. ‘Peregrino e habitante eu [sou] convosco’; que signifique o primeiro estado deles, que ainda que o Senhor lhes fosse desconhecido, podia, contudo, estar entre eles, é o que se vê pela representação de ‘Abrahão’, que é o Senhor, como já se disse muitas vezes; e pela significação de ‘ser peregrino com eles’ e ‘ser habitante com eles’, que é ser desconhecido e, contudo, estar entre eles. Que seja este o sentido interno, é o que se vê claramente pelo que precede e pelo que segue. Com efeito, trata-se de uma nova igreja e, neste versículo, de seu primeiro estado, que é tal que no primeiro de todos o Senhor lhes é desconhecido; contudo, como eles vivem no bem da caridade não só quanto à vida civil (no justo e no equitativo), mas também quanto à vida moral (no honesto e no decente), eles são tais que o Senhor pode estar com eles. Com efeito, a presença do Senhor no homem está no bem e, por conseguinte, no justo e no equitativo, e ainda mais no honesto e no decente (o honesto é o conjunto de todas as virtudes morais, e o decente é somente a forma do honesto), pois são esses os bens que se seguem em ordem e que são no homem planos nos quais pelo Senhor é fundada a consciência e, consequentemente, a inteligência e a sabedoria. Na realidade, entre os que não estão nesses bens, a saber, de coração ou pela afeição, neles nenhuma coisa do céu pode ser semeada; não há neles plano algum, nem há húmus, por conseguinte, não há recipiente; e porque coisa alguma que pertence ao céu pode ser semeada, o Senhor não pode estar ali presente. A presença do Senhor é atribuída segundo o bem, isto é, segundo a qualidade do bem, a qualidade do bem segundo o estado da inocência, amor e caridade, no qual os veros da fé foram implantados ou podem ser implantados.