Texto
. ‘E [eu] beba’; que signifique a instrução do vero que daí provém, vê-se pela significação de ‘beber’, que é ser instruído. Na Palavra, muitas vezes se lê o termo ‘beber’, e onde se trata dos bens e dos veros da fé, ali significa ser instruído neles e recebê-los; por exemplo, em Isaías:
“Lamentará o mosto, enlanguescerá a vide, gemerão todos que tinham alegria no coração. [...] Com canto não beberão vinho, amarga será a bebida forte aos que a bebem” (24:7, 9);
‘não beber vinho com cantos’ é não ser instruído a partir da afeição do vero e não experimentar o deleite que daí resulta; a ‘bebida forte amarga aos que a bebem’ é a aversão. No mesmo:
“Acontecerá, como sonha o que tem sede, e eis que bebe, e se desperta, e eis que está cansado e a [sua] alma tem apetite” (Is. 29:8);
‘aquele que tem sede’ é o que cobiça ser instruído, ‘que [ele] bebe’ é que ele é instruído, mas em coisas vãs.
[2] Em Jeremias:
“Nossas águasbebemos por pratas, nossa madeira vem por um preço” (Lm. 5:4);
‘beber a água por prata’ é não ser instruído gratuitamente, e então atribuir a si o vero, que é dado gratuitamente, assim, é o que vem não de si, mas do Senhor; assim em Isaías:
“Ó todos [vós] sequiosos, ide às águas, e quem não [tem] prata, ide, comprai” (55:1);
e em João:
“Jesus disse: Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba; quem crê em mim, rios de água vivente fluirão do ventre dele” (7:37, 38);
onde por ‘beber’ é significado ser instruído e receber. Em Lucas:
“Dirão: comemos diante de ti, e bebemos, e nas nossas praças ensinaste; mas disse o Senhor: Não sei de onde vós sois, apartai-vos de Mim todos vós, obreiros da iniquidade” (13:26, 27);
onde ‘comer e beber diante do Senhor’ é instruir e pregar o bem e o vero da fé oriundos das cognições que provêm da Palavra, o que é significado por ‘ensinaste nas nossas praças’; mas por terem agido por si mesmos, para a sua honra e seu lucro, portanto, sem afeição alguma de bem e do vero, assim, que eles estavam nas cognições do vero, mas na vida do mal, se diz: “Não sei de onde vós sois, apartai-vos de Mim todos vós, obreiros da iniquidade”.
[3] No mesmo:
“Jesus [disse] aos discípulos para que comais e bebais sobre a Minha mesa no Meu Reino” (Lc. 22:30);
qualquer um vê claramente que no Reino do Senhor não se come nem se bebe, e que não há mesa; que por conseguinte por comer e beber na mesa do Senhor em Seu Reino, outra coisa é significada, a saber, a fruição da percepção do bem e do vero; o mesmo acontece com as palavras que o Senhor disse em Mateus:
“Digo-vos que não hei de beber, desde agora, deste produto da vide, até aquele dia, quando o beberei convosco no Reino de Meu Pai” (26:28, 29);
‘beber’ está por instruir ao vivo a respeito dos veros, e conceder a percepção do bem e do vero. Que o Senhor disse:
“Não estejais solícitos pela vossa alma sobre o que comereis, ou [o que] hão de beber, nem pelo vosso corpo, pelo que haveis de vestir” (Mt. 6:25, 31; Lc 12:29);
é um significativo das coisas espirituais, que tudo que pertence à fé quanto ao bem e vero é dado pelo Senhor. Em João:
“Jesus disse à mulher samaritana: Todo aquele que bebe desta água terá sede novamente; quem, porém, beber da água que Eu lhe darei, não terá sede pela eternidade, mas a água que lhe darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna” (4:7 ao 14);
‘beber’ é evidentemente ser instruído nos bens e veros e recebê-los.