ac 3212

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E Isaque foi consolado após sua mãe’; que signifique um estado novo, é o que se pode ver pela significação de ‘receber a consolação’, que é um estado novo, porquanto o estado de consolação é um novo estado; que este tenha sucedido o anterior é significado por ‘após sua mãe’. O estado novo é o estado da glorificação do Racional, assim como o anterior quanto ao Bem, assim, agora quanto ao Vero. O Racional foi glorificado, quando ele foi feito Divino quanto a um e ao outro.
[2] Que o Senhor, quanto ao Humano, foi feito novo, isto é, foi glorificado, ou, o que é a mesma coisa, tornou-Se Divino, é o que jamais pode compreender nem, portanto, crer aquele que está nos amores mundanos e corporais, este ignora absolutamente o que é o espiritual e o que é o celeste, nem sequer quer saber; mas aquele que não está nos amores mundanos e corporais pode percebê-lo, pois crê que o Senhor é um com o Pai, e que d’Ele procede tudo que é santo; por conseguinte, que Ele é Divino também quanto ao Humano, e quem crê percebe a seu modo.
[3] O estado de glorificação do Senhor pode ser compreendido de algum modo pelo estado da regeneração do homem, pois a regeneração do homem é a imagem da glorificação do Senhor (n. 3043, 3138). Quando o homem é regenerado, então ele se torna inteiramente outro e se torna novo. É também por isso que ele, quando foi regenerado, é chamado nascido pela segunda vez e criado de novo; então, ainda que tenha semelhante face e semelhante linguagem, ainda assim não tem uma mente semelhante; a sua mente, quando ele foi regenerado, está aberta para o céu, e o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo nela habita com a fé. Ora, é a mente que faz com que o homem seja um outro e novo; a mudança de estado não pode ser apercebida no corpo do homem, mas o é em seu espírito, o corpo é apenas o que serve para cobrir o espírito dele quando ele é rejeitado, então o seu espírito se mostra, e realmente inteiramente em uma outra forma quando foi regenerado; há então nele a forma do amor e da caridade em uma beleza inexprimível (n. 553). Em vez da forma anterior, que era a do ódio e da crueldade com uma deformidade também inexprimível. Daí se pode ver o que é o regenerado, ou o homem nascido pela segunda vez ou criado de novo, a saber, que é inteiramente outro e novo.
[4] A partir dessa imagem, pode-se de alguma forma conceber o que foi a Glorificação do Senhor: Ele não foi regenerado como o homem, mas foi feito Divino, e isso a partir do Amor Divino mesmo, pois Ele mesmo se fez o Amor Divino. A sua forma foi, então, tal qual ela apareceu a Pedro, a Tiago e a João quando se lhes permitiu vê-lo, não com os olhos do corpo, mas com os olhos do espírito, a saber, quando a Sua face resplandeceu como o Sol (Mt. 17:2); e que era o Seu Divino Humano, vê-se pela voz que então saiu da nuvem, dizendo:
“Este é o meu Filho dileto”, ibid. vers. 5.
Que seja o Filho o Divino Humano, foi visto (n. 2628).
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