. ‘E a sua verdade de junto do meu senhor’; que signifique o influxo da caridade que daí procede, é o que se pode ver pela significação da ‘verdade’, que é a caridade. ‘Verdade’, no sentido próprio, significa o mesmo que fé; e mesmo na língua hebraica, a fé é expressa por uma palavra, assim, de sorte que o que é dito verdade na Palavra do Antigo Testamento, é indistintamente dito fé na Palavra do Novo Testamento; é também por essa razão que tantas vezes, nas explicações precedentes, se diz que o vero pertence à fé e o bem ao amor. Mas que a fé, no sentido interno, não seja nenhuma outra coisa senão a caridade, vejam-se as coisas que anteriormente foram muitas vezes ditas e demonstradas, como por exemplo: que não há nenhuma fé senão pelo amor (n. 30, 31–38); que a fé nunca existe a não ser onde há caridade (n. 654, 724, 1162, 1176, 2261); que a fé seja a fé da caridade (n. 1608, 2049, 2116, 2419, 2343, 2349); que a caridade faça a igreja, não a fé separada da caridade (n. 809, 916, 1798, 1799, 1834, 1844, 2190, 2228, 2442). Daí se vê que, no sentido interno, a verdade, ou fé, seja o mesmo que a caridade, porquanto toda fé provém da caridade, que a fé não proveniente daí não é a fé; ou, o que é o mesmo, daí se vê que, no sentido interno, todo vero, no sentido interno, seja o bem, pois todo vero provém do bem, o vero que não provém daí não é o vero; com efeito, o vero não é outra coisa senão a forma do bem (n. 3049), o nascimento do bem não vem de outro lugar, nem de outro lugar vem a sua vida.