. ‘Para imolar o seu filho’; que signifique: até que estivesse morto tudo que havia de meramente humano, pode-se ver pelo sentido interno dessas palavras, porquanto elas significam as mais graves e íntimas tentações do Senhor, das quais a última foi a da cruz, na qual é evidente que o que era meramente humano então morreu. Isso não pode ser representado pelo filho de Abrahão, ou Isaque, porque sacrificar os filhos era uma abominação; contudo, tanto quanto isso foi possível, foi representado, a saber, até o esforço, mas não até o ato. Daí se pode ver que estas palavras, “Abrahão tomou a faca para imolar o seu filho”, significam ‘até que todo o meramente humano estivesse morto’. [2] Que o Senhor deveria vir ao mundo e que sofreria a morte, teve-se conhecimento desde os tempos antiquíssimos, é o que se pode claramente saber pelo fato de que, entre os gentios, tenha tido força o costume de sacrificar seus filhos, crendo assim fazer expiação para si próprios e fazer Deus propício [a eles]. Eles não teriam posto nesse costume abominável seu religiosíssimo dogma, se não tivessem sabido dos antigos que o Filho de Deus deveria vir, o qual, como eles acreditavam, tornar-se-ia sacrifício. Os filhos de Jacó também tinham tido inclinação para essa abominação e também Abrahão, porquanto ninguém é tentado senão para aquilo a que se inclina. Que os filhos de Jacó [tenham tido essa propensão], é o que se vê nos Profetas; mas para que eles não se precipitassem nessa abominação, foi permitida a instituição dos holocaustos e dos sacrifícios (ver n. 922, 1128, 1241, 1343, 2180).