Texto
. ‘E foi ao lugar que DEUS lhe disse’; que signifique o estado então segundo a percepção, é o que se vê pela significação do ‘lugar’, que é o estado (n. 1273–1277, 1377–1381, 2625); e pela significação de ‘Deus dizer’, que é perceber a partir do Divino (n. 2769, 2778). Quanto ao que diz respeito ao estado mesmo, esse estado é descrito neste versículo, a saber, o estado que o Senhor assumiu quando Ele sofria as tentações, e aqui o que Ele assumiu quando sofria as gravíssimas e íntimas tentações. A primeira preparação a esse estado consistiu em que Ele Se revestiu do estado de paz e de inocência, depois, no fato de ter preparado em Si o Homem Natural, assim como o Homem Racional, a fim de que eles estivessem a serviço do Racional Divino, e no fato de que Ele juntou o mérito da justiça, e que assim Ele Se elevou. Tais coisas não podem ser de modo algum postas ao alcance ou ser apresentadas à ideia de alguém que ignora que existem simultaneamente muitos estados, e que esses estados são distintos entre si, e que ignora o que é o estado de paz e de inocência, e o que é o homem natural, o que é o homem racional, e o que é o mérito da justiça; pois é preciso primeiro que ele tenha uma ideia distinta de todas essas coisas, e que também saiba que o Senhor pôde, pelo Divino, revestir-Se de estados quaisquer que Lhe aprouve, e que Ele se preparou para as tentações por muitos estados de que Se revestiu. Que essas coisas ainda estejam, entre os homens, em uma obscuridade como a da noite, o fato é que elas estão em uma claridade como a do dia entre os anjos, que, estando pelo Senhor na luz do céu, veem distintamente, nelas e em outras desse gênero, coisas inúmeras, e então percebem uma alegria inefável pela afeição que influi. Sendo assim, pode-se ver quanto o intelectual e o perceptivo humanos estão afastados do intelectual e do perceptivo angélicos.