. ‘Jacó cozeu uma sopa’; que signifique um acervo de doutrinais, é o que se vê pela representação de ‘Jacó’, que é a doutrina do vero do natural (n. 3305), assim, os doutrinais que estão no homem natural; e pela significação da ‘sopa’, que é um acervo de tais [doutrinais]; e ‘coser a sopa’ é fazer um acervo. Com efeito, na língua original, há uma palavra própria para a sopa, quase dizendo, ensopou a sopa [pultavit pultem], isto é, fez um acervo. É o primeiro estado da conjunção do bem e do vero, que se descreve neste versículo e nos versículos seguintes até o fim deste capítulo. [2] O primeiro estado do homem que está sendo regenerado, ou no qual o vero está sendo conjungido ao bem, consiste em que, antes de todas as coisas, os doutrinais do vero sejam amontoados sem uma ordem determinada em seu homem natural, ou em seu reservatório, que se chama memória. Os doutrinais que aí estão podem ser comparados a algum montão confuso e desordenado, e, por assim dizer, a uma sorte de caos, mas isso se efetua assim a fim de que os doutrinais sejam reconduzidos à ordem, pois tudo que deve ser reconduzido à ordem é tal no começo. É isso que é significado pela ‘sopa que Jacó cozera’, isto é, fazia um acervo. Esses doutrinais não são reconduzidos à ordem por si próprios, mas o são pelo bem que deve influir neles, e o bem os põe em ordem tanto conforme a quantidade como conforme a qualidade em que o bem atua neles. Quando pela primeira vez o bem os busca e os deseja a fim de os compungir a si, ele se mostra sob uma espécie de afeição do vero. São essas coisas que são significadas por isto, que Esaú disse a Jacó: “faze-me sorver, peço-te, do vermelho, esse vermelho”. [3] De fato, essas coisas se mostram muito afastadas do sentido da letra, mas sempre que esta passagem é lida pelo homem e compreendida segundo o sentido da letra, os anjos que então estão com ele não têm absolutamente nenhuma ideia de sopa, nem de Jacó, nem de Esaú, nem do vermelho, nem de sorver do vermelho, mas em lugar dessas coisas eles têm a ideia espiritual que é completamente diferente e afastada dessa ideia natural, e nessa ideia, a saber, na espiritual, é mudada em um momento. O mesmo sucede também com todas as restantes passagens da Palavra, como, por exemplo, quando nela se lê a palavra ‘pão’, os anjos não percebem o pão, mas logo em vez do pão eles percebem o amor celeste e o que pertence ao amor celeste, isto é, ao amor ao Senhor. E quando na Palavra se lê a palavra ‘vinho’, eles não percebem o vinho, mas em vez do vinho eles percebem o amor espiritual e o que pertence a esse amor, isto é, o amor para com o próximo. Assim, quando se lê a palavra ‘sopa’, eles percebem não uma sopa, mas os doutrinais ainda não conjuntos ao bem, assim, um acervo de doutrinais em desordem. Por esse modo se pode ver o que é e qual é o pensamento e a percepção dos anjos, e quanto tais coisas estão afastadas do pensamento e da percepção do homem. Se o homem pensasse de um modo semelhante, quando ele está no [estado] santo, por exemplo, quando ele está na Santa Ceia, e que em vez do pão ele percebesse o amor ao Senhor, e em vez do vinho, o amor para com o próximo, então ele estaria em um semelhante pensamento e em uma semelhante percepção com os anjos, que então se aproximariam mais perto dele, até poderem enfim consociar os pensamentos, mas até onde o homem estivesse ao mesmo tempo no bem. [4] Que a ‘sopa’ ou ensopado signifique um acervo, é também o que se pode ver pelo que se diz dos filhos dos profetas e de Eliseu, no Livro dos Reis: “Eliseu votou a Gilgal, e [havia] fome na terra; e os filhos dos profetas estavam assentados diante dele, e disse o seu menino: Põe a panela grande, e cozinha sopa para os filhos dos profetas: E saiu um ao campo para colher legumes, e encontrou uma vide do campo, e colheu dela colocíntidas205 do campo enchendo a sua vestimenta, e veio e lançou[-as] na panela de sopa, porque não conheceram [o que era], e derramaram aos varões para comer, e aconteceu [que], comendo eles da sopa, eles gritaram e disseram: A morte [está] na panela, varão de Deus! E não puderam comer. E [ele] disse: Tomai farinha, e a ponha na panela. E disse: Tirai para o povo. E comeram, e nada houve de mal na panela” (2Rs. 4:38, 39, 40, 41); essas palavras, no sentido interno, têm uma significação absolutamente diferente da do sentido da letra, a saber, a ‘fome na terra’ significa a falta de cognições do bem e do vero (n. 1460); os ‘filhos dos profetas’, os que ensinam (n. 2534); a ‘sopa’, uma acervo mal formado de conhecimentos; a ‘farinha’, o vero que provém do bem, ou o espiritual que provém do celeste (n. 2176); assim, quando se diz que ‘Eliseu pôs a farinha na panela e que então nada houve de mal na panela’, isso significa que esse acervo foi emendado por meio do vero espiritual oriundo da Palavra do Senhor, porquanto Eliseu representava o Senhor quanto à Palavra (n. 2762). Sem esse sentido espiritual, a narração a respeito da sopa e da mudança operada pela farinha não teria sido digna de ser lembrada na santíssima Palavra. É para representar tais coisas que esse milagre foi feito, assim como também os outros milagres referidos na Palavra, que escondem em si todos eles coisas Divinas.