. ‘Põe, peço[-te], a tua mão sob a minha coxa’; que signifique a obrigação177 quanto ao poder para o bem do amor conjugal, é o que se vê pela significação da ‘mão’, que é o poder (n. 878); e pela significação da ‘coxa’, que é o bem do amor conjugal, de que se tratará no que segue. Que seja uma obrigação quanto a esse poder, é o que se vê no fato de que aqueles que se comprometiam a alguma coisa que se referia ao amor conjugal punham, por um rito antigo, a mão debaixo da coxa daquele com quem tomavam o compromisso, e assim juravam por ele, e isto vem de que a ‘coxa’ significava o amor conjugal, e a ‘mão’, o poder ou tanto quanto se podia. Com efeito, todas as partes do corpo humano correspondem a coisas espirituais e celestes no Máximo Homem, que é o céu, como se mostrou (n. 2996, 2998) e, pela Divina Misericórdia do Senhor, se mostrará mais amplamente nas coisas que seguem. As coxas mesmas, com os lombos, correspondem ao amor conjugal. Essas correspondências tinham sido conhecidas dos antiquíssimos, razão por que daí eles tiveram muitos ritos, dentre os quais também havia o que puseram a mão debaixo da coxa, quando se comprometiam a algum bem do amor conjugal. A cognição de tais coisas, que foram muito estimadas pelos antigos e estavam entre as principais coisas da ciência e da inteligência deles, está hoje inteiramente perdida, ao ponto que não se sabe sequer que exista alguma correspondência, e talvez por causa dessa ignorância, ficar-se-á admirado que tais coisas seja significadas por esse rito. Aqui, como se trata do desposório de Isaque, o filho, com alguma [filha] da família de Abrahão, e foi dito ao servo mais velho que desempenhasse esse ofício, é por isso que aqui é observado esse rito. [2] Que a ‘coxa’ signifique, pela correspondência, o amor conjugal, como foi dito, é o que também se pode ver por outras passagens na Palavra, por exemplo, pelo processo ordenado, em Moisés, quando uma mulher era acusada de adultério por seu varão. “Adjurará o sacerdote a mulher com juramento de maldição, e dirá o sacerdote à mulher: JEHOVAH dará a ti mesma em maldição e em adjuração no meio do teu povo, ao fazer JEHOVAH que a tua coxa caia, e que o teu ventre inche. [...] Quando ao beber lhe der águas, e sucederá que, se ela for poluída e prevaricada de prevaricação ao seu varão, e vierem nelas águas malditas em amargor, então [se] inchará o ventre dela, e cairá a coxa dela, e será a mulher para obsecração no meio do seu povo” (Nm. 5:21, 27); que a ‘coxa caísse’, significava o mal do amor conjugal, ou seja, o adultério; as outras coisas que estão no mesmo processo significavam, cada uma, coisas específicas do assunto, de sorte que não há a mínima circunstância que não envolva alguma coisa, de tal modo que o homem que lê a Palavra sem a ideia da santidade, deve se admirar de encontrar tais pormenores. Por causa da significação da ‘coxa’, que é o bem do amor conjugal, algumas vezes se diz que se ‘saiu de suas coxas’; por exemplo, a respeito de Jacó: “Frutifica e multiplica! Uma nação e uma assembleia de nações sairão de ti, e reis sairão das tuas coxas” (Gn. 35:11); e em outro lugar: “Toda alma vinda com Jacó ao Egito, saiu de sua coxa” (Gn. 46:26; Êx. 1:5); e a respeito de Gideão: “Gideão tinha setenta filhos, saiu da sua coxa” (Jz. 8:30). [3] E porque as coxas, o feminino178 , os lombos significam as coisas que pertencem ao amor conjugal, eles também significam as que pertencem ao amor e à caridade, a causa disso é porque o amor conjugal é o amor fundamental de todos os amores (ver n. 686, 2733, 2737, 2738, 2739), porquanto eles vêm da mesma origem, a saber, do casamento celeste, que é o casamento do bem e do vero (a respeito dos quais foi visto do n. 2727 ao 2759). Que a ‘coxa’ signifique o bem do amor celeste e o bem do amor espiritual, pode-se ver por estas passagens em João: “[Aquele] que estava sentado sobre o cavalo branco, tinha sobre a Sua vestimenta, e sobre a Sua coxa, um nome escrito: Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (Ap. 19:16); ‘[Aquele] que estava sentado sobre o cavalo branco’, que seja a Palavra, assim, o Senhor, Que é a Palavra, foi visto (n. 2760, 2761, 2762); que a ‘vestimenta’ seja o Divino Vero, n. 2576; é por isso que ele é chamado ‘o Rei dos reis’, n. 3009. Daí se vê claramente o que é a coxa, a saber, que é o Divino Bem que pertence ao Seu amor, do qual também Ele é chamado ‘Senhor dos senhores’ (n. 3004 a 3011). Como essa é a qualidade do Senhor, se diz que Ele tinha esse nome escrito sobre a Sua vestimenta e sobre a Sua coxa, porquanto o nome significa a qualidade (n. 1896, 2009, 2724, 3006). [4] Em Davi: “Cinge a tua espada sobre a coxa, ó poderoso, pela tua glória e honra” (Sl. 45:4 [Em JFA, 45:3]); onde se trata do Senhor; a ‘espada’ é o vero que combate (n. 2799); a ‘coxa’ é o bem do amor; ‘cingir a espada sobre a coxa’ significa que o vero pelo qual Ele combateria procederia do bem do amor. Em Isaías: “Será a justiça o cinto dos lombos d’Ele, e a verdade o cinto das coxas d’Ele” (11:5); onde também se trata do Senhor; a justiça, porque ela é predicada do bem do amor (n. 2235), é chamada ‘cintos dos lombos’; a verdade, porque ela provém do bem, é chamada ‘cinto das coxas’; assim, os lombos são predicados do amor do bem, e as coxas, do amor do vero. [5] No mesmo: “Não [há] o fatigado, e não há o que tropeça n’Ele, não cochilará, e não dormirá, e não será solto o cinto das coxas d’Ele, e não será tirada a correia dos sapatos d’Ele” (Is. 5:27). Trata-se do Senhor; o ‘cinto das coxas’ está pelo amor que pertence ao vero, como acima. Em Jeremias: “JEHOVAH lhe [ordenou] que comprasse um cinto de linho, e o pusesse sobre os lombos, mas [que] pela água não [o] conduzisse; e fosse ao Eufrates e o escondesse no buraco da rocha, o que feito, quando voltou e o retirou do lugar, estava podre”. (13:1 ao 7); o ‘cinto de linho’ está no lugar do vero; o representativo de que o vero fosse proveniente do bem era que se o pusesse sobre os lombos. Qualquer um pode ver que essas coisas são representativas, coisas que não se pode saber o que significavam senão pelas correspondências, das quais se tratará, pela Divina Misericórdia do Senhor, no fim de alguns capítulos. [6] Semelhantemente, [não se saberia o significado] das coisas que foram vistas por Ezequiel, Daniel e Nabucodonosor. Por Ezequiel: “Acima da expansão, que [estava] sobre a cabeça dos querubins, [havia] como o aspecto de uma pedra de safira, uma semelhança de trono; e sobre a semelhança do trono uma semelhança como o aspecto de um Homem sobre ele, acima. E vi como uma aparência de brasa, como um aspecto de fogo dentro dela ao redor; desde o aspecto dos lombos d’Ele e acima, e desde o aspecto dos lombos d’Ele e embaixo, vi como o aspecto de fogo e o esplendor dele em torno. Como o aspecto do arco-íris, que está em uma nuvem em dia de chuva, assim, [era] o aspecto da semelhança da glória de JEHOVAH; ...” (Ez. 1:26–28); que este tenha sido um representativo do Senhor e de Seu Reino, é o que se pode ver; e que o ‘aspecto dos lombos acima e dos lombos embaixo’ seja o representativo de Seu amor, é isso evidente pela significação do ‘fogo’, que é o amor (n. 934), e pela significação do ‘esplendor’ e do ‘arco-íris’, que é a sabedoria e a inteligência que procedem do amor (n. 1042, 1043, 1053). [7] Por Daniel: “O varão visto por ele estava vestido de linho, e os lombos dele cingidos com ouro de Ufaz. E o corpo dele como Társis; e as faces dele como o aspecto do relâmpago; e os olhos dele como lâmpada de fogo; e os braços dele e os seus pés como o esplendor do bronze polido; ...” (Dn. 10:5, 6); o que significa cada uma dessas coisas, ninguém pode ver a não ser pelas representações e pelas correspondências delas; por exemplo, o que significam os lombos, o que o corpo, o que as faces, os olhos, os braços, os pés; pelas representações e correspondências, vê-se que é o Reino celeste do Senhor que foi assim representado, no qual o Divino Amor são os lombos; o ouro de Ufaz de que estavam cingidos é o bem da sabedoria que provém do amor (n. 113, 1551, 1552). [8] Por Nabucodonosor, em Daniel: “A cabeça da estátua era ouro bom; o peito e os braços dela, prata; o ventre e as coxas dela, bronze; os pés de parte de ferro, de parte, argila” (2:32, 33); por essa estátua foram representados os estados sucessivos da igreja; pela ‘cabeça, que era ouro’, o primeiro estado que foi celeste, porque ele pertencia ao amor ao Senhor; pelo ‘peito e pelos braços, que eram prata’, o segundo estado, que foi espiritual, porque ele pertencia à caridade para com o próximo; pelos ‘ventre e coxas, que eram bronze’, o terceiro estado, que foi o bem natural, o qual é o bronze (n. 425, 1551); o bem natural pertence ao amor ou à caridade para com o próximo em um grau abaixo do bem espiritual; pelos ‘pés que eram ferro e argila’, o quarto estado, que foi o do vero natural, que é o ferro (n. 425, 426), e também o de nenhuma coerência com o bem, que é a argila. A partir dessas explicações, pode-se ver o que significam as ‘coxas’ e os ‘lombos’, a saber, o amor conjugal principalmente, e, portanto, todo amor genuíno, como se vê pelas passagens citadas, e também pelo Gn. 32:26, 32, 33; Is. 20:2, 3, 4; Naum, 2:2; Sl. 69:24; Êx. 12:11; Lc. 12:35, 36; e até, no sentido oposto, amores contrários, a saber, os amores de si e do mundo: 1Rs 2:5, 6; Is. 32:10, 11; Jr. 30:6; 43:37; Ez. 22:7; Am. 8:10.