. ‘E Labão corria para o varão, fora, à fonte’; significa a seu ânimo, a saber, da afeição do bem para com o vero que devia ser iniciado ao Vero Divino, é o que se pode ver pela significação de ‘correr’, que é a propensão ou o ânimo, como acima (n. 3127); pela apresentação de ‘Labão’, que é a afeição do bem, de que acima se falou (n. 3129, 3130); pela significação de ‘varão’, que é o vero (n. 265, 749, 1007); e pela significação da ‘fonte’, que é também o vero, aqui, o Vero Divino (n. 2702, 3096, e abaixo, n. 3137). [2] A partir dessas e das restantes coisas de que se tratou, pode-se ver qual é o sentido interno e que arcanos estão ali. Quem pode saber, a não ser por um exame interior da Palavra e, ao mesmo tempo, por uma revelação, que estas palavras, a saber, “correu Labão para o varão, fora, à fonte”, significam o ânimo da afeição do bem para com o vero que deve ser iniciado ao Vero Divino? Entretanto, estas são as coisas que, todavia, os anjos percebem quando essas palavras são lidas pelo homem. De fato, as correspondências entre as ideias do homem e as ideias do anjo são tais que, enquanto o homem compreende essas palavras segundo o sentido da letra e tem de Labão a ideia que ele correu para o varão, fora, à fonte, o anjo percebe o ânimo da afeição do bem para com o vero que deve ser iniciado ao Vero Divino. Com efeito, para os anjos não há ideia alguma de Labão, nem de correr, nem da fonte, mas há ideias espirituais correspondentes a essas coisas [ou ideias]. Que seja tal a correspondência das coisas e, por isso, das ideias naturais e espirituais, também se pode ver pelas coisas que foram ditas a respeito das correspondências (n. 1563, 1568, 2763, 2987 ao 3003, 3021). [3] No que diz respeito à coisa mesma, a saber, que o vero deve ser iniciado ao Vero Divino, assim se tem: que o primeiro vero no Homem Natural não foi um Vero Divino, mas um vero que aparecia como Divino; com efeito, todo vero em sua primeira infância não é um vero, mas é uma aparência do vero; todavia, na progressão do tempo ele despoja a aparência e reveste a essência do vero. Isso, para que se compreenda, pode ser ilustrado com exemplos; por enquanto, basta este único: é um Vero Divino, que o Senhor nunca se ira, nunca pune alguém, e menos ainda, faça mal a quem quer que seja, e que do Senhor nunca proceda outra coisa senão o bem. Este Vero, em sua primeira infância, é até aceito assim, a saber, que o Senhor se ire quando alguém peca, e que, consequentemente, o Senhor puna, e ainda mais, com alguns, que o mal procede do Senhor; mas conforme o homem progride da infância, e cresce e amadurece o juízo, ele abandona o que foi para ele como um vero pela aparência que assim fosse, e pouco a pouco ele reveste o vero mesmo, a saber, que o Senhor nunca se ire, não puna, e menos ainda faça o mal; assim por aquele vero é iniciado neste. Com efeito, é o geral o que entra primeiro, o que em si é obscuro, no qual dificilmente alguma coisa se mostra, antes de ter sido ilustrado pelas coisas particulares e estas pelas singulares; e então, quando foi ilustrado, as coisas interiores se manifestam; assim as falácias e as aparências, que são veros no tempo da ignorância, são dissipadas e dispersadas.