. ‘E aos filhos das concubinas que Abrahão tinha, Abrahão deu dádivas’; que signifique os espirituais adotados pelo Divino Humano do Senhor, que sorte lhes foram dadas no Reino espiritual do Senhor, é o que se pode ver pela significação dos ‘filhos das concubinas’, que eles são os espirituais de que se tratará no que segue; pela representação de ‘Abrahão’ aqui, que é o Divino Humano do Senhor, assim, pala palavra ‘que Abrahão tinha’ é significado que eles, a saber, os espirituais, tinham sido adotados pelo Divino Humano do Senhor; e pela significação das ‘dádivas’, as quais Abrahão lhes deu, que são as sortes no Reino espiritual do Senhor. A partir das coisas ditas anteriormente a respeito daqueles que constituem o Reino espiritual do Senhor e que são chamados espirituais, como no n. 3235, e em outros lugares, pode-se ver que eles não são filhos nascidos do casamento mesmo do bem e do vero, mas provêm de uma certa aliança que não é do mesmo modo conjugal. Eles são de fato do mesmo pai, mas não da mesma mãe, isto é, provêm do mesmo Divino Bem, mas não do mesmo Divino Vero. Com efeito, para os celestes, porque provêm do casamento mesmo do bem e vero, há o bem e daí o vero, razão por que nunca inquirem sobre o que é o vero, mas o percebem a partir do bem; para eles o discurso além, a respeito do vero, não é senão que ‘assim seja’ segundo as palavras que o Senhor ensina em Mateus: “Seja o discurso vosso: Sim, sim, não, não187, o que passa além disso, provém do mal” (5:37). Mas os espirituais, porque provêm de uma aliança que não é conjugal do mesmo modo, não sabem por nenhuma percepção que uma coisa é um vero, mas dizem ser o vero aquilo que seus pais e seus mestres lhes disseram ser o vero, razão por que entre eles não há casamento do bem e do vero. Mas ainda assim o vero que eles creem assim é adotado pelo Senhor como vero quando eles estão no bem da vida (ver a respeito disso o n. 1832). Daí agora vem que os espirituais são aqui chamados os ‘filhos das concubinas’, e pelos ‘filhos das concubinas’ se entendem todos os filhos de Keturah mencionados até agora, depois também os filhos provenientes de Hagar, a respeito dos quais se falará logo abaixo nos vers. 12 e 18. A fim de que fossem representados tanto os celestes como os espirituais outrora nos casamentos, foi concedido ter, além da esposa, também uma concubina; essa concubina era dada ao marido pela esposa, e então ela era chamada de mulher dele, ou se dizia que ‘ela lhe tinha sido dada por mulher’; como quando Hagar, a egípcia, foi dada a Abrahão por Sarah (Gn. 16:3); quando a serva Bilha foi dada a Jacó de Raquel (Gn. 30:4), e a serva Zilpa a Jacó de Leah (Gn. 30:9); ali elas são ditas mulheres, mas em outras passagens são chamadas concubinas, como Hagar, a egípcia, neste versículo; Bilha, em Gn. 35:22; e mesmo a própria Keturah em 1Cr. 1:32. Que esses antigos tenham tido concubinas além da esposa, assim, não apenas Abrahão e Jacó, mas também os seus pósteros, como Gideão (Jz. 8:31); Saul (2Sm. 3:7); Davi (2Sm. 5:13; 15:16); Salomão (1Rs. 11:3), era por permissão, por causa da representação, a saber, da igreja celeste pela ‘esposa’, e da igreja espiritual pela ‘concubina’. Por permissão porque eles eram tais que não tinham nenhum amor conjugal, assim, para eles o casamento não era um casamento, mas apenas uma copulação carnal por motivo de procriação de filhos. Tais permissões puderam ser dadas sem lesão do amor e daí da aliança conjugal, mas nunca foram elas dadas àqueles que estão no bem e vero e que são ou podem tornar-se homens internos. Com efeito, desde que o homem está no bem e no vero e nos internos, tais permissões cessam; é por isso que aos cristãos não é permitido, como o era aos judeus, ajuntar à esposa uma concubina, e que isto é um adultério. (Que os espirituais tenham sido adotados pelo Divino Humano do Senhor, vejam-se as explicações que foram dadas anteriormente a respeito desse mesmo assunto n. 2661, 2716, 2833, 2834.)