ac 3033

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Guarda-te que talvez não reconduzas meu filho para lá’; que signifique que [ela] nunca poderia ser conjungida, é o que se pode ver pelas coisas que foram ditas logo acima (n. 3031), onde se explicou o que é, no sentido interno, reconduzir o filho à terra da qual Abrahão saiu. Que a afeição quando não está de acordo com o vero não pode ser conjungida ao bem que pertence ao Racional, pode-se ver pelas coisas que anteriormente foram ditas a respeito da conjunção do bem e do vero, ou, o que é o mesmo, sobre o casamento celeste (n. 2173, 2507, 2727 ao 2759). Que por essa razão os antigos tenham instituído um casamento entre a afeição do bem e a afeição do vero, foi visto (n. 1904); vê-se, além disso, que o falso nunca pode ser conjungido com o bem, nem o vero com o mal, porque eles são de uma índole contrária (n. 2388, 2429, 2531); e que o bem é insinuado nas cognições do vero como em seus vasos recipientes, e que assim se faz a conjunção (n. 1469, 1496, 1832, 1900, 1950, 2063, 2189, 2261, 2269, 2428, 2434, 2697).
[2] Que não possa haver conjunção do falso com o bem, nem do vero com o mal, mas que há somente conjunção do falso com o mal, e do vero com o bem, é o que se me deu perceber ao vivo; e percebi que isso assim acontece: quando o homem tem a afeição do bem, isto é, quando ele quer o bem de coração, quando ao pensar alguma coisa que deve querer e fazer, então o seu bem-querer influi em seu pensar e aí ele se aplica e se junta [injungit] às cognições que ali estão como em seus vasos recipientes, e por meio dessa conjunção o impulsiona a pensar, a querer e a agir assim; é, por assim dizer, um enxerto do bem nos veros, ou nas cognições do vero. Quando, porém, o homem tem não a afeição do bem mas a afeição do mal, isto é, quando ele quer o mal, por exemplo, quando ele crê ser o bem tudo que é para si, a fim de se tornar grande e rico, assim, para possuir honra e riquezas, e é este o seu propósito, quando ao pensar algo que deve querer e fazer, então igualmente o seu querer influi em seu pensar, e ali excita as cognições que parecem equivalentes ao vero, e o impele assim a pensar, a querer e a fazer; e isto aplicando perversamente as cognições e considerando certas coisas gerais, as quais hauriu do sentido da letra da Palavra ou de um outro conhecimento, como coisas aplicáveis em todo sentido. É assim que o mal é ligado ao falso [copulatur falso], pois então o vero que nele se acha está privado de toda a essência do vero.
[3] Tais indivíduos, na outra vida, ainda que na vida do corpo tenham sido vistos muitíssimo instruídos, mais do que os outros, são mais estúpidos dos que os outros, e quanto mais estiverem na persuasão de estarem no vero, tanto mais eles introduzem escuridão nos outros; tais espíritos estiveram durante algum tempo comigo, mas não eram suscetíveis de afeição alguma do bem oriundo do vero, fosse qual fosse o modo pelo qual se lhes fizessem lembrar na mente os veros que eles tinham conhecido na vida do corpo, pois havia neles o mal com o qual os veros não puderam estar conjuntos. Estes também não podem estar na companhia dos bons, mas se há com eles alguma coisa do bem natural, eles são devastados até que não saibam mais nada do vero, e então é insinuado no bem que resta alguma coisa do vero, tanto quanto a pequena quantidade do bem que resta possa contar. Mas aqueles que de coração estiverem na afeição do bem, são suscetíveis de receber todo vero, conforme a quantidade e a qualidade do bem que esteve com eles.

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