. ‘E contava na casa de sua mãe conforme essas palavras’; que signifique para um bem qualquer natural pelo qual a iluminação pode chegar, é isso evidente pela significação da ‘casa da mãe’, que é o bem do homem externo, isto é, o bem natural. Que a casa seja o bem, foi visto (n. 2233, 2134, 2559); e que o externo do homem, ou o natural, provenha da mãe, mas o interno provenha do pai, n. 1815. Na Palavra, o bem no homem é comparado a uma casa, e é por causa disso que o homem que está no bem é chamado ‘casa de Deus’; mas o bem interno é denominado ‘casa do pai’; porém, o bem que está no mesmo grau se diz ‘casa dos irmãos’. Contudo, o bem externo, que é a mesma coisa que o bem natural, é denominado ‘casa da mãe’; e mesmo todo bem e vero nasce assim, a saber, pelo influxo do bem interno como do pai, no bem externo como da mãe. [2] Como neste versículo se trata da origem do vero que deve se conjungir ao bem no Racional, por isso se diz que Rebeca — por quem esse vero é representado — correu para a casa de sua mãe. Daí vem, portanto, a origem do vero, pois, como acima foi dito e demonstrado, todo bem influi pela via interna, ou pela via da alma no racional do homem, e por meio deste em seu conhecimento sensual, e pela iluminação aí faz com que os veros sejam vistos; daí os veros são evocados e despidos da forma natural e se conjungem ao bem na via média, a saber, no racional, e, ao mesmo tempo, eles fazem o homem racional e finalmente espiritual. Mas como essas coisas se operam, é o que o homem ignora absolutamente, visto que hoje dificilmente se sabe o que é o bem, e que o bem é distinto do vero, e menos ainda se sabe que o homem é reformado pelo influxo do bem no vero e pela conjunção de um e do outro; também não se sabe que o racional é distinto do natural. Quando essas coisas, que são muitíssimo gerais, são ignoradas, não é possível sequer saber como se operam a iniciação do vero no bem e a conjunção de um e do outro, coisas de que se trata no sentido interno neste capítulo. Mas porque esses arcanos foram revelados e são claros para os que estão no bem, isto é, os que são mentes angélicas, por isso, por mais obscuros que possam parecer os outros, ainda assim, esses arcanos, porque estão no sentido interno, deverão ser expostos. [3] Da iluminação procedente do bem por meio do vero no homem natural, que aqui é chamado ‘casa da mãe’, assim se tem: o Divino Bem junto ao homem influi em seu racional, e por meio do racional em seu natural e, na realidade, em seus conhecimentos, ou nas cognições e nos doutrinais que aí estão, como foi dito; e aí, por uma disposição interna conveniente [inaptationem] ele forma para si os veros pelos quais então ele ilumina todas as coisas que estão no homem natural; mas se a vida do homem natural é tal que ele não recebe o Divino Bem, mas ou o rejeita, ou o perverte, ou o sufoca, então o Divino Bem não pode ser internamente adaptado assim, nem pode formar para si veros, por consequência, o natural não pode mais ser iluminado, pois a iluminação no homem natural procede do bem por meio dos veros; e quando não há mais iluminação, não pode haver reforma. Essa é a causa também, que no sentido interno se trata tantas vezes do homem natural, de sua qualidade, assim, de onde vem o vero, a saber, que provenha do bem ali.