. ‘E à mãe dela’; que signifique ao vero natural também, a saber, coisas espirituais daí procedentes, assim como ao bem natural (de que se tratou logo acima), é o que se pode ver pala significação da ‘mãe’, que é a igreja, que, por causa do vero, é chamada mãe (n. 289, 2717). Para que se saiba o modo como se tem isso, que coisas espirituais são dadas ao bem natural e ao vero natural que dali procedem, desde que o vero é iniciado ao bem no racional, dir-se-á em poucas palavras. Em cada homem há um interno e um esterno; seu interno é denominado o homem interno, e seu externo, o homem externo; no entanto, o que é o homem interno e o que é o homem externo pouco se sabe. O homem interno é o mesmo que o homem espiritual, e o externo, o mesmo que o homem natural; o homem espiritual é aquele que entende e sabe a partir das coisas que pertencem à luz do céu; o natural, por sua vez, é aquele que tem inteligência e sabedoria a partir das coisas que pertencem à luz do mundo (a respeito de uma e outra luz, ver o n. 3138). Com efeito, no céu não há nada senão coisas espirituais, no mundo, por sua vez, não há nada senão coisas naturais; o homem foi criado de modo que haja nele coisas espirituais e coisas naturais, isto é, seu homem espiritual e seu homem natural concordassem, ou seja, fizessem um; mas então o homem espiritual deveria dispor todas as coisas no natural, e o natural obedecer, assim como um servo ao seu senhor. [2] Porém, pela queda, o homem natural começou a elevar-se acima do homem espiritual, assim, ele inverteu a ordem Divina mesma. A partir daí o homem natural se separou do homem espiritual, e não houve mais para ele coisas espirituais exceto as que podiam entrar como por fendas e dar a faculdade de pensar e de falar. Ora, para que as coisas espirituais influíssem novamente no homem natural, ele deveria ser regenerado pelo Senhor, isto é, era necessário que o vero vindo do homem natural fosse iniciado e conjungido ao bem no racional. Quando isso acontece, as coisas espirituais se dirigem para o homem natural, porquanto influi então a luz do céu, e ela ilumina as coisas que estão no homem natural, e faz com que as coisas que ali estão recebam a luz: os bens ali recebam o calor da luz, isto é, o amor e a caridade, mas o vero, os raios da luz, isto é, a fé. É assim que, ao bem do natural e ao vero do natural, são dadas as coisas espirituais daí procedentes. O bem natural é então todo prazer e toda volúpia que provêm do fim de servir ao espiritual, portanto, ao próximo, ainda mais à República e mais ainda ao Reino do Senhor e, acima de todas as coisas, ao Senhor; e o vero natural é todo doutrinal e todo conhecimento por amor do fim de saber, isto é, de fazer essas coisas.