Texto
. ‘E disseram: Chamemos a menina, e interroguemos a sua boca’; que signifique o consentimento somente da afeição do vero, é o que se vê pela significação da ‘menina’, que é a afeição em que há a inocência (n. 3067, 3110), aqui, a afeição do vero, porque é Rebeca que, antes que consinta, é denominada ‘menina’, mas quando consentiu, foi chamada Rebeca, como logo se segue (que ‘Rebeca’ seja a afeição do vero, foi visto, n. 3077); e pela significação de ‘interrogar a sua boca’, que é perceber se ela consentia; assim, é o consentimento somente da afeição do vero que é significado aqui.
[2] A coisa assim se tem: Que o vero mesmo que deve ser iniciado ao bem reconheça seu bem, porque o bem reconhece seu vero; daí o consentimento. Mas que seja um consentimento inspirado ao vero pelo bem, vê-se o acima (n. 3161). No homem, nunca se mostra que há algum consentimento da parte do vero quando o vero é iniciado e conjungido ao bem, isto é, quando o homem é regenerado; nem, da parte do bem, que conheça seu vero e o inicie e conjunja a si, quando, entretanto, essas coisas acontecem absolutamente assim. Com efeito, as coisas que existem quando o homem é regenerado lhe são absolutamente desconhecidas; se ele conhecesse apenas uma de uma miríade, ele ficaria estupefato. Há inumeráveis, e até infindos, arcanos por meio dos quais o homem é então conduzido pelo Senhor; elucida-se somente alguns desses arcanos pelo sentido interno da Palavra.
[3] A Antiga Igreja formou uma ideia a respeito disso a partir dos casamentos, a saber, pelo estado da virgem antes dos esponsais, pelo seu estado depois de desposada, por seu estado quando ela ia ser dada às núpcias e, em seguida, quando nas núpcias; e por fim quando ela paria para seu marido. Os frutos do vero oriundo do bem, ou os frutos da fé proveniente da caridade, eles os chamavam então filhos, e assim por diante. Tal foi à sabedoria da Antiga Igreja; os seus livros também foram escritos desse modo, e mesmo o costume de escrever assim daí se disseminou entre os gentios. Com efeito, eles queriam, por meio das coisas que estão no mundo, exprimir as que estão no céu, e até mesmo, a partir das naturais, ver as espirituais; mas essa sabedoria está hoje inteiramente perdida.