Texto
. Entre as faculdades eminentes que o homem tem consigo, embora isto não saiba, e que ele leva consigo para a outra vida, quando para ela passa após o desprendimento do corpo, está que perceba o que significam as coisas representativas que aparecem na outra vida; depois também que possa pelo sentido de seu ânimo [sensu animi] exprimir plenamente em um instante de tempo o que, no corpo, ele não pode exprimir por horas, e isso por meio de ideias provenientes de coisas que pertencem à luz do céu, adjuntas e feitas como aladas pelas espécies representativas da coisa, [espécies] convenientes de que trata o discurso, que não podem ser descritas. E porque o homem, depois da morte, chega a essas faculdades, e não tem necessidade de que seja instruído na outra vida a respeito dessas coisas, daí se pode ver que o homem está nelas, isto é, que elas estão nele quando vive no corpo, ainda que isto não saiba.
[2] Que assim seja, a causa é porque no homem há um contínuo influxo, por meio do céu, que procede do Senhor. Esse influxo é o das coisas espirituais e celestes que caem em seus naturais e aí se apresentam representativamente. No céu entre os anjos não se pensa outra coisa senão a respeito das coisas celestes e espirituais, que pertencem ao Reino do Senhor; mas no mundo com o homem dificilmente se pensa a respeito outra coisa senão a respeito das coisas corporais e naturais, que pertencem ao reino em que ele está e às necessidades da vida em que está; e porque as coisas espirituais e celestes do céu, que influem, se apresentam representativamente junto ao homem em seus naturais, por isso, permanecem ínsitas, e o homem está nelas quando se despoja das coisas corporais e deixa as mundanas.