Texto
. ‘E tomou na sua mão o fogo e a faca’; que signifique o bem do amor e o vero da fé, é o que se vê pela significação do ‘fogo’, que é o bem do amor (n. 934), e pela significação da ‘faca’, que é o vero da fé. Que a faca de que se servia nos sacrifícios para [imolar] as vítimas significou o vero da fé, é o que se pode ver pela significação da ‘espada’ ou da ‘espada curta’161 na Palavra, porquanto em vez de ‘faca’ se diz ‘espada curta’; tanto um termo como o outro tem a mesma significação, mas com esta diferença, que a faca, que servia para [imolar] as vítimas, significava o vero da fé, enquanto a espada significava o vero que combate; e como a faca é raramente mencionada na Palavra, por uma razão secreta de que se falará mais adiante, permite-se mostrar o que significava a espada. No sentido interno, a ‘espada’ significa o vero da fé que combate, então a vastação que pertence ao vero; e, no sentido oposto, o falso que combate, e a punição que pertence ao falso.
[2] I. Que a ‘espada’ signifique o vero da fé que combate, vê-se por estas passagens: Em Davi:
“Cinge a tua espada sobre a coxa, ó poderoso, pela tua glória e honra prospera. ...cavalga sobre a palavra da verdade, e ensinar-te-á maravilhas a tua destra” (Sl. 45:4, 5 [Em JFA, 45:3, 4]);
onde se trata do Senhor; a ‘espada’ está pelo vero que combate. No mesmo:
“Exultem os misericordiosos na glória, cantem sobre seus leitos. Os louvores de Deus [estarão] na garganta deles, e a espada de dois fios, na mão deles” (Sl. 149:5, 6).
Em Isaías:
“[...] JEHOVAH Me chamou desde o útero, desde as vísceras da Minha mãe lembrou do Meu nome; e tornou a Minha boca como uma espada aguda, e pôs-Me como seta limpa” (49:1, 2);
a ‘espada aguda’ está pelo vero que combate, e a ‘seta limpa’, pelo vero da doutrina (n. 2686, 2709). No mesmo:
“Cairá Asshur pela espada não de um varão; a espada não do homem devorá-lo-á, e fugirá de diante da espada, e os seus jovens serão em tributo” (Is. 31:8);
‘Asshur’ está no lugar do raciocínio nas coisas Divinas (n. 119, 1186); ‘a espada não de um varão e não do homem’ designa o falso; ‘a espada de diante da qual ele fugirá’ é o vero que combate.
[3] Em Zacarias:
“Voltai à trincheira, ó cativos na expectativa; mesmo hoje anuncio que o dobro restituirei a ti. Porque estendi a mim Judá [como] um arco, enchi Efraim, e encorajei os teus filhos, ó Sião! Sobre os teus filhos, ó Javã! E pôr-te-ei [como] a espada do forte. E JEHOVAH sobre eles aparecerá, e se exibirá como relâmpago Seu o dardo; [...]” (9:12–14).
a ‘espada do forte’ é o vero que combate. Em João:
“[E] no meio dos sete castiçais [um] semelhante ao Filho do Homem [...] tinha na Sua [mão] direita sete estrelas; da Sua boca saia uma espada aguda de dois fios, e o rosto d’Ele como o Sol brilhando na sua virtude” (Ap. 1:13, 16);
e depois:
“Estas [coisas] diz Aquele que tem a espada aguda de dois fios: [...] Virei a ti em breve, e pelejarei contra eles com a espada da Minha boca” (Ap. 2:12, 16);
a ‘espada aguda de dois fios’ é manifestamente o vero que combate, que é representado, por isso, como uma espada que sai da boca.
[4] No mesmo:
“Da boca do que estava sentado sobre o cavalo branco saia uma espada aguda, e por ela feria as nações; [...] e foram mortos pela espada do que estava sentado sobre o cavalo, a qual saia da boca d’Ele” (Ap. 19:15, 21);
onde se vê que a ‘espada saindo da boca’ é o vero que combate; vê-se acima que Aquele Que está sentado sobre o cavalo branco é a Palavra e, por conseguinte, o Senhor, Que é a Palavra (n. 2760, 2761, 2762, 2763); por isso é que o Senhor diz em Mateus:
“Não penseis, pois, que vim para lançar a paz sobre a terra, não vim lançar a paz, mas a espada” (10:34);
e em Lucas:
“Agora, quem tem bolsa tome[-a], como também um alforge; quem, porém, não tem, venda as suas vestimentas e compre uma espada; eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. Mas Jesus disse: [Isso] basta” (22:36, 37, 38);
onde pela ‘espada’ não se entende outra coisa senão o vero pelo qual e para o qual eles deviam combater.
[5] Em Oseias:
“Firmarei com eles aliança, naquele dia, com a fera do campo, e com a ave dos céus e o réptil do húmus, e o arco e a espada e a guerra quebrarei [de cima] da terra, e os farei deitar em segurança” (2:18);
onde se trata do Reino do Senhor, por ‘quebrar o arco, a espada e a guerra’ é significado que não há ali combate a respeito da Doutrina e do vero. Em Josué:
“Josué elevou seus olhos e viu, e eis um varão de pé na frente dele, e a espada desembainhada na mão dele; ...disse a Josué: Eu [sou] o príncipe do exército de JEHOVAH. E caiu Josué sobre a sua face em terra” (5:13, 14).
Isto sucedeu quando Josué entrou com os filhos de Israel na terra de Canaã, e por este fato se entende a introdução dos fiéis no Reino do Senhor; o vero combatente, que pertence à igreja, é a ‘espada desembainhada na mão do príncipe do exército de JEHOVAH’.
[6] Que por sua vez as ‘espadas curtas’ ou ‘facas’ signifiquem o vero da fé, pode-se ver pelo fato de serem não somente utilizadas nos sacrifícios, mas também na circuncisão, na qual elas eram de pedra e chamadas ‘facas de pedras’ como se vê em Josué:
“Disse JEHOVAH a Josué: Faze para ti facas de pedras, e vai, circuncida os filhos de Israel pela segunda vez. E fez para si Josué facas de pedras, e circuncidou os filhos de Israel na colina dos prepúcios” (5:2, 3).
Que a circuncisão fora o representativo da purificação do amor de si e do mundo, foi visto (n. 2039, 2632), e como essa purificação se faz por meio dos veros da fé, é por isso que se empregavam facas de pedras (n. 2039 no fim, 2046 no fim).
[7] II. Que a espada signifique a vastação que pertence ao vero, é o que se vê por estas passagens: Em Isaías:
“Estas duas coisas te acontecerão: [Haverá] quem tenha compaixão de ti? A vastação e a contrição, e a fome e a espada; quem te consolará? Os teus filhos desfaleceram, estiveram estendidos na cabeça de todas as praças” (51:19, 20);
a ‘fome’ é a vastação do bem, e a ‘espada’, a vastação do vero; ‘jazer na cabeça de todas as praças’ é ser privado de todo vero; que a ‘praça’ seja o vero, n. 2336. Quanto à ‘vastação’, foi visto (n. 301, 302, 303, 304, 407, 408, 410, 411). No mesmo:
“Contar-vos-ei pela espada, e todos vós para a matança vos curvareis, porque chamei, e não respondestes, falei, e não ouvistes...” (Is. 65:12).
[8] No mesmo:
“No fogoJEHOVAH Julgará, e na espada, toda carne, e muitos serão os trespassados de JEHOVAH” (66:16);
os ‘trespassados de JEHOVAH’ são os que foram vastados. Em Jeremias:
“Sobre todas as colinas no deserto vieram os vastadores, porque [é] a espada de JEHOVAH que devora desde uma extremidade da terra, até a [outra] extremidade da terra, não [há] paz para carne alguma. Semearam trigo, e colheram espinhos; [...]” (12:12, 13);
a ‘espada de JEHOVAH’ é manifestamente a vastação do vero. No mesmo:
“Mentiram contra JEHOVAH, e disseram: Não [é] Ele; e não virá sobre nós o mal, e a espada e a fome não veremos; e os profetas se tornarão em vento, e palavra nenhuma [haverá] n’Eles” (Jr. 5:12, 13);
[9] No mesmo:
“[...] Eu que visitá-los-ei; os jovens morrerão pela espada, os filhos deles e as filhas deles morrerão pela fome” (Jr. 11:22).
No mesmo:
“[...] quando oferecerem o holocausto e minchá, Eu não lhes serei propício; porque pela espada e pela fome, e pela peste, Eu os consumirei. E disse: Ahah!162SENHOR JEHOVIH, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis a espada, e a fome não será para vós; ...” (Jr. 14:12, 13).
No mesmo:
“A cidade foi entregue na mão dos caldeus, que combatem contra ela, por causa da espada, da fome e da peste” (Jr. 32:24, 36).
No mesmo:
“Enviarei contra eles a espada, a fome e a peste, até consumi-los de sobre o húmus que lhes dei e aos pais deles” (Jr. 24:10).
[10] Nessas passagens, a vastação é descrita por meio da ‘espada’, da ‘fome’ e da ‘peste’; pela espada, a vastação do vero; pela fome, a vastação do bem; e pela peste, a destruição até a consumação. Em Ezequiel:
“Filho do homem, toma uma espada aguda, uma navalha dos barbeiros, e toma-a para ti, e faças passar sobre a tua cabeça, e sobre a tua barba, e toma para ti balanças de pesar, e divide-as: a terça parte queima no fogo no meio da cidade, ... a terça parte fere com a espada ao redor dela; e a terça parte dispersa ao vento, e a espada tirarei após eles. Uma terça parte morrerá pela peste, e serão consumidos pela fome no meio [de ti], e uma terça parte cairá pela espada ao redor, e uma terça parte dispersarei a todo vento, e esvaziarei a espada após eles. [...]” (5:1, 2, 14, 17);
aí se trata da vastação que pertence ao vero natural, que é assim descrita. No mesmo:
“A espada por fogo, e a fome e a peste por dentro; quem [estiver] no campo morrerá pela espada, e quem na cidade, a fome e a peste o devorará” (Ez. 7:15).
[11] No mesmo:
“Dize ao húmus de Israel: Assim disse JEHOVAH: Eis Eu contra ti, e tirarei a Minha espada da sua bainha, e farei cortar de ti o justo e o ímprobo; porque farei cortar de ti o justo e o ímprobo; por isso, sairá a Minha espada da sua bainha, [contra toda carne, desde o sul até o norte; e conhecerão, toda a carne, que Eu [sou] Jehovah, tirei Minha espada da sua bainha], não voltará mais. [...] Foi a palavra de JEHOVAH para mim, dizendo: Filho do homem, profetiza e dize: Assim disse JEHOVAH. Dize: A espada, a espada aguçada e até tesa, para matar matando foi aguçada, para que esteja nela o relâmpago foi tesa. [...] Filho do homem, profetiza e dize: Assim disse o SENHOR JEHOVIH aos filhos de Ammon e para o opróbrio deles, e dize: A espada, a espada descoberta para a matança, e tesa para consumir por causa do relâmpago, enquanto se vê para ti a vaidade, enquanto se adivinha para ti a mentira” (Ez. 21:3–5, 8–10, 28, 29);
aí, pela ‘espada’ não é significada outra coisa senão a vastação, como se vê por cada palavra no sentido interno.
[12] No mesmo:
“O rei de Babel destruirá as tuas torres pelas suas espadas, por causa da multidão dos cavalos te cobrirá o pó deles, por causa da voz do cavaleiro e da roda, e do carro, serão abaladas as tuas muralhas, com os cascos dos seus cavalos pisará todas as tuas praças” (Ez. 26:9, 10, 11).
O que Babel significa, foi visto (n. 1320); e que devaste, n. 1327. Em Davi:
“Se não se tiver convertido, Deus afiará a Sua espada, entesará o Seu arco, e prepará-lo-á” (Sl. 7:13).
Em Jeremias:
“Disse: Ahah, Senhor! verdadeiramente enganando enganaste a este povo e a Jerusalém, dizendo: Paz haverá para vós, e alcança a espada até a alma” (4:10).
[13] No mesmo:
“Anunciai no Egito, e ouvir fazei em Migdal; para e prepara-te, porquanto devorará a espada os teus circuitos” (Jr. 46:14).
No mesmo:
“A espada [virá] sobre os caldeus e sobre os habitantes de Babel, e sobre os prefeitos deles e sobre os sábios deles; a espada sobre os mentirosos, e serão insensatos; a espada sobre os fortes deles, e se consternarão; a espada sobre os cavalos deles, e sobre o seu carro, e sobre toda a promiscua multidão que [está] no meio dela, e serão como mulheres; a espada sobre os seus tesouros, e serão saqueados; a sequidão sobre as suas águas, e secarão” (Jr. 50:35, 36, 37, 38).
A ‘espada’ está evidentemente no lugar da vastação do vero; porque se diz “a espada sobre os sábios, os mentirosos, os fortes, os cavalos” e “o carro sobre os tesouros”, e “a sequidão sobre as águas e elas secarão”.
[14] No mesmo:
“Ao Egito demos a mão, a Asshur para se saciar de pão; escravos dominaram sobre nós, ninguém livrando[-nos] da mão deles, em [perigo] da nossa alma levávamos o nosso pão, diante da espada do deserto” (Lm. 5:[6, 8,] 9).
Em Oseias:
“Não voltará à terra do Egito, e Asshur, ele [será] seu rei, porque recusaram voltar a Mim, e suspensa [está] a espada nas suas cidades, e consumirá as suas trancas, e devorará por causa dos conselhos deles” (11:5, 6).
Em Amós:
“Enviei contra vós peste no caminho do Egito, matei pela espada os vossos jovens com o cativeiro dos vossos cavalos” (4:10);
no ‘caminho do Egito’ são os conhecimentos que devastam quando a partir deles se raciocina sobre as coisas Divinas, o ‘cativeiro dos cavalos’ é o intelectual inteiramente privado da sua qualidade.
[15] III. Que a espada, no sentido oposto, signifique o falso que combate, pode-se ver em Davi:
“Minha alma [está] no meio dos leões, deito [entre] os inflamados filhos do homem; os dentes deles [são] uma lança e dardos, e a língua deles uma espada afiada” (Sl. 57:5 [Em JFA 57:4]).
No mesmo:
“Eis, arrotam pela sua boca; as espadas [estão] nos lábios deles, porque, quem [nos] ouve?” (Sl. 59:8 [Em JFA, 59:7]).
Em Isaías:
“Tu foste lançado do teu sepulcro, como um tronco abominável, uma vestimenta de mortos perfurados pela espada, dos que descem para as pedras da cova ou como um cadáver calcado [aos pés]” (14:19);
onde se trata de Lúcifer. Em Jeremias:
“Em vão feri os vossos filhos, disciplina não receberam, devorou a vossa espada os vossos profetas, tanto quanto um leão devastador, ó geração, vós vedes a palavra de JEHOVAH: Será que fui um deserto para Israel?” (2:30, 31).
[16] No mesmo:
“Não saias ao campo e no caminho não andes, porque [ali está] a espada do inimigo, o pavor [está] ao redor” (Jr. 6:25, 26).
No mesmo:
“Toma o copo do vinho do furor, e dá de beber a todas as nações, para as quais Eu te mando, e beberão, e serão abaladas, e ficarão insensatas diante da espada que Eu mandarei entre vós. Bebei e embriagai-vos, e vomitai e caí, e não vos reergais diante da espada” (Jr. 25:[15,] 16, 27).
No mesmo:
“Subi, ó cavalos, enlouquecei, ó carros; saiam os fortes, Cush e Put tomem o escudo, e os ludim que tomam entesando o arco, e esse dia [é] do SENHOR JEHOVIH dos exércitos, dia de vinganças, e devorará a espada, e se saciará, e se embriagará no sangue deles” (Jr. 46:9, 10).
[17] Em Ezequiel:
“Despojar-te-ão das tuas vestimentas, e tomarão as joias da tua glória, e deixar-te-ão nua e descoberta, e farão subir sobre ti a assembleia, e te apedrejarão com pedra, perfurar-te-ão com as suas espadas” (16:39, 40);
onde se trata das abominações de Jerusalém. Em Zacarias:
“Ai do pastor de vaidade, que abandona o rebanho, a espada sobre o braço dele [cairá], e sobre o olho direito, o braço dele secando secará, e o olho direito dele escurecendo escurecerá” (11:17).
Em Oseias:
“Contra mim cogitaram o mal; cairão pela espada os príncipes deles, por causa da ira da língua deles, essa a derrisão deles na terra do Egito” [7:15, 16] .
[18] Em Lucas:
“Haverá uma angústia grande sobre a terra, e uma ira sobre esse povo, pois cairão pela boca da espada163, e serão cativos entre todas as nações, enfim Jerusalém será calcada pelas nações” (21:23, 24);
onde o Senhor fala da consumação do século; no sentido da letra, acerca dos judeus, que seriam dispersos, e de Jerusalém, que seria destruída; mas, no sentido interno, trata do último estado da igreja. Por ‘cair sob a boca da espada’ é significado que não haverá mais vero, mas meramente o falso; por ‘todas as nações’ são significados os males de todo gênero, entre os quais eles estarão cativos; que as nações são os males (veja-se n. 1259, 1260, 1849, 1868); que Jerusalém seja a igreja (n. 2117), que deve ser assim calcada [aos pés].
[19] IV. Que a espada signifique também a punição do falso, é o que se vê em Isaías:
“Naquele dia JEHOVAH visitará com a sua espada dura, e grande, e forte, sobre o leviatã, a serpente alongada, e sobre o leviatã, a serpente tortuosa, e matará as baleias que [estão] no mar” (27:1);
onde se trata dos que entram nos mistérios da fé por meio dos raciocínios das coisas dos sentidos e das coisas que pertencem ao conhecimento; a ‘espada dura, grande e forte’ significa as punições do falso que daí resultam.
[20] Onde se lê que eles foram devorados e passados ‘a fio de espada’, as vezes desde o varão até a mulher, desde o menino até o velho, até o boi, ao gado miúdo, e ao jumento, no sentido interno isso significa a pena da danação do falso, como em Js. 6:21; 8:24, 25; 10:28, 30, 37, 39; 11:10, 11, 12, 14; 13:22; 19:47; Jz. 1:8, 25; 4:15, 16; 18:27; 20:37; 1Sm. 15:8, 11; 2Rs. 10:25; e em outras passagens. Daí vem que foi ordenado “que a cidade que adorasse outros deuses seria ‘ferida pela espada’, seria ‘devorada e queimada pelo fogo’, e seria ‘um montão [de ruínas] eternamente” (Dt. 13:13, 19 [Em JFA, 13:12, 18]); a ‘espada’ está no lugar da pena do falso, e o ‘fogo’, da pena do mal. Que o Anjo de JEHOVAH esteve com ‘a espada desembainhada’ no caminho em frente a Balaão (Nm. 22:22, 31), significava o vero que se opunha ao falso em que estava Balaão, razão por que também foi morto pela espada (Nm. 31:8).
[21] Que a ‘espada’ signifique, no sentido genuíno, o vero que combate, e no sentido oposto, o falso que combate, então a vastação do vero e a punição do falso, isso tira a sua origem dos representativos na outra vida. De fato, lá, quando alguém pronuncia o que ele sabe ser falso, logo caem-lhe sobre a cabeça como espadas curtas que o enchem de medo; e, além disso, o vero que combate é representado por coisas que são pontudas, o equivalente a uma espada [ensium]; porque o vero sem o bem é tal; mas com o bem ele é arredondado e sem aspereza. Por ser tal a origem, daí vem que todas as vezes que a faca ou a lança, ou a espada curta ou a espada, são mencionadas na Palavra, o vero que combate se apresenta aos anjos.
[22] Contudo, se a faca é raríssimas vezes mencionada na Palavra, é porque, há na outra vida, maus espíritos, que são denominados portadores de facas , aos quais ao lado aparecem facas suspensas, e isso porque eles são de uma natureza tão feroz que eles querem, com a sua faca, degolar todos os outros. Daí vem que quase não se faz menção da faca, mas se fala da espada curta e da espada, porquanto essas armas, sendo usadas nos combates, fazem lembrar a ideia da guerra e, por conseguinte, do vero que combate.
[23] Como os antigos sabiam que a espada curta, a lançazinha e a faca significavam o vero, por isso os gentios, aos quais isso chegara por tradição, tinham por costume, ao fazerem os seus sacrifícios, de se picarem e de se dilacerarem até o sangue com espadas curtas, pequenas lanças e facas, assim como se vê a respeito dos sacerdotes de Baal:
“Os sacerdotes de Baal clamavam com voz grande, e faziam sobre si incisões, segundo o seu costume, com espadas e lançazinhas, até derramarem o sangue” (1Rs. 18:28).
Que todas as armas de guerra, na Palavra, signifiquem as coisas que pertencem ao combate espiritual, e cada uma em particular, alguma coisa específica, é o que se viu (n. 2686).