Texto
. Que ‘dai-me posse de sepulcro convosco’ signifique que eles podiam ser regenerados, é o que se pode ver pela significação do ‘sepulcro’; o sepulcro, no sentido interno da Palavra, significa a vida ou o céu, e, no sentido oposto, a morte ou o inferno; que [signifique] a vida ou o céu, é porque os anjos, que estão no sentido interno da Palavra, não têm ideia alguma do sepulcro, porque eles não têm nenhuma da morte; por isso, em vez do sepulcro eles somente percebem a continuação da vida, por conseguinte, a ressurreição. Com efeito, o homem ressuscita quanto ao espírito e é sepultado quanto ao corpo (n. 1854); e porque o sepulcro significa a ressurreição, ele significa também a regeneração, pois a regeneração é a primeira ressurreição do homem. De fato, ele então morre quanto ao velho homem [isto é, quanto a seus amores e cobiças,] e ressuscita quanto [aos amores e afeições] do novo [mesmo dele]; por meio da regeneração o homem se torna, de morto, vivo; daí vem a significação do sepulcro no sentido interno. Quando se apresenta a ideia de sepulcro, que sobrevenha aos anjos a ideia da regeneração, é também o que se vê claramente pelo que foi referido a respeito das crianças (n. 2299).
[2] Que o ‘sepulcro’, no sentido oposto, signifique a morte ou o inferno, vem isso de que os maus ressuscitam não para a vida; por isso quando se trata dos maus e que se fala de sepulcro, aos anjos não vem outra ideia senão a do inferno; é por isso que, na Palavra, o inferno é também chamado sepulcro.
[3] Que o sepulcro signifique a ressurreição e também a regeneração, vê-se em Ezequiel:
“Por isso profetiza e dize-lhes: Assim disse o Senhor JEHOVIH: Eis, Eu abrirei os vossos sepulcros e far-vos-ei sair dos vossos sepulcros, ó povo Meu, e levar-vos-ei para o húmus de Israel, e conhecereis que Eu [sou] JEHOVAH quando forem abertos por Mim os vossos sepulcros, e [vos] farei subir dos vossos sepulcros, ó povo Meu, e porei o Meu espírito em vós, para que vivais, e colocar-vos-ei sobre o vosso húmus” (37:12, 13, 14);
onde o Profeta trata dos ossos vivificados, e, no sentido interno, trata-se da regeneração. Que se trata da regeneração, é o que se vê claramente, porquanto se diz: “quando tiver posto o Meu espírito em vós para que vivais, e colocar-vos-ei sobre o vosso húmus”; aqui os ‘sepulcros’ significam o homem anterior e os males e falsos dele; ‘abri-los e subir deles’ é ser regenerado; assim perece e fica excluída a ideia de sepulcro quando se apresenta a ideia da regeneração ou da nova vida.
[4] Que “os sepulcros foram abertos, e muitos corpos dos santos, que dormiam, ressuscitaram, e tendo saído dos seus sepulcros, depois da Ressurreição do Senhor, e entraram na santa cidade e apareceram a muitos” (Mt. 27:52, 53) envolva semelhante significação, a saber, a ressurreição proveniente da ressurreição do Senhor e, no sentido interior, uma ressurreição qualquer. Que o Senhor ressuscitou Lázaro dos mortos (João, 11:1 e seg.), também envolve a ressuscitação de uma nova igreja entre as nações, por isso que todos os milagres que foram feitos pelo Senhor, sendo Divinos, envolviam estados de Sua igreja. Sucedeu o mesmo com o homem que, tendo sido lançado no sepulcro de Eliseu, voltou à vida quando ele tocou os seus ossos (2Rs. 13:20, 21), com efeito, por Eliseu era representado o Senhor.
[5] Como o sepultamento significava a ressurreição em geral e uma ressurreição qualquer, os antigos se ocupavam com o maior cuidado de seus sepultamentos e dos lugares em que eles seriam sepultados; assim Abrahão se ocupou de ser sepultado em Hebron na terra de Canaã; deu-se o mesmo depois com Isaque e Jacó que lá foram sepultados com a suas esposas (Gn. 47:29, 30; 49:30, 31, 32). José [pediu para] que os seus ossos fossem transportados do Egito para a terra de Canaã (Gn. 50:25; Êx. 13:19; Js. 24:32); Davi e os reis que lhe sucederam foram sepultados em Sião (1Rs. 2:10; 11:43; 14:17, 18; 15:8, 24; 22:51; 2Rs. 8:24; 12:22 [Em JFA, 12:21]; 14:20; 15:7, 38; 16:20); a causa era, porque a terra de Canaã e Sião representavam e significavam o Reino do Senhor, e o sepultamento, a ressurreição. Que, porém, o lugar nada faça para a ressurreição, qualquer um pode ver.
[6] Que o sepultamento signifique a ressurreição para a vida, também se faz evidente por outros representativos, por exemplo, que os ímpios não eram pranteados, nem sepultados, mas eram lançados fora (Jr. 8:2; 14:16; 16:4, 6; 20:6; 22:19; 25:33; 2Rs. 9:10; Ap. 11:9), e os ímpios que tinham sido enterrados eram postos fora de seus sepulcros (Jr. 8:1, 2; 2Rs. 23:16, 17, 18). Que, entretanto, no sentido oposto, o sepulcro signifique a morte ou o inferno, veja-se Is. 14:19, 20, 21; Ez. 32:21, 22, 23, 25, 27; Sl. 88:5, 6, 11, 12; Nm. 19:16, 18, 19.