. ‘Na terra de Canaã’; que signifique que é uma no Reino do Senhor, vê-se pela representação da ‘terra de Canaã’, que é o Reino do Senhor (n. 1413, 1437, 1585, 1607). Eis o que sucede com as igrejas do Senhor: Nos tempos antigos, houve ao mesmo tempo muitas igrejas, e existia entre cada uma delas, como hoje, diferenças quanto às coisas doutrinais, mas ainda assim elas faziam um nisso, que tinham reconhecido o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo como o principal e como o essencial mesmo, e, assim, os doutrinais lhes serviam não para pensarem de tal modo, mas para viverem de tal modo. E quando para todos e cada um o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo, isto é, o bem da vida, é o essencial, as igrejas, seja qual for o número delas, fazem uma só, e em qualquer parte então há uma só [igreja] no Reino do Senhor. O céu é também tal, ali as sociedades são inumeráveis, todas são distintas, mas ainda assim constituem um único céu, porque em todas há o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo. [2] Mas acontece absolutamente diferente com as igrejas que dizem ser a fé o essencial da igreja, crendo que se alguém sabe isto e se alguém pensa isto, esse é salvo, e isso, seja qual for a vida que levou. Quando sucede assim, muitas igrejas não fazem uma só, elas nem sequer são igrejas; o que faz a igreja é o bem da fé, isto é, a vida mesma do amor e da caridade segundo as coisas que pertencem à fé. Ora, é por causa da vida que existem os doutrinais, como cada um pode saber. O que seriam os doutrinais caso eles não tivessem em vista um fim? E que seria o fim se ele não fosse a vida, ou se a vida não se tornasse tal qual os doutrinais ensinam como ela deve ser? De fato, eles dizem que a fé mesma que salva é a confiança, mas tal confiança não pode existir senão no bem da vida. Sem o bem da vida a recepção é nula, e onde é nula a recepção, ali é nula a confiança, exceto às vezes quando há uma aparência de confiança durante as indisposições do ânimo ou do corpo, quando cessam as cobiças do amor de si e do mundo; mas entre os que estão no mal da vida, quando essa crise passa ou muda, então tal confiança enganosa se dissipa inteiramente. Com efeito, há também uma confiança entre os maus, mas quem quiser saber qual é a confiança que eles têm, examine em si próprio as afeições e os fins, bem como os exercícios da vida.