. ‘A qual nasceu de Bethuel, filho de Milcah, esposa de Nahor, irmão de Abrahão’; que signifique toda origem dessa afeição, é isso evidente pela representação de ‘Bethuel’, de ‘Milcah’, de ‘Nahor’ assim como de ‘Abrahão’; o que cada um deles representa especificamente não pode ser exposto e apresentado de modo a ser compreendido por essa causa, porque a primeira afeição do vero de fato tirou a sua origem dos Divinos adquiridos pelo Senhor no homem natural (n. 3019), mas, ainda assim, ali havia os maternos, que não puderam ser separados em um momento, dos quais provinha também uma afeição; a qualidade dessa afeição em sua origem é descrita, no sentido interno, por estas palavras: “nascida de Bethuel, filho de Milcah, esposa de Nahor, irmão de Abrahão”. [2] Com efeito, ainda que toda afeição pareça simples e como sendo uma, contudo ela encerra em si mesma tantas coisas inúmeras, que nunca é possível obter dela alguma ideia, e menos ainda descrevê-la, pois em cada afeição está toda a vida do homem que ele adquiriu desde a sua infância até o tempo da idade em que está quando chega nessa afeição, há mesmo ainda muitas outras coisas, a saber, as que pelo hereditário ele traz, por nascimento, de seu pai e de sua mãe, de seus avós e de seus antepassados. Com efeito, a afeição é o homem inteiro tal qual ele é. Na outra vida, pela manifestação da afeição, põe-se em evidência, às vezes, quanto do amor de si há em alguém, e quanto do amor do mundo, quanto do amor dos princípios, qual é o fim e qual é o uso; então, quanto do amor do bem e do vero há também, e qual é esse bem e qual é esse vero, assim como o modo por que essas coisas foram dispostas, isto é, conjuntas, aproximadas e separadas, assim, quanto elas discordam da ordem celeste, ou quanto elas concordam com isso. Todas essas coisas se apresentam à vista pela manifestação da afeição, como foi dito, porque a afeição é todo o homem. Que isto assim seja, é o que parece incrível ao homem, mas ainda assim é verdadeiro.