. O genuíno amor conjugal não existe senão entre dois cônjuges, isto é, no casamento de um só marido e de uma só esposa[unius viri et unius uxoris]; ele nunca é possível entre um maior número ao mesmo tempo, porque o amor conjugal é mútuo e recíproco, e a vida do marido está na da esposa e vice-versa, ao ponto que eles são como um; tal união ocorre entre dois, mas não entre vários, vários rompem esse amor. Os homens da Igreja Antiquíssima, que eram celestes e estavam na percepção do bem e vero (como os anjos) só tiveram uma única esposa [cada um]; disseram que com uma só esposa [cada um] eles percebiam as delícias e as felicidades celestes, e quando apenas se mencionava um casamento com vários, que experimentavam um sentimento de horror. Com efeito, casamento de um só marido [uniusmariti]e de uma só esposa descende [descendit], como foi dito, do casamento do bem e do vero, ou do casamento celeste, que é tal, como se pode ver manifestamente pelas palavras do Senhor em Mateus: “Jesus disse: Não lestes que Aquele que [os] fez desde o começo macho e fêmea os fez, e disse: Por isso deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua esposa, e serão dois em uma carne; portanto, não são mais dois, mas uma só carne; o que, pois, Deus ajuntou, o homem não separe. Moisés, por causa da dureza do vosso coração, permitiu que despedísseis as vossas esposas; no começo, porém, não foi assim. Nem todos compreendem esta palavra, exceto aqueles a quem [isto] foi dado” (19:3 ao 12).