. ‘E tua semente herde o portão dos teus odiadores!’; que signifique o Reino espiritual do Senhor proveniente do casamento do bem e do vero no Divino Humano, Reino que terá a caridade e a fé onde antes havia o mal e o falso, é o que se pode ver pelas coisas que acima (n. 2851) foram ditas e explicadas, onde estão quase as mesmas palavras. Que a ‘semente’ sejam aqueles que são chamados espirituais, assim. no sentido universal, todos que constituem o Reino espiritual do Senhor, ou, o que é o mesmo, esse Reino mesmo, é o que se vê pela significação da ‘semente’, que é a caridade e a fé (n. 1025, 1447, 1610, 1940). Por conseguinte, aqueles que estão na caridade por meio da fé; que estes sejam os espirituais, foi visto (n. 2088, 2184, 2507, 2708, 2715, 2954); que eles tenham a caridade e a fé a partir do casamento do bem e do vero no Divino Humano do Senhor, assim, para eles a salvação daí provenha, n. 2661, 2716, 2833, 2834. [2] Na Igreja Antiga era um votivo habitual para uma virgem noiva, quando ela ia se casar, a saber: “sejas em milhares de miríades, e tua semente herde o portão dos inimigos ou dos teus odiadores”; mas os sábios ali, por essas palavras, entendiam coisas espirituais, a saber, quando tinham entrado no casamento do bem e do vero, isto é, quando se era regenerado, que então os bens e os veros eram frutificados em milhares de miríades, isto é, imensamente, e que a caridade e a fé sucediam no lugar onde antes havia o mal e o falso. Mas realmente, quando expirou a sabedoria da Igreja Antiga, então não mais compreendiam o sentido espiritual dessas palavras, mas eram entendidas em um sentido completamente mundano, isto é, que se desejava que a posteridade se tornasse inumerável, e que ela ocupasse e herdasse a terra das nações. Os pósteros de Jacó, mais do que todos os restantes, assim as entenderam; e eles se confirmavam [nessa crença] a partir disto, que não só eles tinham aumentado imensamente, mas também tinham herdado a terra, que para eles era o portão dos inimigos deles, não sabendo que todas essas coisas fossem representativas do Reino celeste e espiritual do Senhor, e que daí expulsos os males e os falsos, o bem e o vero sucedem em lugar deles; o que se verá nitidamente quando, pela Divina Misericórdia do Senhor, esses representativos forem abertos. [3] O mesmo acontece em particular, a saber, com cada homem que se torna o Reino do Senhor; este, antes de se tornar esse Reino, ou antes de ser regenerado, seu interior não é senão o mal e o falso; e também os espíritos infernais e diabólicos ocupam esse interior, que é chamado portão (n. 2851); mas quando ele se torna o Reino do Senhor, isto é, quando ele é regenerado, então os males e os falsos, ou, o que é o mesmo, os espíritos infernais e diabólicos são daí expelidos, e entram o bem e o vero e herdam esse lugar; então ali está a consciência do bem e do vero. Assim como acontece no particular, assim também acontece no geral. Daí se vê agora o que se entende por essas palavras no sentido interno.