Texto
. ‘Doze príncipes dos seus povos’; que signifique todas as principais coisas dessa igreja espiritual, é o que se vê pela significação de ‘doze’, que são todas as coisas que pertencem à fé ou à igreja (n. 577, 2029 no fim, 2130 no fim); pela significação dos ‘príncipes’, que são as principais coisas (n. 1482, 2089); e pela significação dos ‘povos’, que são aqueles que estão nos veros (n. 1259, 1260), assim, os que são da igreja espiritual, pois estes se dizem estar nos veros. Que todos os números na Palavra signifiquem coisas reais, é o que se pode ver claramente pelo número ‘doze’, que ocorre tantas vezes; esse número, em toda a parte em que é lido na Palavra, significa todas as coisas; assim como as doze Tribos no Antigo Testamento, e os doze Apóstolos no Novo, significam todas as coisas da fé, por conseguinte, todas as coisas da igreja. Assim, aqui os ‘doze príncipes’ significam todas as coisas principais dessa igreja, as quais são representadas por outros tantos filhos de Ismael. Que o número doze signifique essas coisas, pode-se ver pelas coisas que foram alegadas nos lugares citados acima, depois também a partir destas passagens na Palavra: Em João:
“Ouvi o número dos marcados de toda tribo de Israel; da tribo de Judá, doze mil marcados; da tribo de Rúben doze mil marcados; da tribo de Gad doze mil marcados”; e assim por diante (Ap. 7:4, 5, 6 e seguintes);
onde por ‘doze mil marcados’ de cada Tribo não é significada outra coisa, senão que todos que estão na fé, isto é, no bem da fé, são salvos. No mesmo:
“Uma mulher envolta de sol, e [tendo] a lua debaixo dos seus pés, e sobre a sua cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap. 12:1);
a ‘mulher’ está no lugar da igreja (n. 252, 253); o ‘sol’ está pelo amor celeste; a ‘lua’, pelo amor espiritual (n. 30 ao 38, 1529, 1530, 2341, 2495); as ‘doze estrelas’ estão por todas as coisas da fé; que as ‘estrelas’ sejam as cognições do bem e do vero que pertencem à fé, n. 2492, 2849. No mesmo:
“A Cidade Santa, a Nova Jerusalém, tinha doze portões, e sobre os portões doze anjos, e nomes escritos, que são as doze tribos dos filhos de Israel: a muralha da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro; mediu-se a cidade em estádios, doze mil; e mediu-se a muralha dela, cento e quarenta e quatro côvados (doze vezes doze), que é medida de homem, isto é, de anjo. Os doze portões [eram] doze pérolas” (Ap. 21:12, 14, 16, 17, 21);
ali, pela ‘Cidade Santa’ nenhuma outra coisa é significada senão o Reino espiritual do Senhor; e pelos ‘portões’, pela ‘muralha’, pelos ‘fundamentos’, são significadas as coisas que pertencem à caridade e à fé, que são todas designadas tantas vezes por doze. Que não se entendem aqui as doze Tribos nem os doze Apóstolos, qualquer um pode ver. No mesmo:
“No meio da praça dela e do rio, aqui e ali a árvore de vida, produzindo doze frutos, segundo cada mês dando o seu fruto” (Ap. 22:2).
Em Mateus:
“Jesus disse: Amém vos digo, que vós que Me seguis, na regeneração, quando se assentará o Filho do homem sobre o trono da sua glória, assentar-vos-eis também sobre doze tronos, julgando as doze tribos de Israel” (19:28);
aqui, pelos ‘Apóstolos’ não se entendem os Apóstolos, nem pelos ‘tronos’, tronos; nem pelas ‘tribos’, as tribos; mas se entendem todas as coisas que pertencem à fé (n. 2129). Além disso, na Palavra do Antigo Testamento, onde são mencionadas as dozes tribos, são todas as coisas da igreja que são significadas. Assim também se tem com “as doze pedras, segundo os nomes das doze tribos de Israel, no Urim e Thumim” (Êx. 28:21); e com “os doze pães de proposição ordenados sobre a mesa” (Lv. 24:5, 6); e semelhantemente com as coisas restantes. Que todas as coisas da fé também estão contidas nos nomes mesmos dos doze filhos de Jacó, ou de Israel, é o que se verá, pela Divina Misericórdia do Senhor, nos capítulos seguintes: 29 e 30.