Texto
. Nesses três versículos se trata da preparação e da iluminação do homem natural, para que daí saísse o vero que devia se conjungir ao bem no Racional. Mas com a preparação e a iluminação assim acontece: Há duas luzes que formam as coisas intelectuais do homem: a luz do céu e a luz do mundo; a luz do céu procede do Senhor, esta, na outra vida, é para os anjos o Sol e a Lua (ver, n. 1053, 1521, 1529, 1530); a luz do mundo provém do Sol e da Lua que aparecem diante da vista corporal. O homem interno tem a sua vista e o seu entendimento pela luz do céu, mas o homem externo tem a sua vista e o seu entendimento pela luz do mundo. O influxo da luz do céu nas coisas que pertencem à luz do mundo faz a iluminação e, ao mesmo, tempo a apercepção; e se houver correspondência, a apercepção do vero; se não houver correspondência, a apercepção do falso em vez do vero. Contudo, a iluminação e a apercepção não podem existir se não houver a afeição ou o amor, que é o calor espiritual, e que dá vida às coisas que são iluminadas pelas luz; assim, comparativamente, como a luz do Sol não dá a vida aos vegetais, mas sim o calor que está na luz, como se vê pelos tempos do ano.
[2] Nos versículos que se seguem agora imediatamente, descreve-se uma preparação ulterior, a saber, que a Luz do céu, que é a [Luz] Divina do Senhor, influi nas coisas que pertenciam à luz do mundo em Seu Homem Natural, para que daí tirasse o vero que devia se conjungir ao bem no Racional, assim, para que ele tirasse por uma via ordinária; é por isso que, para que o Humano fosse feito Divino pela via ordinária, o Senhor veio ao mundo, isto é, Ele quis nascer assim como um outro homem, e, assim como um outro homem, ser instruído, e renascer assim como um outro homem, mas com essa diferença, que o homem renasce pelo Senhor, mas que o Senhor não só regenerou a Si mesmo, mas também glorificou a Si mesmo, isto é, que Ele se fez Divino. Depois, com esta diferença, que o homem se torna novo pelo influxo da caridade e da fé, porém, o Senhor Se o tornou pelo amor Divino que estava n’Ele e que Lhe pertencia. Daí se pode ver que a regeneração do homem é a imagem da glorificação do Senhor, ou, o que é o mesmo, que no processo de regeneração do homem, como em uma imagem, se possa ver, ainda que muito remotamente, o processo de glorificação do Senhor.