. ‘E a mão dele segurando o calcanhar de Esaú’; que signifique o ínfimo do bem natural, ao qual ele aderia com algum poder, é o que se vê pela significação da ‘mão’, que é o poder (n. 878), e que é predicada do vero (n. 3091); pela significação de ‘segurar’, que é aderir; pela significação do ‘calcanhar’, que é o ínfimo do natural (n. 259); e pela representação de ‘Esaú’, que é o bem do natural (n. 3302). Daí é evidente que ‘a mão dele segurando o calcanhar de Esaú’ significa o ínfimo do bem do natural, ao qual o vero se aderia com algum poder. [2] Com isto, que o vero aderia com algum poder ao bem ínfimo do natural, assim se tem: Quando o natural, ou homem natural, é regenerado, a sua concepção quanto ao bem e vero, ele a têm desde o racional, ou por meio do racional desde o espiritual, e por meio do espiritual desde o celeste, e por meio do celeste desde o Divino; assim que sucedem os influxos, que, começando desde o Divino e assim sucedendo, termina no ínfimo do natural, isto é, no mundano e no corpóreo. Quando o natural ínfimo foi afetado de um vício pelo hereditário procedente da mãe, então o vero não pode ser unido ao bem, mas somente a ele aderir com algum poder; nem o vero é unido ao bem antes, senão quando é expulso esse vício. A causa é que o bem realmente nasce com o homem, mas não o vero; é por isso que as crianças estão sem qualquer cognição do vero, e que devem aprender o vero, e, depois, ele deve ser conjungido ao bem (n. 1831, 1832); é também por isso que se diz que eles tinham se batido no meio dela, isto é, tinham combatido (n. 3289). Daí resulta que, desde a primeira concepção, o vero suplanta o bem assim como se diz de Jacó, que ele suplantou Esaú: “Não se chama o nome dele Jacó, e suplantou-me ele duas vezes” (Gn. 27:36); e em Oseias: “Para visitar sobre Jacó os caminhos dele, segundo as obras dele retribuir-lhe-ei, no útero suplantou o seu irmão” (12:3, 4). [3] Aqueles que retêm a sua mente somente nos históricos e não a podem apartar deles, não sabem outra coisa senão que essas coisas e as que precedem prenunciam as coisas que aconteceram entre Esaú e Jacó, a respeito das quais também se confirmam pelos acontecimentos que seguem. Mas tal é a Palavra do Senhor, que as coisas históricas estão em sua série, e as coisas espirituais, que pertencem ao sentido interno, estão na sua, para que as coisas históricas sejam consideradas pelo homem externo, e as coisas espirituais pelo homem interno, e que assim haja correspondência entre um e outro, a saber, entre o homem externo e o homem interno; e isso, pela Palavra, uma vez que a Palavra é a união da terra e do céu, como se mostrou muitas vezes; assim, em cada um que se acha num [estado] santo, quando ele lê a Palavra, há união de seu homem externo, que está na terra, com seu homem interno, que está no céu.