. ‘E disse: Por Mim jurei, dito de JEHOVAH’; que signifique a confirmação irrevogável proveniente do Divino, a saber, a respeito das coisas que seguem, é evidente pela significação de se dizer ‘por Mim jurar’ e ‘dito de JEHOVAH’, todas expressões que envolvem a confirmação, e de fato a confirmação proveniente do Divino, isto é, d’Ele mesmo. O Divino não pode confirmar de outro lugar senão de Si mesmo, e o que pode confirmar e confirma é o irrevogável, porque é uma verdade eterna. Tudo que JEHOVAH, ou o Senhor, pronuncia é uma verdade eterna (Mt. 24:35), porquanto isso vem do Ser mesmo do vero. Contudo, que Ele confirme, por assim dizer, por um juramento, como aqui e em outras passagens da Palavra, não é pelo fato de que seja mais verdadeiro, mas por isso, porque ela é dirigida a tais [homens] que não recebem o Vero Divino a não ser assim confirmado, pois eles não têm outra ideia acerca de JEHOVAH, ou do Senhor, senão a que se têm de um homem que pode dizer e mudar, como se lê várias vezes na Palavra, mas no sentido interno se tem isto de modo diferente. Que JEHOVAH, ou o Senhor, nunca confirme coisa alguma por juramento, é o que qualquer um pode saber, mas quando o Divino Vero mesmo e a sua confirmação caem em tais homens são vertidos em semelhante juramento; tem-se isto do mesmo modo que o fogo devorando e a fumaça, o que apareceu sobre o monte de Sinai perante os olhos do povo quando JEHOVAH, ou o Senhor, desceu (Êx. 19:18; Dt. 4:11, 12; 5:19–21 [Em JFA, 5:22–24]), a Sua glória no céu, ainda mais, a misericórdia mesma, assim apareceu ali diante do povo, que estava no mal e falso (ver n. 1861). O mesmo acontece a muitas coisas de que se fala na Palavra, que se dizem terem sido ditas e feitas por JEHOVAH. Daí se pode ver que ‘em Mim jurou, dito de JEHOVAH’ é o significativo de uma confirmação irrevogável proveniente do Divino. [2] Que ‘jurar’, onde [isso] se diz de JEHOVAH, signifique confirmar no homem que é tal, é o que se pode ver por muitas outras passagens na Palavra, como em Davi: “JEHOVAH se recorda eternamente da Sua aliança, da palavra [que] ensinou a mil gerações, do que tratou com Abrahão e do Seu juramento com Isaque” (Sl. 105:8, 9). Tem-se com ‘aliança’ o que ocorre com ‘juramento’, JEHOVAH, ou o Senhor, não contrai aliança com o homem, mas quando se trata da confirmação por meio do amor e caridade, isso se manifesta também em ato como uma aliança (ver n. 1864). No mesmo: “JEHOVAH jurou, e não Se arrependerá, tu [és] sacerdote pela eternidade segundo a Minha palavra, Melquisedeque” (Sl. 110:4); onde se trata do Senhor; ‘JEHOVAH jurou’ está pela confirmação irrevogável proveniente do Divino, isto é, que a verdade é eterna [3] No mesmo: “Tratei aliança com o Meu Eleito, jurei a Davi, Meu servo; até a eternidade firmarei a Tua semente, e edificarei de geração em geração o teu trono” (Sl. 89:4, 5 [Em JFA, 89:3, 4]); onde também se trata do Senhor; ‘tratar aliança com o Eleito’ e ‘jurar a Davi’ é a confirmação irrevogável ou a verdade eterna; Davi está no lugar do Senhor (n. 1888). ‘Tratar aliança’ diz respeito ao Divino Bem, ‘jurar’, ao Divino Vero. No mesmo: “Não profanarei a Minha aliança, e o enunciado dos Meus lábios não mudarei, uma vez que jurei pela Minha santidade, se minto a Davi” (Sl. 89:35, 36 [Em JFA, 89:34, 35]); onde também Davi designa o Senhor; a ‘aliança’ aí também diz respeito ao Divino Bem, o ‘enunciado dos lábios’, ao Divino Vero, e isso por causa do casamento do bem e do vero, que está em cada coisa da Palavra, do que se tratou nos n. 683, 793, 801, 2516, 2712. [4] No mesmo: “JEHOVAH jurou a Davi uma verdade da qual não se afastará; do fruto do teu ventre porei em teu trono, se teus filhos tiverem guardado a minha aliança e o meu testemunho, que os ensino” (Sl. 132:11, 12); ‘JEHOVAH jurou a Davi uma verdade’ designa evidentemente a confirmação da verdade eterna, razão por que se diz ‘da qual não se afastará’. Que por Davi se entenda o Senhor é o que já foi dito; o juramento, entretanto, era feito a Davi, porque [Davi] era tal que creu que essa confirmação lhe dizia respeito, bem como à sua posteridade, e, em consequência, ele creu que se tratava dele, a saber, como se disse acima, que a sua semente seria firmada pela eternidade, e que o seu trono subsistiria de geração em geração, quando, todavia, isso era dito a respeito do Senhor. [5] Em Isaías: “Isto [será] para Mim [como] as águas de Noé, que jurei não passarem as águas de Noé mais sobre a terra, assim jurei não [Me] irritar contra ti” (54:9); onde ‘jurar’ é contrair uma aliança e confirmar por juramento. Que tenha sido uma aliança e não um juramento, vê-se (Gn. 9:11). No mesmo: “Jurou JEHOVAH, dizendo: Se não, como pensei, assim sucederá” (Is. 14:24). No mesmo. “Jurou JEHOVAH pela Sua direita, e pelo braço da Sua força” (Is. 62:8). Em Jeremias: “Ouvi a Palavra de JEHOVAH, todos [vós] de Judá habitantes na terra do Egito: Eis que Eu jurei pelo Meu grande nome, disse JEHOVAH, Se o Meu nome não será mais invocado na boca de todo varão de Judá, dizendo: Vivo [é] o SENHOR JEHOVIH em toda terra do Egito!” (44:26). No mesmo: “Em Mim jurei, dito de JEHOVAH, que na desolação estará Bozra” (Jr. 49:13); no mesmo: “Jurou JEHOVAH Zebaoth pela Sua alma: Se não te encher de homens como de gafanhotos!” (Jr. 51:14). Em Amós: “Jurou o SENHOR JEHOVAH pela Sua santidade, que eis os dias que vem” (4:2). No mesmo: “Jurou JEHOVAH pela excelência de Jacó: Se for esquecida na eternidade todas as ações deles” (Am. 8:7). [6] Nessas passagens, que JEHOVAH tenha jurado por Sua direita, pelo Seu grande nome, por Ele mesmo, por Sua alma, por Sua santidade, pela excelência de Jacó, significam a confirmação que está em JEHOVAH, ou o Senhor. A confirmação por JEHOVAH não se dá senão d’Ele mesmo. A ‘direita de JEHOVAH’, o ‘grande nome de JEHOVAH’, a ‘Alma de JEHOVAH’, a ‘Santidade de JEHOVAH’, a ‘excelência de Jacó’, significam o Divino Humano do Senhor. É por esse Divino que houve confirmação. [7] Que JEHOVAH, ou o Senhor, tenha jurado dar a terra a Abrahão, a Isaque e a Jacó ou aos seus descendentes, isso significa, no sentido interno, a confirmação que [Ele] dará o reino celeste aos que estão no amor e na fé n’Ele; são eles que, no sentido interno da Palavra, se entendem pelos filhos e descendentes de Abrahão, Isaque e Jacó, ou dos pais, e isso foi também representado em ato pelo fato de que a terra de Canaã foi dada aos seus descendentes, e pelo fato de que o Reino celeste do Senhor representasse a igreja que estava então entre eles, como também pela própria terra. Que a terra e a terra de Canaã, no sentido interno, seja o Reino do Senhor, foi visto (n. 1413, 1437, 1607); daí vem que se diga em Moisés: “A fim de que prolongues os dias sobre o húmus que JEHOVAH jurou aos vossos pais, para dar-lhes e à semente deles a terra manando leite e mel; a fim de que sejam multiplicados os vossos dias e os dias dos vossos filhos sobre o húmus em que jurou JEHOVAH aos vossos pais para dar a eles segundo os dias dos céus sobre a terra” (Dt. 11:9, 21); por essas passagens, pode-se ver agora que ‘JEHOVAH jurar’ tinha sido o representativo da confirmação, e até mesmo de uma confirmação irrevogável; vê-se ainda mais claramente em Isaías: “Por Mim jurei, saiu da Minha boca a palavra da justiça e não será revogada, que a Mim curvar-se-á todo joelho, jurará toda língua” (45:23). [8] Além disso, se comentara aos que eram da igreja representativa judaica, quando confirmassem por juramento alianças, igualmente votos, bem como promessas e comparecimento em justiça, que se jurasse pelo nome de JEHOVAH; que esses lhes foram impostos, ainda que fosse apenas permitindo, era para que assim a confirmação do homem interno fosse também representada, de sorte que os juramentos feitos então em nome de JEHOVAH fossem como os outros, a saber, representativos; que isso lhes fora imposto, isto é, permitido, vê-se em Moisés; “Temerás a JEHOVAH teu Deus, e a Ele servirás, e em nome d’Ele jurareis, não ides após outros deuses” (Dt. 6:13, 14); em outro lugar, no mesmo: “A JEHOVAH teu Deus temerás, a Ele servirás e a Ele aderirás, e no nome d’Ele jurarás” (Dt. 10:20). Em Isaías: “Quem abençoa a si na terra, abençoará no Deus da verdade, e quem jura na terra jurará pelo Deus da verdade” (65:16). Em Jeremias: “Se voltares, Israel, dito de JEHOVAH, a Mim voltes, e se afastares as abominações das Minhas faces, não vaciles, e jure, viva JEHOVAH; na verdade, no juízo e na justiça” (4:1, 2). No mesmo: “Se aprendendo aprendem os caminhos do meu povo, para jurarem em meu nome, e serão estabelecidos no meio do meu povo” (Jr. 12:16). Que tenham também jurado pelo nome de JEHOVAH ou juraram a JEHOVAH, em Isaías: “Ouvi isto, ó casa de Jacó, os que são chamados pelo nome de Israel, e das águas de Judá saíram, os que juram pelo nome de JEHOVAH, e ao Deus de Israel relembram, não na verdade, e não na justiça” (48:1, 2). No mesmo: “Nesse dia haverá cinco cidades, na terra do Egito, falando pelos lábios de Canaã e jurando a JEHOVAH Zebaoth” (19:18). Em Josué: “Juraram os príncipes da congregação por JEHOVAH Deus de Israel” (9:18, 19). [9] Daí é evidente que se lhes permitiu jurar pelo nome de JEHOVAH, ou por JEHOVAH; mas que isso não tenha sido outra coisa senão um representativo da confirmação do homem interno, é o que se vê. Ora, sabe-se que os homens internos, isto é, os que têm consciência, não têm necessidade de confirmar coisa alguma por juramento, e que também eles não se confirmam, tendo vergonha dos juramentos. De fato, eles podem dizer com alguma asseveração que tal coisa é assim, bem como confirmar uma verdade por meio de razões, mas quanto a jurar que ela é assim, eles não o podem, eles têm um vínculo interno ao qual estão ligados, a saber, o da consciência, agregar-lhe a mais um vínculo externo, que é o juramento, é como se dessem a pensar que não são de um coração reto. O homem interno também é tal que ama falar e agir a partir do livre, mas não do constrangimento; com efeito, neles é o interno que constrange o externo, mas não vice-versa; razão por que aqueles que têm a consciência não juram, menos ainda os que têm a percepção do bem e do vero, isto é, os homens celestes; estes nem sequer confirmam por meio de razões consigo nem entre si, mas dizem somente que assim seja ou que não seja assim (n. 202, 337, 2718); por essa razão estão ainda mais afastados do juramento. [10] Daí vem — porque os juramentos estavam entre os representativos que deviam ser abolidos — que o Senhor ensine, com estas palavras em Mateus, que não se deve absolutamente jurar: “Ouvistes o que foi dito: Não perjurarás, mas cumprirás ao Senhor teus juramentos. Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo nenhum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus, nem pela terra, porque é o escabelo dos pés d’Ele, e nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; e nem jureis por tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Será, porém, o vosso discurso, sim, sim, não, não, o que há além destes é proveniente do mal” (5:33-37); por estas palavras, entende-se que se não deve absolutamente jurar por JEHOVAH, nem por coisa alguma que pertença a JEHOVAH, ou ao Senhor.