ac 3030

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Talvez a mulher não queira ir após mim a esta terra’; que signifique a dúvida [ou incerteza] do homem Natural a respeito dessa afeição, se ela seria separável, vê-se pela significação da ‘mulher’, que é o vero, aqui o vero proveniente do natural, que deve ser conjunto ao Bem Divino do Racional; e porque toda conjunção se faz por meio da afeição, como foi dito acima (n. 3024), assim, pela mulher é significada a afeição deste vero; e [também se vê] pela significação de ‘ir após mim’ ou de ‘seguir a esta terra’, que é ser separado do Natural e ser conjunto ao Racional, pois a ‘terra’, aqui como acima (n. 3026), é o bem do amor, que pertence ao Racional. Que haja a dúvida [ou incerteza], vê-se por isto que foi dito: “Talvez não queira”.
[2] Das coisas que acima foram ditas, vê-se o que essas palavras e as que seguem, até o vers. 8 e o que segue, envolvem. Para que essas coisas sejam melhor entendidas, deve-se dizer ainda umas poucas palavras. O Racional genuíno é proveniente do bem e existe a partir do vero; o bem influi pela via interna, mas o vero influi pela via externa; o bem se conjunge assim com o vero no Racional, e fazem com que haja o Racional; a não ser que o bem seja aí conjunto com vero, não há Racional, ainda que pareça que há por isto: que o homem pode raciocinar (n. 1944). Essa é a via geral pela qual o Racional é formado no homem.
[3] O Senhor, porque nasceu como um outro homem, assim também igualmente quis fazer Divino o Seu Racional, a saber, quanto ao bem por meio do influxo oriundo de Seu Divino por uma via interna, e quanto ao vero, por meio do influxo por uma via externa. Quando, pois, o Racional, quanto ao Bem, foi formado, ao ponto que estivesse em estado de receber o vero, o que foi expresso por estas palavras do começo deste capítulo: “E Abrahão, velho, veio aos dias, e JEHOVAH abençoou Abrahão em tudo”; palavras que significam que o Humano do Senhor se tornaria Divino quando o estado avançasse, e que todas as coisas tivessem sido dispostas na Divina ordem (ver n. 3016, 3017), agora se segue que o vero devia ser conjungido ao Bem Racional, e isso, como foi dito, pela via geral, isto é, pelos conhecimentos e pelas cognições oriundas do homem natural.
[4] O Bem mesmo do Racional, que é formado pela via interna, é o húmus mesmo, mas o vero é a semente que deve ser semeada nesse húmus. O Racional genuíno nunca nasce de outro modo: a fim de que ele existisse igualmente no Senhor, e se tornasse Divino pelo próprio poder, o Senhor veio ao mundo e quis nascer como um outro homem; de outro modo Ele teria podido sem nascimento assumir o Humano, como muitas vezes nos tempos antigos quando Ele apareceu aos homens.
[5] São essas as coisas que estão contidas neste capítulo, saber, de que modo o vero evocado do homem Natural seria conjungido ao Bem do Racional, e assim como o Bem ali foi Divino, também o Vero ali se tornaria Divino. Essas coisas, diante do homem, principalmente daquele que não sabe que o Racional é em alguma coisa distinto do natural, e o que, por isso, não sabe que o Racional é formado sucessivamente, e isto por meio das cognições, são coisas obscurantíssimas, de tal modo que elas não são entendidas; mas a realidade é que elas são tais que estão entre as que são mais fáceis de compreender para aqueles que têm alguma cognição a respeito do homem racional e do homem natural e que estão na iluminação. Os anjos veem todas essas coisas como em um dia claro.
[6] Para se adquirir uma ideia disso, podem ser vistas as coisas que antes, a respeito deles, foram ditas e demonstradas, a saber, que o racional, quanto ao vero, é formado pelo influxo nos conhecimentos e nas cognições (n. 1495, 1563, 1900, 1964); que ele nasce não dos conhecimentos das cognições, mas da afeição deles (n. 1895, 1900); que os conhecimentos e as cognições são apenas os vasos do bem (n. 1469, 1496); que os conhecimentos inúteis devem ser destruídos (n. 1489, 1492, 1499, 1500); que no Racional a afeição do bem seja como a alma na afeição do vero (n. 2072); o que é a afeição do vero racional e do vero do conhecimento (n. 2503); que pelas cognições o homem externo seja conjungido ao homem interno, ou o natural ao racional, quando as cognições são implantadas nos celestes que pertencem ao amor e à caridade (n. 1450, 1451, 1453, 1616).

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