Texto
. ‘O campo te dou, e a caverna que [está] nele, dou-a a ti’; que signifique a preparação por si próprios quanto às coisas que pertencem à igreja e à fé, é o que se vê pela significação do ‘campo’, que é a igreja (n. 368, 2936); pela significação da ‘caverna que [está] nele’, a saber, no campo, porque ela é o obscuro da fé, de que se tratou acima (n. 2935); e pela significação de ‘dar o campo’ e ‘dar a caverna’, ou o que é o mesmo, de não receber a prata de Abrahão, o que é não querer ser redimido pelo Senhor, mas sim por si próprios, portanto, preparar-se por si próprio quanto a essas coisas. Tal é o primeiro estado de todos que são reformados e se tornam espirituais, a saber, eles creem que não é pelo Senhor, mas por si próprios que eles são reformados, isto é, que tudo que pertence à vontade do bem e ao pensamento do vero vem de si próprios. Eles são até deixados nesse estado pelo Senhor, porque não podem ser reformados de outro modo. Com efeito, se lhes fosse dito, antes de terem sido regenerados, que não podem fazer bem algum por si próprios nem podem pensar vero algum por si próprios, então eles cairiam neste erro que se deve esperar o influxo na vontade e o influxo no pensamento, e que se esses influxos não se fizessem sentir eles debalde fariam esforços; ou cairiam neste outro erro, que se o bem e o vero vêm de outra parte que não seja deles próprios, nada lhes seria imputado em justiça; ou ainda neste outro erro, que assim eles seriam como máquinas, não tendo autoridade sobre si ou não estando na posse de si próprios; ou, enfim em outros erros ainda. Por isso se dá a eles então pensar que o bem e o vero vêm deles mesmos.
[2] Mas depois que eles foram regenerados, então se lhes insinua gradualmente a cognição de que sucede coisa muito diversa, a saber, que todo bem e vero procede unicamente do Senhor; e depois, quando eles são mais aperfeiçoados, que tudo que não vem do Senhor é o mal e o falso. Dá-se aos regenerados, se não na vida do corpo pelo menos na outra vida, não só que conheçam isso, como também que o percebam, porque todos os anjos estão na percepção de que assim seja. (Veja-se o que se disse precedentemente sobre esse assunto, a saber, que todo bem e vero vem do Senhor, n. 1614, 1016; que toda inteligência e toda sabedoria vêm do Senhor, n. 109, 112, 121, 124; que o homem por si mesmo nada possa fazer de bem nem nada pensar de vero, n. 874, 875, 876; que entretanto cada um deva fazer o bem como de si próprio e não ficar com os braços cruzados, n. 1712; que se o homem, por si próprio, se empenha em resistir ao mal e em fazer o bem, como por si mesmo, que ele receba do Senhor o proprium celeste, n. 1937, 1947.)