Texto
. ‘E as filhas dos varões da cidade saem para tirar águas’; que signifique as afeições do vero, e por elas a instrução, vê-se pela significação das ‘filhas’, que são as afeições (n. 489, 490, 491, 2362); pela significação dos ‘varões da cidade’, que são os veros. Os habitantes da cidade são algumas vezes chamados, na Palavra, ‘varões da cidade’, e algumas vezes ‘habitantes da cidade’; quando eles são chamados ‘varões da cidade’, eles significam os veros, e quando são chamados ‘habitantes da cidade’, eles significam os bens. (O que significam os varões, ver nos n. 265, 749, 915, 1007, 2517; o que significam os habitantes, n. 2268, 2451, 2712; o que significa a cidade, n. 402, 2450, 2943.) E vê-se também pela significação de ‘tirar águas’, que é ser instruído (n. 3048). Daí se vê que pelas ‘filhas dos varões da cidade que saem para tirar águas’ são significadas as afeições do vero e, por meio delas, a instrução. Ninguém jamais é instruído pelos veros, mas o é pelas afeições do vero, porquanto os veros sem a afeição na realidade atingem a orelha como som, mas não entram na memória. O que faz com que eles entrem na memória e nela se fixem [ou se tornem inerentes] é a afeição; o bem da afeição é de fato como um húmus em que os veros são inseminados como sementes, mas tal qual é o húmus, isto é, tal qual é a afeição, tal é o produto do que foi semeado; é o fim ou o uso que dita qual é o húmus, ou qual é a afeição, assim, qual é o produto do que foi semeado; ou, caso se preferir, é o amor mesmo que dita, pois o amor é, em todas as coisas, o fim e o uso; com efeito, nada é considerado como fim e como uso senão o que é amado.