Texto
. ‘Que [está] em todo o seu termo ao redor’; que signifique as cognições exteriores, vê-se pela significação de ‘termo’ e de ‘ao redor’, que são as coisas que são exteriores, de que se tratou (n. 2136); por conseguinte, aqui, ‘a árvore que estava no termo ao redor’ significa as cognições exteriores. As cognições exteriores pertencem aos ritos e aos doutrinais, que são as coisas externas da igreja; as cognições interiores, por sua vez, pertencem aos doutrinais que são as coisas internas da igreja. O que são as coisas externas da igreja e o que são as coisas internas, foi dito algumas vezes anteriormente.
[2] Além disso, aqui e ali na Palavra se diz ‘no meio’ e ‘ao redor’, por exemplo, quando se trata da terra de Canaã, o lugar em que estavam situadas Sião e Jerusalém era chamado o meio, mas os lugares em que habitavam as nações no entorno eram chamados ao redor. Pela terra de Canaã era representado Reino do Senhor, o celeste dele, por Sião, e o espiritual, por Jerusalém, onde estava o habitáculo de JEHOVAH, ou do Senhor. Os lugares que estavam no entorno, até os termos [ou limites], representavam as coisas celestes e espirituais que daí efluíam e derivavam em ordem. As coisas representativas das coisas celestes e das espirituais cessavam ali onde estavam os últimos termos [ou limites]. Essas coisas representativas obtinham a sua origem das coisas que estão no Reino do Senhor nos céus; ali o Senhor, como Sol, está no meio, de onde emana toda chama celeste e toda luz espiritual. Os que estão mais perto estão na mais alta luz, os que estão mais longe se acham em uma luz menor, mas os que estão ainda mais afastados, na luz mínima, é ali que estão os limites, e começa o inferno, que está fora do céu.
[3] Eis o que acontece com a chama celeste e com a luz espiritual, é que as coisas celestes, que pertencem à inocência e ao amor, e as espirituais, que pertencem à caridade e à fé, se acham em semelhante relação como o calor e a luz que estão nessas coisas, por isso que daí provêm todo calor e toda luz para os céus. Daí vem agora que o meio signifique o íntimo, e o circuito [ou contorno], o mais externo 175, e que as coisas que procedem em ordem, desde o íntimo até o mais externo, estão em tal grau de inocência, de amor e de caridade, em relação à distância. O mesmo sucede em cada sociedade celeste; lá os que estão no meio são os melhores do gênero da sociedade; e o amor e a caridade entre eles decrescem conforme o afastamento, isto é, proporcionalmente entre aqueles que distam do centro.
[4] É semelhante ao que acontece com o homem; o seu íntimo é onde o Senhor habita nele, e de onde Ele governa as coisas que estão em seus circuitos. Quando o homem consente que o Senhor disponha os circuitos em correspondência com os íntimos, então ele se acha em estado de ser recebido no céu, e então os íntimos, e os interiores e os externos fazem um. Mas quando o homem não consente que o Senhor disponha os circuitos para a correspondência, então o homem se retira do céu na proporção do seu não consentimento. Que a alma do homem esteja no meio, ou em seu íntimo, e que o corpo esteja no circuito, ou nos extremos, é o que é conhecido, porquanto o corpo é o que cinge e o que reveste de todo o lado a sua alma ou o seu espírito.
[5] Com os que estão no amor celeste e espiritual, o bem influi desde o Senhor, por meio da alma, no corpo; daí é que o corpo se torna luminoso. Mas com aqueles que estão no amor corpóreo e mundano o bem não pode influir do Senhor, pela alma, no corpo, mas os seus interiores estão nas trevas; daí é que o corpo também se torna tenebroso, segundo as coisas que o Senhor ensina em Mateus:
“A lâmpada do corpo é o olho, se o olho [é] são, todo corpo é luminoso; se o olho [é] mau, todo o corpo [é] tenebroso; se, pois, a luz são trevas, quantas as trevas!” (6:22, 23);
pelo ‘olho’ é significado o intelectual, que pertence à alma (n. 2701).
[6] É ainda pior com aqueles cujos interiores são trevas e cujos exteriores se apresentam como luminosos; são tais homens que simulam exteriormente os anjos de luz, mas que interiormente são diabos; esses tais são chamados Babel. Quando neles as coisas que ficam no entorno são destruídas, eles se precipitam no inferno. É isso que foi representado pela “cidade de Jericó, cujas muralhas caíram depois que os sacerdotes fizeram sete vezes a volta ao redor com a arca e tocaram trombeta, e a cidade foi entregue a uma destruição completa” (Js. 6:1 a 17); é também isso o que é significado em Jeremias:
“Preparai-vos contra Babel ao redor todos [vós] que armais o arco; gritai sobre ela ao redor; estendeu a sua mão, caíram os fundamentos dela, destruídos foram os muros dela” (50:14, 15).
Daí se vê, agora, claramente o que significa ‘no entorno ao redor’. Além disso, o circuito é às vezes nomeado na Palavra, por exemplo: Jr. 21:14; 32:44; 46:14; 49:5; Ez. 36:3, 4, 7; Am. 3:11; e em outras passagens. E pelos circuitos são significadas as coisas que são exteriores; das quais se tratará em vários outros lugares, pela Divina Misericórdia do Senhor.