. Pelo que precede, vê-se agora de onde vêm as coisas representativas e as significativas que estão na Palavra, isto é, que elas vêm dos representativos que existem na outra vida. É da outra vida que eles chegaram aos homens da Igreja Antiquíssima, que eram celestes e que, quando viviam, estavam ao mesmo tempo com os espíritos e os anjos. Esses representativos passaram desses homens aos seus descendentes e, finalmente, a homens que não sabiam que eles tinham uma significação mas que os veneraram e os olharam como santos, porque eles datavam dos tempos mais remotos e que estavam em seu culto Divino. Além das coisas representativas, há ainda as correspondências, que exprimem e também significam coisa diferente, no mundo natural, da que é significada no mundo espiritual; por exemplo, o ‘coração’, que exprime e significa a afeição do bem, os ‘olhos’, o entendimento, as ‘orelhas’, a obediência, as ‘mãos’, o poder; não falando de outras cujo número é infindo. Essas coisas não são assim representadas no mundo dos espíritos, mas correspondem como o natural corresponde ao espiritual. Daí vem que, na Palavra, cada vocábulo, até o menor iota, envolve coisas espirituais e celestes, e que a Palavra foi inspirada de tal modo, que os espíritos e os anjos, quando ela é lida pelo homem, logo a percebem espiritualmente segundo as representações e as correspondências. Mas essa ciência, que era tão bem cultivada e tão estimada pelos antigos depois do dilúvio, e pela qual puderam pensar com os espíritos e os anjos, está hoje inteiramente perdida a tal ponto, que dificilmente se quer dar crédito a que ela exista; e os que creem em sua existência só a tomam por uma coisa mística, que não é de uso algum; e isso, porque o homem se tornou completamente mundano e corporal, de sorte que, quando se fala do espiritual e do celeste, ele sente repugnância e, às vezes, tédio e até mesmo náuseas. Que acontecerá então na outra vida, que dura eternamente, onde nada há de mundano nem coisa alguma de corporal, mas onde há somente o espiritual e o celeste que constituem a vida no céu? * * * * * * *