por alguém. Mas depois que o celeste, que pertence ao amor ao Senhor, pereceu, então o gênero humano não mais se achou nesse estado, a saber, que pelos objetos como meios ele via as coisas celestes e espirituais do Reino do Senhor.
[6] No entanto, é verdade que os antigos de depois do Dilúvio sabiam, por tradições e por compilações de alguns [homens], que essas coisas celestes e espirituais eram significadas [por coisas da natureza], e porque [estas] significavam, eles as consideravam também como santas. Daí o culto representativo da Igreja Antiga, e como essa igreja era espiritual, ela se achava não na percepção, mas na cognição de que assim era, pois estava no relativamente obscuro (n. 2715). Contudo, ela não adorava os externos, mas pelos externos [os homens dessa igreja] recordavam-se dos internos, e, por isso, quando estavam nesses representativos e significativos, eles estavam no santo do culto. Eles podiam também [estar nesse santo], porque estavam no amor espiritual, isto é, na caridade que eles tinham feito o essencial do culto, razão por que a santidade podia influir do Senhor em seu culto. Mas quando o estado do gênero humano mudou e se perverteu ao ponto que os homens se afastavam do bem da caridade, e não criam, por conseguinte, mais que houvesse um reino celeste ou uma vida depois da morte, mas se consideravam em um estado semelhante ao dos animais, salvo somente a diferença de que pensem (como também hoje), então o culto santo representativo se mudou em culto idolátrico, e as coisas externas foram adoradas. Daí com a maioria dos gentios dessa época e até com os judeus e os israelitas, não havia um culto representativo, mas um culto dos representativos e dos significativos, isto é, dos externos sem os internos.
[7] Quanto aos que se refere especificamente aos ‘bosques’, eles tinham, entre os antigos, diversas significações, e até segundo as espécies de árvores de que eles se compunham. Os bosques em que havia oliveiras significavam as coisas celestes do culto; os bosques em que havia figueiras, cedros, pinheiros, álamos, carvalhos, significavam diversas coisas que pertenciam às coisas celestes e espirituais; aqui, é simplesmente um bosque ou um arvoredo que é nomeado, e ele significa as coisas pertencentes aos racionais que foram adjuntos à Doutrina e às cognições da Doutrina. Com efeito, as árvores significam em geral as percepções (n. 103, 2163), mas quando se referem à igreja espiritual, significam as cognições, pela razão que o homem da igreja espiritual não tem outras percepções senão as que ele adquire pelas cognições obtidas da Doutrina ou da Palavra, estas [cognições] se tornam as de sua fé e, portanto, as da sua consciência, de que provém a sua percepção.