Texto
. ‘No terceiro dia’; que signifique o completo e o começo da santificação, é o que se vê pela significação do ‘terceiro dia’. O ‘dia’, na Palavra, significa o estado (n. 23, 487, 488, 493, 893), do mesmo modo também o ano e, em geral, todos os tempos, como a hora, o dia, a semana, o mês, o ano, o século, bem como a manhã, o meio-dia, a tarde, a noite; e ainda, a primavera, o verão, o outono, o inverno; e quando a isso se acrescenta a terceira ou o terceiro, eles significam o fim desse estado e, ao mesmo tempo, o começo do estado seguinte. Aqui, pelo fato de se tratar da santificação do Senhor, que se fez por meio das tentações, o ‘dia terceiro’ significa o completo e, ao mesmo tempo, também o começo da santificação, assim como resulta também das coisas que precedem. A razão dessa significação é que o Senhor, depois de ter cumprido todas as coisas, devia ressuscitar no terceiro dia, porque as coisas que foram feitas (ou as que eram feitas) pelo Senhor, quando Ele viveu no mundo, estavam nos representativos da igreja como se elas tivessem sido feitas; e o mesmo sucedia no sentido interno da Palavra, pois, em Deus, ‘vir a ser’ e ‘ser’ é a mesma coisa, e de fato toda a eternidade Lhe é presente.
[2] Daí vem que o número ternário foi representativo não só na Igreja Antiga e na Igreja Judaica, mas também entre diferentes nações. Vejam-se as coisas que foram ditas acerca deste número (n. 720, 901, 1825); que tenha origem dessas coisas, vê-se em Oseias:
“Voltemos a JEHOVAH, porque Ele dilacerou e curar-nos-á, feriu e ligar-nos-á [a ferida]. Vivificar-nos-á em dois dias, no terceiro dia ressuscitar-nos-á, para que vivamos diante d’Ele” (6:1, 2);
onde o ‘terceiro dia’ é o Advento do Senhor e a Sua ressurreição; e de Jonas se diz que “esteve nas vísceras do peixe três dias e três noites” (Jn. 2:1). A este respeito assim diz o Senhor em Mateus:
“Como esteve Jonas no ventre da baleia por três dias e três noites, assim estará o Filho do homem no coração da terra por três dias e três noites” (12:40).
[3] Cumpre saber que, no sentido interno da Palavra, os ‘três dias’ e o ‘terceiro dia’ significam a mesma coisa, como ‘três’ e ‘terceiro’ nas passagens seguintes: em João:
“Disse Jesus aos judeus: Derrubai este Templo, e em três dias o levantarei. [...] Ele falava do Templo do Seu corpo” (2:19, 20, 21; Mt. 26:61; Mc. 14:58; 15:29);
que o Senhor ressuscitou no terceiro dia, isso é bem conhecido.
[4] Por isso é que o Senhor distinguiu os tempos de Sua vida em três, em Lucas:
“Indo, dizei a esta raposa: Eis que lanço fora os demônios, e curas executo hoje e amanhã, mas no terceiro dia Sou consumido” (13:32).
Também a última tentação, que era a da cruz, o Senhor suportou na terceira hora do dia (Mc. 15:25); e depois de três horas houve trevas sobre toda a terra, ou na sexta hora (Lc. 23:44); e três horas depois, ou na hora nona, foi o fim (Mc. 15:33, 34, 37); porém, na manhã do terceiro dia ressuscitou (Mc. 16:1–4; Lc. 24:7); veja-se Mt. 16:21; 17:22, 23; 20:18, 19; Mc. 9:31; 8:31; 10:33, 34; Lc. 18:33; 24:46. Daí, e principalmente por causa da ressurreição do Senhor no terceiro dia, o número ternário foi representativo e significativo; que ele o foi é o que se vê pelas seguintes passagens da Palavra:
“Quando JEHOVAH descia sobre o monte de Sinai, disse a Moisés que santificasse o povo hoje e amanhã, e para que lavassem as suas vestimentas, e estivessem preparados no terceiro dia, porquanto no terceiro dia desceria JEHOVAH” (Êx. 19:10, 11, 15, 16).
“Quando caminharam do monte de JEHOVAH por uma marcha de três dias, a Arca de JEHOVAH caminhava diante deles por uma marcha de três dias para procurar-lhes um repouso” (Nm. 10:33);
além disso, que
“houve trevas em toda a terra do Egito três dias, e não viu o varão o seu irmão três dias, mas para os filhos de Israel houve luz” (Êx. 10:22, 23).
[5] Que
“a carne do sacrifício votivo e espontâneo devia ser comida no primeiro e segundo dias, nada devia restar para o terceiro dia, mas devia ser queimado [o resto], ...porquanto era uma abominação”;
o mesmo sucedia
“à carne do sacrifício Eucarístico, e caso não se comesse no terceiro dia, ...não era aceito, mas a alma a sua iniquidade levava” (Lv. 7:16, 17; 19:6, 7).
“Aquele que tocasse um morto devia se expiar no terceiro dia, e no sétimo dia estava puro; se não, seria extirpada aquela alma de Israel, e espargirá água o puro sobre o impuro no terceiro dia e no sétimo” (Nm. 19:12, 13, 19).
“Os que no combate mataram uma alma, e tocaram um trespassado, se purificavam no terceiro dia e no sétimo dia” (Nm. 31:19).
[6]
“Que o fruto, quando viessem à terra de Canaã, durante três anos devia ser incircunciso, e não deviam comê-lo” (Lv. 19:23).
“Que no fim de três anos deviam tirar todos os dízimos do seu produto naquele ano, e pô-los nas portas, para que o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva deles comessem” (Dt. 14:28, 29; 26:12).
“Que três vezes no ano se celebravam as festas de JEHOVAH; e três vezes no ano comparecia todo macho diante da face do Senhor JEHOVAH” (Êx. 23:14, 17; Dt. 16:16).
“Que Josué dissesse ao povo, que em três dias passariam o Jordão, e herdariam a terra” (Js. 1:11; 3:2).
“Que JEHOVAH chamou Samuel três vezes, e ele na terceira vez respondeu” (1Sm. 3:8).
[7]
“Quando Saul quis matar Davi, que Davi tenha se ocultado em um campo até a terceira tarde. Jonathan dissesse a Davi: Sondarei o meu pai neste tempo da terceira tarde. Jonathan lançou três setas para o lado da pedra. E que Davi, diante de Jonathan então caiu sobre a sua face em terra, e curvou-se três vezes” (1Sm. 20:5, 12, 19, 20, 35, 36, 41).
“Que Davi escolhesse, das três, uma: ou sete anos de fome na terra, ou três meses fugisse de diante dos inimigos, ou três dias de peste na terra” (2Sm. 24:12, 13).
[8]
“Que a fome, nos dias de Davi, tenha sido de três anos, ano após ano” (2Sm. 21:1).
“Que Elias se estendera três vezes sobre o menino morto, e o tenha vivificado” (1Rs. 17:21).
“Elias, quando edificou um Altar a JEHOVAH, que dissesse que derramassem águas sobre o holocausto e sobre a lenha três vezes” (1Rs. 18:34).
“Que o fogo tenha consumido os chefes de cinquenta [homens] enviados contra Elias por duas vezes, mas não o enviado pela terceira vez” (2Rs. 1:13).
“Que fosse o sinal [dado] a Ezequias, o rei, que comessem nesse ano o que espontaneamente nascesse, no segundo ano, o que de si mesmo crescesse, porém, no terceiro ano, semeassem, segassem, plantassem vinhas e comessem o fruto delas” (2Rs. 19:(29)).
[9]
“Que Daniel entrou na sua casa, e [havia] janelas abertas para ele no quarto para o lado de Jerusalém, onde, três vezesno dia, bendizia de joelhos e orava” (Dn. 6:11, 14 [Em JFA, 6:10, 13]).
“Que Daniel pranteou durante três semanas de dias, o pão dos desejos não comendo, nem vinho bebendo, nem se ungiu, até que se cumprisse três semanas de dias” (Dn. 10:2, 3).
“Que Isaías andasse nu e descalço durante três anos, como um sinal e prodígio sobre o Egito e sobre Cuch” (Is. 20:3).
“Que do candelabro saíssem três canas de cada lado, e havia três taças (em forma) de amêndoa em cada cana” (Êx. 25:32, 33).
“Que no Urim e no Thumim havia três pedras preciosas em cada ordem” (Êx. 28:17–20).
[10]
“Que no novo Templo haveria os quartos do portão, três de um lado e três do outro, uma mesma medida para eles três; no pórtico da casa, a largura do portão era de três côvados de um lado e de três côvados do outro” (Ez. 40:10, 21, 48).
“Que na Nova Jerusalém haverá três portões ao norte, três ao oriente, três ao sul e três ao ocidente” (Ez. 48:31–34; Ap. 21:13).
Pelas passagens que seguem, vê-se igualmente que o número três foi representativo e significativo:
“Que Pedro tenha renegado Jesus três vezes” (Mt. 26:34, 69 e seg.);
“Que o Senhor tenha dito três vezes a Pedro: [Tu] Me amas?” (Jo. 21:17);
“Então, na parábola em que o homem, que tinha plantado uma vinha, enviou por três vezes os seus criados para os vinhateiros e, finalmente, seu filho” (Lc. 20:12; Mc. 12:2, 4–6);
“Os que trabalhavam na vinha, que foram angariados na terceira hora, na sexta hora, na nona hora e na undécima hora” (Mt. 20:1 a 17);
“E a respeito da figueira, porque não produzia fruto por três anos, que seria cortada” (Lc. 13:6, 7).
[11] Como o ‘trino’ e o ‘terceiro’ eram representativos, a ‘terça parte’ também o era; por exemplo:
“para a minchah que dois décimos de flor de farinha fossem mesclados com a terça parte de um hin de azeite; e para a aspersão era um terço de um hin de vinho” (Nm. 15:6, 7; Ez. 46:14).
Em Ezequiel:
“Que passasse uma navalha sobre a sua cabeça e sobre a sua barba, e depois dividisse os cabelos, e a terça parte no fogo se queimasse, que ferisse a terça parte com a espada ao redor, e a terça parte fosse dispersa ao vento” (5:1, 2, 11).
Em Zacarias:
“Que em toda a terra, duas partes seriam cortadas, e a terceira seria deixada, mas que se passaria a terceira pelo fogo, e seria experimentada” (13:8, 9).
[12] Em João:
“Quando o primeiro anjo tocou a trombeta, houve saraiva, e um fogo misturado com sangue, e caiu na terra, de sorte que a terça parte das árvores foi queimada... O segundo anjo tocou a trombeta, e como uma montanha grande de fogo ardente que foi lançada no mar, e tornou-se a terça parte do mar, sangue, e morreu a terça parte das criaturas no mar tendo almas; e a terça parte dos navios pereceu. O terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do céu uma estrela grande ardendo como uma lâmpada, e caiu sobre a terça parte dos rios, ... e o nome da estrela [é] Absinto... O quarto anjo tocou a trombeta, de modo que foi ferida a terça parte do Sol, e a terça parte da Lua, e a terça parte das estrelas, de modo que foi escurecida a terça parte delas, e o dia não luziu na sua terça parte, e a noite igualmente” (Ap. 8:7–12);
[13]
“Soltos foram os quatro anjos, para que matassem a terça parte dos homens” (Ap. 9:15);
“Por essas três [coisas] foi morta a terça parte dos homens: pelo fogo, pela fumaça e pelo enxofre, que saia da boca dos cavalos” (Ap. 9:18);
“O dragão, com a cauda, arrastou a terça parte das estrelas do céu, e as lançou na terra” (Ap. 12:4).
Contudo, a ‘terça parte’ significa alguma coisa e o ainda não plenamente completo, enquanto o ‘terceiro’ e o ‘trino’ significam o que é completo; e isto, para os maus e o mal, e para os bons e o bem.