Texto
. ‘Então livre estás deste meu juramento’; que signifique o livre que pertence ao homem natural, vê-se pela significação do servo, do qual são ditas essas coisas, que pertencem ao homem natural (3019); e pela significação de ‘estar livre se a mulher não quiser segui-lo’, que, no sentido [mais] próximo, designa que o homem natural não teria obrigação alguma, se a afeição do vero não fosse separada. Que essas palavras envolvam o livre que pertence ao homem natural, é coisa evidente, porquanto a afeição do vero de que se trata aqui, assim como a separação, é predicada, no sentido interno, do homem natural; na realidade, no sentido histórico, há uma outra coerência, mas no sentido interno ela é tal.
[2] A respeito do livre do homem, vejam-se as coisas que anteriormente (n. 892, 905, 1937, 1947, 2744, 2870 ao 2893) foram ditas e demonstradas, a partir das quais se vê claramente de que maneira a coisa se passa com o livre. O livre se diz do homem natural, mas não do mesmo modo do homem racional, pois por meio do racional no natural influi o bem no livre celeste procedente do Senhor; o homem natural é o que deve recebê-lo e, para que o receba e seja assim conjungido ao celeste livre, que influi por meio do racional, o natural é deixado no livre. Com efeito, o livre pertence ao amor ou à afeição, se o homem natural não receber a afeição do vero proveniente da afeição que influi do bem, nunca ele se conjunge ao homem racional. É assim que acontece com o homem. (Que este seja reformado pelo Senhor por meio do livre, ver n. 1937, 1947, 2876, 2877, 2878, 2881.)
[3] Quanto ao que diz respeito ao Senhor, Ele mesmo também deixou o Natural no livre quando Ele fez Divino o Seu Racional quanto ao Vero, isto é, quando Ele juntou o Divino Vero ao Divino Bem do Racional, porquanto é pela via geral que Ele quis fazer Divino o Seu Humano; a via geral é qual a que está no homem que está sendo reformado e regenerado; a reforma e regeneração mesmas do homem são, por isso, uma sorte de imagem. O homem também se faz novo pela reforma e pela regeneração, daí vem que ele seja chamado ‘de novo gerado’ e ‘criado de novo’, e tanto quanto ele foi reformado, outro tanto ele tem em si um quase Divino; há, porém, esta diferença: que o Senhor por Si mesmo, por seu próprio poder, Se fez Divino, enquanto o homem não pode fazer a menor coisa por seu próprio poder, mas pode pelo Senhor. Diz-se um quase Divino, porque o homem é somente o recipiente da vida, mas o Senhor quanto a uma e outra Essência é a Vida mesma (ver n. 1954, 2021, 2658, 2706, 3001).