. ‘Por seus chifres’; que signifique por todo poder quanto aos veros da fé, isso se vê pela significação dos ‘chifres’. Mencionam-se muitas vezes os chifres [ou cornos] na Palavra, e nela eles significam o poder do vero que provém do bem, e, no sentido oposto, o poder dos falsos que provêm do mal. Aqui, neste versículo, eles significam que os [homens] espirituais, que são significados pelo ‘carneiro’, estejam entrelaçados no que pertence ao conhecimento natural com todo poder quanto ao vero, e que, por isso, foram privados do poder de perceber os veros. Com efeito, quanto mais alguém consulta os conhecimentos naturais e se apega a eles por afeto [animo] e de mente quanto às coisas que são veros da fé, tanto mais perde a luz do vero, e até mesmo a vida do vero quando perdeu a sua luz. Qualquer um pode saber isto por experiência se dirigir sua atenção e sua reflexão sobre aqueles que dizem que não podem crer em coisa alguma salvo se, pelas coisas do sentido ou pelas coisas do conhecimento compreenderem que a coisa é assim. Se se examinar quais são esses indivíduos, descobre-se que eles em nada creem, e que, além disso, nada lhes parece mais sábio do que atribuir todas e cada uma das coisas à natureza. Há também muitos que dizem que creem embora não compreendam, 167e, todavia, ainda secretamente, em si próprios, eles raciocinam, como os outros, a partir das coisas dos sentidos e dos conhecimentos a respeito dos veros da fé para decidirem se a coisa é assim; estes ou têm uma sorte de persuasivo insuflado do amor de si do mundo, ou não creem em absolutamente coisa alguma. Pela sua vida se vê o que eles são, aqueles e estes e outros estão de fato na igreja espiritual do Senhor, mas não pela igreja; os que são pela igreja estão na vida do bem e têm a fé nos veros. Os [homens] espirituais então têm a fé em veros diferentes dos que eles gravaram em si desde a infância e que depois confirmaram em si pela doutrina ou por outros meios. Tal é o estado dos [homens] espirituais, estado que é aqui descrito pelo ‘carneiro preso em um emaranhado por seus chifres’ (ver acima, n. 2831). [2] Que o ‘chifre’ signifique o poder do vero que provém do bem, é o que se vê por estas passagens: Em Davi: “És Tu o esplendor da força deles, e no Teu agrado exaltarás o nosso chifre, porque JEHOVAH [é] o nosso escudo, e o Santo de Israel, nosso Rei; a minha verdade e a minha misericórdia [estarão] com Ele, e no meu nome será exaltado o chifre d’Ele, e porei no mar a mão d’Ele, e nos rios a direita d’Ele” (Sl. 89:18, 19, 25, 26 [Em JFA, 89:17, 18, 24, 25]); onde o ‘nosso chifre’ e o ‘chifre d’Ele’ significam evidentemente o poder do vero; trata-se aí do Reino espiritual do Senhor; ‘o Santo de Israel [é] o nosso Rei’ significa que do Senhor é o Divino Vero; que o ‘rei’ seja o vero e a ‘realeza do Senhor’ seja o Divino Vero, foi visto (n. 1672, 1728, 2015, 2069); ‘pôr a mão no mar e a direita nos rios’ significa a força nos conhecimentos e nas cognições do vero. (Que ‘mão’ e ‘direita’ seja a força, n. 878; e que o ‘mar’ e os ‘rios’ sejam os conhecimentos e as cognições, n. 23, 2072). No mesmo: “Amarei a Ti, ó JEHOVAH, minha força. JEHOVAH é a minha rocha, e a minha fortaleza, o meu libertador, meu Deus, o meu rochedo em que confio, o escudo, o chifre da salvação” (Sl. 18:2, 3 [Em JFA, 18:1, 2]; 2Sm. 22:2, 3). O ‘chifre da salvação’ está no lugar do vero quanto ao poder; aí ‘força’, ‘rocha’, ‘fortaleza’, ‘Deus’, ‘rochedo’, ‘escudo’, são todos coisas significativas do poder do vero. [3] No mesmo: “Em Sião farei germinar um chifre a Davi, preparei uma lâmpada ao meu ungido; cobrirei os inimigos dele de vergonha” (Sl. 132:17, 18); onde se trata do Senhor, Que é ‘Davi’ (n. 1888); o ‘chifre’ designa o poder do vero, e a ‘lâmpada’, a luz do vero. Em Samuel: “Meu coração exultou em JEHOVAH, exaltou-se o meu chifre em JEHOVAH, dilatou-se a minha boca contra os meus inimigos, porque alegria tive na tua salvação. JEHOVAH dará força ao Seu Rei, e exaltará o chifre do Seu ungido” (1Sm. 2:1, 10); uma profecia de Ana; o chifre está pelo poder do vero. [4] Em Moisés: “O primogênito do seu boi [será] ornamento para ele, e os chifres do boi bravo [serão] os chifres dele, com eles os povos com o chifre ferirá juntamente, até os confins da terra” (Dt. 33:17); uma profecia de Israel sobre José, onde os ‘chifres do boi bravo’ designam o grande poder do vero, como se vê também no fato que ele ‘ferirá com eles os povos até os confins da terra’; é semelhante em Davi: “Exaltarás, como [o chifre] do boi bravo, o meu chifre” (Sl. 92:11 [Em JFA, 92:10]); no mesmo: “[Mas Tu] JEHOVAH, salva-me da goela do leão, e responde-me dos chifres do boi bravo” (Sl. 22:22 [Em JFA, 22:21]); os Veros Divinos, em virtude da altura, são chamados ‘chifres do boi bravo’; daí se dizer tantas vezes ‘exaltar o chifre’. Com efeito, a exaltação significa o poder proveniente do interior. (Que o interno seja expresso pelo alto, foi visto, n. 1735, 2148.) [5] Em Jeremias: “O Senhor cortou, na [Sua] incandescência, todo chifre de Israel; retirou para traz a direita dele de diante do inimigo” (Lm. 2:3); ‘cortar todo chifre de Israel’ é privar do vero, ao qual pertence o poder, o que é também ‘retirar a sua direita de diante do inimigo’. Em Ezequiel: “Nesse dia farei crescer um chifre para a casa de Israel, e a ti darei a abertura da boca no meio deles” (29:21); ‘fazer crescer um chifre para a casa de Israel’ é multiplicar os veros da igreja espiritual, que é Israel. A ‘abertura da boca’ é a confissão desses [veros]. [6] Em Habacuque: “Deus virá de Temã, e o Santo, da montanha de Paran; a honra d’Ele cobriu os céus, a terra está cheia de Seu louvor, e o esplendor será como a luz; os chifres, da mão d’Ele, [pertencerão] a Ele e ali [será] esconderijo da força d’Ele” (3:3, 4); onde se trata do Senhor; ‘os chifres, da Sua mão, [pertencerão] a Ele’ e ‘ali [será] o esconderijo da Sua força’ significam evidentemente o poder do vero; que a ‘montanha de Paran’ seja o Divino Espiritual ou Divino Vero do Humano do Senhor, foi visto (n. 2714); esse [vero] é também designado pelo ‘esplendor’ e pela ‘luz’. [7] O Divino Vero do Humano do Senhor é assim descrito em João: “Vi, e eis no meio do trono e dos quatro animais, um Cordeiro de pé como morto, tendo sete chifres, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra” (Ap. 5:6); os ‘sete chifres’ são os veros santos ou Divinos; que ‘sete’ sejam coisas as santas, foi visto (n. 715, 881); os ‘sete espíritos enviados a toda a terra’ são as santas atribuições desses mesmos veros. [8] Os chifres dos altares não significavam também outra coisa senão o vero ao qual pertence o poder; a este respeito assim se fala em Moisés: “Farás chifres sobre os quatro ângulos do altar, dele serão os seus chifres” (Êx. 27:2; 38:2); semelhantemente a respeito do ‘altar dos perfumes’, e “que os chifres seriam deles” (Êx. 30:2; 37:25). Que o altar era o principal representativo do Senhor e do culto d’Ele, viu-se (n. 921). O altar era o representativo de Seu Divino Bem, os chifres eram os representativos de Seu Divino Vero, que oriundo do bem houvesse o vero era isso representado por meio dos chifres que provinham dele, ou seja, do altar. Que não há outro vero senão o que procede do bem, viu-se (n. 654, 1162, 1176, 1608, 2063, 2261, 2429); daí é evidente que os chifres, no sentido genuíno, significam o poder do vero que procede do bem. [9] Que “Aharão e seus filhos, quando eram iniciados no ministério, tomavam do sangue de um novilho e o espalhavam com o dedo sobre os chifres do altar” (Êx. 29:12; Lv. 8:15); e que “Aharão devia fazer a expiação sobre oschifres do altar uma vez no ano” (Êx. 30:10); e que “o sacerdote, quando pecasse, oferecesse um novilho, e derramasse do sangue sobre oschifres do altar do holocausto” (Lv. 4:3, 7); então que o Príncipe, quando pecasse, oferecesse um holocausto, e aspergisse o sangue sobre os chifres do altar do holocausto” (4:22, 25); “igualmente se uma alma pecasse” (Ibid., vers. 27, 30, 34), bem como, “quando se fazia a expiração do altar” (Lv. 16:18, 19), [era porque os chifres do altar] significavam os veros que procedem do bem; com efeito, todas as santificações, inaugurações e expiações se faziam por meio dos veros, porque os veros introduzem para o bem (n. 2830). Que os chifres do altar tenham significado os veros que procedem do bem, pode–se também ver em João: “O sexto anjo tocou a trombeta; então ouvi uma voz oriunda dos quatro chifres do altar de ouro, que [está] diante de Deus” (Ap. 9:13); ‘os chifres do altar de ouro’ são evidentemente os veros que procedem do bem, porquanto a voz vinha de lá; que o ouro seja o bem (n. 113, 1551, 1552), com mais forte razão, o altar de ouro. [10] Em Amós: “No dia que visitar as prevaricações de Israel sobre ele, visitarei sobre os altares de Bethel, e serão cortados os chifres do altar, e cairão por terra” (3:14); havia ‘chifres do altar cortados’ porque o vero que procede do bem não seria mais ali representado; ‘Bethel’ é o Bem Divino, por isso ela é chamada o santuário do Rei, e a casa do Reino (Amós, 7:13). Que os reis eram ungidos com azeite do chifre (1Sm. 16:1, 13; 1Rs. 1:39), representava igualmente o vero que procede do bem; o ‘azeite’ era o bem (n. 886), mas o ‘chifre’, o vero; a própria realeza, no sentido interno, é tal vero (n. 1728, 2015), ao qual pertence o poder. [11] Que o chifre, no sentido oposto, significa o poder do falso que provém do mal, vê-se pelas passagens seguintes. Em Amós: “Ó [vós] que [vos] alegrais por nada, dizendo: E em nossa força não tomamos para nós os chifres?” (6:13); aí os ‘chifres’ são o poder do falso. Em Zacarias: “Levantei os meus olhos e vi, e eis quatro chifres, e disse ao anjo que me falava: Que é isto? E disse-me: Estes são os chifres que dispersaram Judá, Israel e Jerusalém; e trouxe-me JEHOVAH quatro ferreiros; e [eu] disse: O que estes estão vendo para fazer? E disse dizendo: Estes [são] os chifres que dispersaram Judá de tal modo que não há varão que levante a sua cabeça, e vieram estes para aterrorizar, para abater os chifres das nações que elevaram o chifre contra a terra de Judá para o dispersar” (2:1, 2, 3, 4 [Em JFA, 1:18–21]); os ‘chifres’ estão no lugar do poder dos falsos que devasta a igreja. Em Ezequiel: “Impelis com o lado e com o ombro, e [com] vossos chifres feris todas as [ovelhas] enfraquecidas, até que as disperseis fora” (34:21); aí se trata dos pastores que, pelos falsos, seduzem; os ‘chifres’ são o poder do falso, o ‘ombro’ é todo poder (n. 1085). Em Jeremias: “JEHOVAH destruiu e não poupou, e alegrou sobre ti o inimigo, exaltou o chifre dos teus inimigos” (Lm. 2:17). No mesmo: “Foi arrancado o chifre de Moab, e o braço dele foi quebrado” (48:25); aí o ‘chifre’ está pelo falso que é poderoso. [12] Em Davi: “Disse aos que se gloriavam: Não vos glorieis, e aos ímpios não levanteis o chifre; não levanteis ao alto o vosso chifre, não faleis com pescoço endurecido; todos os chifres dos ímpios cortarei, serão exaltados os chifres do justo” (Sl. 75:5, 6, 11 [Em JFA, 75:4, 5, 10]); os ‘chifres dos ímpios’ estão no lugar do poder do falso proveniente do mal, os ‘chifres do justo’ são o poder do vero proveniente do bem. [13] Em Daniel: “Foi vista uma quarta besta, terrível e formidável, robusta em extremo, que tinha dentes de ferro; devorou e esmagou, e o resto com os pés pisou; ela tinha dez chifres. Estava [eu] prestando atenção aos chifres, e eis que um outro pequeno chifre subiu entre eles, e três dos chifres anteriores foram arrancados de diante dele, e eis olhos como olhos de homem neste chifre, e uma boca falando grandes coisas. Estava vendo então, por causa da voz das palavras grandes que o chifre falava. Desejava uma certeza sobre a quarta besta, e sobre os dez chifres que [estavam] sobre a cabeça dela, e sobre o outro que subiu, e caíssem, diante dele, três, e sobre o mesmo chifre, que tinha olhos, e uma boca falando grandes coisas. Estava vendo que o mesmo chifre fazia a guerra contra os santos; [e prevalecia sobre eles; até que veio o Antigo dos dias e foi dado o juízo dos santos]. E disse[-me], que a quarta besta, será um quarto reino na terra, o qual será hostil por toda a terra, e devorará toda a terra, e calcá-la-á, e esmagá-la-á; quanto aos dez chifres, do mesmo reino dez reis surgirão, e um outro surgirá depois deles, que será hostil dos anteriores, e a três reis humilhará, proferirá palavras contra o Altíssimo, e aos santos esmagará, depois o juízo se efetuará” (7:7, 8, 11, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25). Trata-se aí, no sentido interno, do estado pervertido da igreja; as coisas ali que Daniel viu, como a ‘besta’, os ‘dentes de ferro’, o ‘chifre no qual havia olhos’, os ‘chifres que falavam e que faziam guerra contra os santos’ e as ‘palavras que eram proferidas contra o Altíssimo’ significam o estado do falso e das heresias dentro da igreja. Que os ‘chifres’ signifiquem o falso que tem poder e que prevalece, é o que se pode ver somente por isto, que lhe são atribuídos olhos, isto é, o intelectual (n. 2701), e que eles falaram até contra o Altíssimo; pelos reinos e pelos reis são significados não reinos nem reis, mas doutrinais do falso, como se vê pela significação deles na Palavra. Que sejam os doutrinais do vero e, no sentido oposto, os doutrinais do falso, foi visto (n. 1672, 2015, 2069, 2547). [14] Em outra passagem em Daniel: “Foi visto um carneiro que estava diante do rio, o qual tinha dois chifres, chifres, porém, altos; contudo, um mais alto do que o outro, mas o alto subia para traz. Vi o carneiro que feria com o chifre para o ocidente, e para o norte, e para o sul, de sorte que todas as feras não paravam diante dele, ninguém para livrar da mão dele, donde fez conforme lhe aprazia, e se fazia grande. Como estava atento, eis um bode das cabras veio desde o ocidente sobre as faces de toda a terra; esse bode tinha um chifre entre os dois olhos; [ele] veio para o carneiro senhor dos chifres, e correu para ele no furor da sua força, feriu-o, e quebrou os dois chifres dele; e não havia força no carneiro para ficar diante dele. Depois o bode das cabras se fez grande em extremo, mas quando ficou forte, quebrou-se o chifre grande, e subiram quatro chifres em lugar dele; logo depois, de um deles, saiu um único chifre exíguo, e cresceu muito para o sul, e para o nascente, e para o esplendor, e cresceu até o exército dos céus, e lançou por terra [uma parte] do exército, e das estrelas, e as pisou. O carneiro com os dois chifres são os reis da Média e da Pérsia, o bode, o rei da Grécia, os quatro chifres no lugar de um só são quatro reinos oriundos de uma nação” (8:1 até no fim); aí se trata, no sentido interno, do estado da igreja espiritual, que é o ‘carneiro’ (n. 2830), e se descreve como o estado dessa igreja declina e se perverte sucessivamente; o ‘bode das cabras’ são aqueles que estão na fé separada da caridade ou estão no vero separado do bem, os quais começam por se elevar contra o bem e, por fim, contra o Senhor; os ‘chifres do carneiro’ são os veros internos e externos da igreja espiritual; os ‘chifres do bode das cabras’ são os veros que degeneram sucessivamente em falsos; pelos ‘reinos’ e os ‘reis’ ali são significados não o reino e os reis, mas veros e falsos como acaba de ser dito. Com efeito, a Palavra do Senhor, em sua essência, não trata de coisas mundanas e terrestres, mas de coisas espirituais e celestes. [15] Em João: “Foi visto outro sinal no céu, eis um dragão grande ruivo, tendo sete cabeças e dez chifres, e sobre as cabeças sete diademas, a sua cauda arrastou a terça parte das estrelas do céu, e as lançou sobre a terra” (Ap. 12:3, 4); e em outro lugar: “Vi uma besta subindo do mar, a qual tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas; sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. Foi-lhe dado fazer guerra contra os santos e vencê-los. Em seguida, vi uma outra besta subindo da terra, a qual tinha dois chifres, semelhante a um cordeiro” (Ap. 13:1, 2, 7, 11); de novo no mesmo: “Vi uma mulher que sentava sobre uma besta de cor escarlate cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças, e dez chifres; era a grande Babilônia; as sete cabeças são as sete montanhas onde a mulher [se] assenta sobre elas, e são os sete reis; os dez chifres são dez reis” (Ap. 17:3, 5, 7, 9, 12, 13); que aqui, pelos ‘chifres’, do mesmo modo que em Daniel, sejam significados os poderes do falso, pode-se ver claramente.