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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Fique a menina conosco’; que signifique a ação de deter por eles, é o que se vê pela significação de ‘ficar’, que é aqui ser detido, como também se vê pela série no sentido interno. A coisa, com efeito, assim se tem: O homem jamais nasce em algum vero, nem sequer em algum vero natural, por exemplo, que não se deve furtar, não se deve matar, não se deve cometer adultério e outros veros semelhantes; e menos ainda, em algum vero espiritual, por exemplo, que existe um Deus, que o homem tem um interno que deve viver depois da morte; assim, o homem por si próprio nada conhece do que pertence à vida eterna. Os veros naturais e espirituais, ele os aprende; se não aprendesse, seria muito pior que um animal bruto, pois tem de seu hereditário, que se ame acima de todos e que deseje possuir tudo que há no mundo. Daí vem que a não ser que fosse detido pelas leis civis e pelo temor da perda da honra, do ganho, da reputação e da vida, ele furtaria, mataria, cometeria o adultério sem nenhuma percepção de consciência. Que assim seja vê-se claramente, porque o homem, mesmo o que foi instruído, ainda assim faz essas coisas sem consciência, e até as defende e confirma por muitos meios que assim se deve proceder o quanto se permite. O que não seria se não tivesse sido instruído? É semelhante com os espirituais; com efeito, dos mesmos que nasceram no interior da igreja, os quais possuem a Palavra e são constantemente instruídos há, ainda assim, vários dentre eles que atribuem poucas coisas e dificilmente alguma coisa a Deus, mas sim todas e cada uma das coisas à natureza; assim, estes de coração não creem existir um Deus, portanto, nem na vida após a morte, por conseguinte, estes nada querem saber a respeito das coisas que dizem respeito à vida eterna.
[2] A partir disso, vê-se que o homem não nasce em vero algum, mas que deve aprender tudo, e isso por uma via externa, a saber, pela audição e visão; é por essa via que o vero deve ser insinuado e implantado em sua memória; mas enquanto o vero estiver somente ali [em sua memória], ele é apenas um conhecimento. Ora, para que o vero penetre no homem, ele deve ser extraído dali e trazido para os mais interiores, pois o humano do homem é mais interior, a saber, está em seu racional. Com efeito, a não ser que o homem seja racional, ele não é homem; portanto, qual é o racional de alguém, e quanto há de racional para ele, tal e tanto ele é homem. O homem nunca pode ser racional a não ser que haja nele o bem. O bem que pertence ao homem mais do que aos animais é amar a Deus e amar ao próximo, todo bem humano vem daí; a esse bem deve ser iniciado e conjungido o vero, e isso no natural. O vero é iniciado e conjungido ao bem quando o homem ama a Deus e ama ao próximo; então, efetivamente, o vero entra para o bem, pois o bem e o vero se reconhecem mutuamente, uma vez que, é do bem que provém todo vero, e o vero encara o bem como seu fim e como sua alma, assim, como aquilo de que ele obtém a vida.
[3] Contudo, o vero penosamente pode ser separado do homem natural e daí ser elevado ao racional, visto que há no homem natural falácias, há cobiças do mal, há também persuasões do falso; enquanto essas coisas aí estão e se ligam ao vero, tanto o homem natural detém o vero consigo e não permite que daí ele se eleve ao racional. É isso o que é significado no sentido interno por estas palavras: “Fique a menina conosco uns dias ou dez, depois irás”. A causa é porque ele põe em dúvida o vero e raciocina a respeito dele se assim é. Não obstante, logo que pela primeira vez as cobiças do mal e as persuasões do falso, e daí as falácias, são separadas pelo Senhor, e que o homem, a partir do bem, começa a ter aversão aos raciocínios contra o vero, e até rir das dúvidas, então o vero fica em estado de se separar do natural e ser elevado ao racional, e de revestir o estado do bem, pois então ele se torna o vero do bem e tem vida.
[4] Para que isso seja mais bem compreendido, sejam os exemplos: é um vero espiritual, que todo bem procede do Senhor e que todo mal procede do inferno; este vero deve ser confirmado e ilustrado de muitos modos antes que possa ser elevado do homem natural ao racional, e nunca pode ser a ele elevado antes de o homem estar no amor de Deus, pois antes disso ele não é reconhecido; portanto, não é crido. Dá-se o mesmo com os outros veros, por exemplo, com este: que a Providência Divina está nas mais singulares de todas as coisas, e a não ser que esteja nas mais singulares, que seja nula no universal; assim como com este vero: que o homem então começa a primeiro a viver somente quando perece o que no mundo ele crê ser o todo da vida, e que a vida que então começa é relativamente inefável e infinda, e que ela é absolutamente desconhecida ao homem enquanto ele está no mal. Esses veros e outros semelhantes nunca podem ser cridos, exceto se o homem estiver no bem; é o bem que os apreende, pois o Senhor, por meio do bem, influi com a sabedoria.

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