Texto
. ‘Abrahão estendeu a sua mão’; significa a tentação até o último [grau] de poder, é o que se vê pela série das coisas. De fato, trata-se das gravíssimas e íntimas tentações do Senhor. Nos versículos que precedem tratou-se da preparação do Humano Divino para admiti-las e suportá-las; aqui se trata do ato que é expresso no sentido da letra, em que se diz que ‘Abrahão estendeu sua mão’. Que pela ‘mão’ seja significado o poder, foi visto (n. 878); aqui, é o último grau de poder, porque nada faltou a não ser o ato. De acordo com o sentindo interno, é significado que o Divino do Senhor induziu o Seu Humano nas mais graves tentações; com efeito, por Abrahão se entende o Senhor quanto ao Divino, e isso até o último grau de poder. Isto se tem assim: é que o Senhor admitiu em Si as tentações para expulsar tudo que era meramente humano, e isso até que não ficasse nada senão o Divino. Que o Senhor tenha admitido em Si as tentações, até mesmo a última, que foi a cruz, é o que é evidente pelas palavras do Senhor mesmo, em Mateus:
“Começou Jesus a declarar aos discípulos, que convinha que Ele muito sofresse e fosse morto. Então, Pedro O tomando para [perto de] si, começou a exprobrá-Lo, dizendo: Tenha dó de Ti, Senhor, para que não suceda a Ti isto. Ele, porém, voltando-Se, disse a Pedro: Arreda-te para trás de Mim, satanás, és um escândalo para Mim, porque não sabes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens” (16:21, 22, 23);
e ainda mais manifestamente em João:
“Ninguém tira de Mim a alma, mas Eu [a] deponho de Mim mesmo; poder Eu tenho de depô-la, e poder tenho para de novo tomá-la” (10:18);
e em Lucas:
“Não era necessário que o Cristo sofresse essas coisas e entrasse na Sua glória?” (24:26).