. ‘Dê a mim a caverna de Macpelah’; que signifique o obscuro da fé, vê-se pela significação da ‘caverna’, que é o obscuro (n. 2463), e pela significação de ‘Macpelah’, que é a fé que está no obscuro. Que a caverna signifique o obscuro, vem isso de ser ela um lugar tenebroso; quando se diz a ‘caverna da montanha’ é o obscuro do bem, quando, porém, se diz ‘a caverna do campo de Macpelah’ é o obscuro do vero. Aqui, porque se diz ‘caverna de Macpelah’, e Macpelah era onde estava o campo em cuja extremidade havia a caverna, é o obscuro do vero, ou, o que é o mesmo, o obscuro da fé; daí se vê também que Macpelah seja a fé que está no obscuro. [2] Os que estão sendo regenerados e se tornam espirituais estão muitíssimo no obscuro quanto ao vero. De fato o bem influi do Senhor neles, mas com o vero não sucede assim; razão por que entre o Senhor e o bem no homem há paralelismo e correspondência, mas não há entre o Senhor e o vero (ver n. 1832); a causa principal é que eles não sabem o que é o bem, e, ainda que soubessem, todavia não creriam de coração, e enquanto o bem para eles está no obscuro, então tanto há também o vero, pois todo vero provém do bem; mas para ficar mais claro, que o Senhor seja o Bem mesmo, e que tudo que pertence ao amor a Ele e à caridade para com o próximo seja o bem, e tudo que afirma e confirma isto seja o vero, eles não sabem senão muito obscuramente; e mais, eles até favorecem ideias duvidosas, e admitem raciocínios contra esses veros; e enquanto se acham em tal estado, a luz do vero procedente do Senhor não pode influir. Ainda mais, eles pensam a respeito do Senhor como a respeito de qualquer outro homem, e não como a respeito de Deus. Eles pensam sobre o amor a Ele a partir de uma sorte de amor mundano; dificilmente sabem o que é a afeição genuína da caridade para com o próximo, quando, todavia, essas são coisas essenciais. Por esse modo se vê quanto os espirituais estão no obscuro, e ainda mais antes da regeneração; é desse estado que se trata aqui.