ac 2733

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Havia certos espíritos que, por um hábito contraído na vida do corpo, infestavam-me com uma habilidade peculiar, e isso por um influxo muito suave e como que untuoso, tal qual costuma ser o dos espíritos probos, mas percebi que nela havia astúcias e outras coisas semelhantes com o fim de seduzir e de enganar. Enfim, falei com um deles, que, como me foi dito, fora general de exército quando viveu no mundo, e porque percebi que nas ideias de seu pensamento havia lascívia, conversei com ele a respeito do casamento na linguagem dos espíritos ilustrada com coisas representativas, a qual exprime plenamente os sentidos e, em um momento, muitos sentimentos.
[2] Disse-me ele que na vida do corpo ele tinha considerado como coisa nenhuma os adultérios; mas se me permitiu responder-lhe que os adultérios são abomináveis, ainda que parecesse diante dos que os cometem, por causa do prazer que experimentam e do persuasivo que daí provém, que eles não são tais, e que até são lícitos; que também ele podia sabê-lo pelo fato de que os casamentos são as sementeiras [seminaria] do gênero humano, e por isso também as sementeiras do reino celeste, e que é por isso que eles nunca deviam ser violados, mas deviam ser considerados como santos; então a partir disto, que ele deve saber, porque ele se acha na outra vida e em um estado de percepção, que o amor conjugal desce do Senhor pelo céu, e que desse amor, como de um pai, deriva o amor mútuo que é o firmamento do céu; e também a partir disto, que os adúlteros, por pouco que se aproximem das sociedades celestes, sentem o cheiro infecto que está neles, e se precipitam de lá para o inferno; ao menos ele poderia ter sabido que violar os casamentos era agir contra as Leis Divinas e contra as leis civis de todas as nações, e também contra a luz genuína de razão, porque era agir contra a ordem não só Divina como humana; e lhe disse, além disso, outras coisas mais.
[3] Mas respondeu que nunca soubera tudo isso na vida do corpo nem pensara nisso; ele quis raciocinar para ver se porventura era assim, mas se lhe disse que a verdade não admite os raciocínios na outra vida, porque os raciocínios protegem os prazeres, por conseguinte, os males e os falsos, e que ele devia antes de tudo pensar a respeito das coisas que lhe foram ditas, pois eram verdadeiras, ou ainda por este princípio muito conhecido no mundo, “que ninguém deve fazer a outrem o que ele não quer que se lhe faça”, e portanto se alguém tivesse seduzido a sua esposa, que ele tivesse amado, como isso acontece no princípio de todo casamento, quando fosse então enganado achando-se em um estado de ira pelo fato, não falaria segundo esse estado e não detestaria ele os adultérios, e então, gozando ele de grande capacidade, não se confirmaria mais do que qualquer outro contra essas ações até o ponto de condená-las como infernais? Por conseguinte, que ele teria podido julgar por si próprio.

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