Texto
. Além disso, eis o que acontece com essa verdade, pela qual é significada a caridade. Que os antiquíssimos, que foram celestes, pela misericórdia e a verdade procedentes do Senhor, não entenderam outra coisa senão a recepção do influxo do amor ao Senhor e, daí, da caridade para com o próximo, mas os antigos, que foram espirituais, pela misericórdia e a verdade procedentes do Senhor neles, entenderam a caridade e a fé, a causa é, porque os celestes jamais pensaram a respeito das coisas que pertencem à fé ou ao vero, mas sim a respeito das que pertencem ao amor ou ao bem, como se pode ver pelas coisas que antes foram ditas a respeito do homem celeste (n. 202, 337, 2669, 2715); e também, era por meio da caridade para com o próximo que os homens celestes eram introduzidos no amor ao Senhor quando eles eram reformados e regenerados, de onde é evidente que pela ‘misericórdia’ que procede do Senhor não seja entendida outra coisa senão a percepção do influxo do amor a Ele, e pela ‘verdade’, o influxo da caridade para com o próximo daí proveniente.
[2] Mas não sucedeu o mesmo com os espirituais, estes pensam a respeito das coisas que pertencem à fé e, quando são reformados e regenerados por meio das coisas que pertencem à fé, são introduzidos na caridade para como próximo, razão por que quando se trata deles, pela ‘misericórdia que procede do Senhor’ se entende o influxo da caridade para com o próximo, e pela ‘verdade’, o influxo da fé. Mas o fato é que essa fé, quando o homem espiritual foi regenerado, se torna caridade, pois então ele age pela caridade, e isso a tal ponto que aquele que deles não age pela caridade não foi regenerado, mas aquele que age pela caridade, este foi regenerado, e então ele em nada se preocupa com as coisas que pertencem à fé ou ao vero, pois vive a partir do bem da fé e não mais a partir do vero da fé. O vero de fato se conjungiu de tal modo ao bem, que ele não se mostra mais senão como uma forma do bem, isto é, a fé não é outra senão como uma forma da caridade.
[3] Daí se pode ver o que os antiquíssimos e os que os antigos entenderam por misericórdia e por verdade, que são tantas vezes mencionadas na Palavra, como em Davi:
“O Rei habitará eternamente perante Deus; prepara Misericórdia e Verdade, [que elas] o guardem” (Sl. 61:8 [Em JFA, 61:7]).
No mesmo:
“A Misericórdia e a Verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Sl. 85:11 [Em JFA, 85:10]).
No mesmo:
“[Tu] Senhor Deus [és] ... grande [em] Misericórdia e Verdade” (Sl. 85:15).
No mesmo:
“Minha Verdade e minha misericórdia [estarão] com Ele” (Sl. 89:25 [Em JFA, 89:24]).
No mesmo:
“JEHOVAH recordou-se da Sua Misericórdia e da Sua Verdade para com a casa de Israel” (Sl. 98:3).
No mesmo:
“[Não a nós,] JEHOVAH, não a nós, mas ao Teu Nome dá glória, por causa da Tua Misericórdia e da Tua Verdade” (Sl. 115:1).
Em Miqueias:
“JEHOVAH Deus dará a Verdade a Jacó, a Misericórdia a Abrahão, a quem juraste aos nossos pais desde os dias da antiguidade” (7:20);
onde ‘Jacó’ está em lugar do Homem Externo do Senhor, e Abrahão está pelo Interno quanto ao humano. Em Oseias:
“Disputa de JEHOVAH com os habitantes da terra, porque [não têm] nenhuma Verdade, e nenhuma Misericórdia, e nenhuma cognição de Deus” (4:1);
‘nenhuma verdade’ está por nenhuma recepção do influxo da caridade; ‘nenhuma misericórdia’ está por nenhuma recepção do influxo do amor; ‘nenhuma cognição’ está por nenhuma recepção do influxo do vero da fé.