Texto
. Como os adultérios são contrários ao amor conjugal, os adúlteros não podem estar com os anjos no céu, não só porque estão no que é contrário ao bem e ao vero e, portanto, não se acham no casamento celeste, mas então porque não têm sobre o casamento senão ideias impuras. Quando apenas se menciona o casamento ou quando se apresenta a ideia do casamento, logo nas suas ideias há coisas lascivas, obscenas e até abominações. Do mesmo modo, quando os anjos conversam a respeito do bem e do vero, esses espíritos pensam então contra os bens e os veros. Com efeito, todas as afeições e todos os pensamentos provenientes das afeições permanecem com o homem depois da morte tais quais foram no mundo. Os adúlteros têm o intento [animo] de destruir as sociedades; muitos deles são cruéis (n. 824); portanto, são de coração contra a caridade e a misericórdia; zombam das misérias dos outros, querem tomar de cada um o que lhes pertence, e o fazem até onde se atrevem; o seu prazer é de destruir as amizades e de construir inimizades; a sua religiosidade consiste em dizer que eles reconhecem um Criador do Universo e uma Providência, mas unicamente universal, assim como a salvação pela fé, e que não é possível acontecer-lhes pior do que aos outros. Quando, porém, eles são examinados sobre quais eles são de coração, coisa que sucede na outra vida, descobre-se que eles não creem em coisa alguma; no lugar de um Criador do universo eles reconhecem a natureza, em vez de crerem em uma Providência universal eles não admitem nenhuma, sobre a fé nada pensam; e tudo isso, porque os adúlteros são absolutamente contra o bem e vero; daí cada um pode julgar como seria possível eles entrarem no céu.