ac 3324

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E disse Jacó’; que signifique a doutrina do vero, é o que se vê pela representação de ‘Jacó’, que é a doutrina do vero do natural (n. 3305); ou, o que é o mesmo, aqueles que estão na doutrina do vero. Trata-se, nestes versículos, até o fim deste capítulo, do direito de prioridade, se ele pertence ao vero ou se pertence ao bem, ou, o que é o mesmo, se ele pertence à doutrina do vero ou à vida do bem, ou, o que é também o mesmo, se ele pertence à fé tanto quanto esta é o vero da doutrina, ou se pertence à caridade tanto quanto esta pertence ao bem da vida. Quando o homem conclui a partir da percepção natural, ele crê que a fé, até onde ela é o vero da doutrina, tem a prioridade sobre a caridade até onde esta é o bem da vida, porque ele percebe como entra o vero que pertence à doutrina, mas não percebe como entra o bem que pertence à vida, visto que o vero entra pela via externa, a saber, pela via sensual [ou pelo caminho dos sentidos], mas o bem entra pela via interna. Depois, porque o vero ensina o que é o bem, ele não pode saber outra coisa, senão que o vero é anterior ao bem; e também, porque a reforma do homem se faz por meio do vero, e também segundo o vero, ao ponto mesmo que o homem é aperfeiçoado quanto ao bem em proporção da quantidade do vero que pode ser conjungida ao bem; consequentemente, que o bem é aperfeiçoado por meio do vero; e mais ainda, porque o homem pode estar no vero e, a partir dele, pensar e falar, e isso com um aparente zelo, embora ele não esteja ao mesmo tempo no bem; e ele também pode estar, por causa do vero, na confiança da salvação. Estas coisas e muitas outras fazem com que o homem, quando julga a partir do homem sensual e natural, imagina que o vero, que pertence à fé, é anterior ao bem, que pertence à caridade; mas todas essas coisas são raciocínios provenientes de falácias, porque ao homem sensual e natural assim parece.
[2] O bem mesmo, que pertence à vida, é anterior; o bem, que pertence à vida, é o húmus mesmo em que devem ser semeados os veros, e tal qual é o húmus, tal é a recepção das sementes, isto é, dos veros da fé. Os veros podem, na realidade, estar anteriormente escondidos na memória, assim como as sementes em uma caixa, ou como os passarinhos em um compartimento da sua goela, mas não se tornam do homem exceto se o húmus for preparado; e tal qual é o húmus, isto é, qual é o bem, tal é a germinação e a frutificação das sementes. Mas podem ser vistas as coisas que a respeito deste assunto já foram muitas vezes demonstradas; agora se vai aduzir, a fim de que por esse modo se saiba o que é o bem e o que é o vero, e que a prioridade pertence ao bem e não do vero, a saber:
[3] Por que não se tem entre o bem e o vero uma ideia distinta, n. 2507. Que o bem influi por uma via interna desconhecida ao homem; o vero, por sua vez, é adquirido por uma via externa conhecida do homem, n. 3030, 3098. Que os veros sejam os vasos recipientes do bem, n. 1499, 1832, 1900, 2063, 2261, 2269, 3068, 3318. Que o bem reconheça seu vero, ao qual ele está conjungido, n. 3101, 3102, 3179; e que a mais cuidadosa vigilância e as maiores precauções são empregadas para que o falso não seja conjungido ao bem, nem o vero ao mal, n. 3033, 3101, 3102. Que o bem faça para si o vero ao qual ele se conjunge, porque ele não reconhece outro por vero, senão o que concorda, n. 3161. Que o vero não seja outra coisa senão o que provém do bem, n. 2434.
[4] Que o vero seja a forma do bem, n. 3049. Que o vero tenha em si a imagem do bem, e no bem há sua efígie mesma a partir da qual [ele age], n. 3180. Que a semente, que é o vero, se enraíze no bem que pertence à caridade, n. 880. Que a fé nunca pode existir senão em sua vida, isto é, no amor e na caridade, n. 379, 389, 454, 724, 1608, 2343, 2349. Que pelo amor e pela caridade se possa olhar os veros que pertencem aos doutrinais da fé, e não vice-versa, n. 2454: olhar pela fé, e não pelo amor e caridade, que seja olhar para trás de si, é voltar-se para trás, n. 2454. Que o vero seja vivificado segundo o bem de cada um, assim, segundo o estado de inocência e de caridade no homem, n. 1776, 3111. Que os veros da fé não podem ser recebidos por outros, senão pelos que estão no bem, n. 2343, 2349. Aqueles que não estão em nenhuma caridade, que não possam reconhecer o Senhor, portanto, nada do vero da fé. Se o professam, que seja por um externo sem o interno, ou seja, por hipocrisia, n. 2354. Que não haja absolutamente fé onde não há caridade, n. 654, 1162, 1176, 2429. Que a sabedoria, a inteligência e o conhecimento sejam os filhos da caridade, n. 1226. Que os anjos, por estarem no amor, estejam na inteligência e na sabedoria, n. 2500, 2572.
[5] Que a vida angélica consista nos bens da caridade, e que os anjos sejam as formas da caridade, n. 454, 553. Que o amor ao Senhor seja a semelhança do Senhor, e a caridade para com o próximo seja a imagem do Senhor, n. 1013. Que os anjos percebam, por meio do amor ao Senhor, tudo que pertence à fé, n. 202. Que nada viva, exceto o amor e a afeição, n. 1589. Aqueles que têm o amor mútuo, ou caridade, que tenham a vida do Senhor, n. 1790, 1803. Que o amor ao Senhor e para com o próximo seja o céu mesmo, n. 1802, 1824, 2057, 2130, 2131. Que a presença do Senhor seja segundo o estado do amor e da caridade, n. 904. Que todos os preceitos do Decálogo e todas as coisas da fé estejam na caridade, n. 1121, 1798. Que a cognição dos doutrinais da fé nada faça se o homem não tiver a caridade, pois os doutrinais visam a caridade como fim, n. 2049, 2116. Que não possa haver reconhecimento do vero, portanto, nem fé, exceto se o homem estiver no bem, n. 2261. Que o santo do culto está na proporção da qualidade e da quantidade do vero da fé implantado na caridade, n. 2190.
[6] Que não há salvação por meio da fé, mas sim pela vida da fé, que é a caridade, n. 2228, 2261. Que o Reino celeste é para aqueles que têm a fé que pertence à caridade, n. 1608. Que no céu todos são considerados pela caridade e pela fé que procede dela, n. 1258. Que não se é admitido no céu, exceto pelo querer de coração o bem, n. 2401. Que os que estão na fé são salvos, contanto que na fé haja o bem, n. 2261, 2442. Que a fé que não foi implantada no bem da vida pereça inteiramente na outra vida, n. 2228. Se a fé cogitativa salvasse, que todos seriam introduzidos no céu, mas como a vida a isso faz obstáculo, eles não podem ser lá introduzidos, n. 2363. Os que têm por princípio que a fé só salva, que esses contaminem os veros com o falso deste princípio, n. 2383, 2385. Que o fruto da fé seja a boa obra, essa obra é a caridade, essa caridade é o amor ao Senhor, e esse amor é o Senhor, n. 1873. Que os frutos da fé sejam os frutos do bem, que pertence ao amor e à caridade; n. 3146.
[7] A certeza, ou confiança, que é dita fé que salva não pode existir a não ser naqueles que estão no bem da vida, n. 2982. Que o bem seja a vida do vero, n. 1589. Quando dos veros se diz que foi adquirida a vida, n. 1928. Que o bem influa do Senhor nos veros de qualquer gênero que sejam, mas importa principalmente que eles sejam veros genuínos, n. 2531. Que tanto quanto o mal e o falso forem afastados, outro tanto o bem e o vero influem do Senhor, n. 2111, 3142, 3147. Que o bem não possa influir no vero enquanto o homem estiver no mal, n. 2388. Que o vero não seja o vero, senão quando foi aceito pelo bem, n. 2429. Que haja casamento do bem e do vero em todas e cada uma das coisas, n. 2173, 2503, 2507. Que a afeição do bem pertença à vida, e a afeição do vero seja para a vida [propter vitam], n. 2455 no fim. O vero, que tenda ao bem e proceda do bem, n. 2063.
[8] Que pelo influxo os veros são evocados do homem natural, elevados e implantados no bem no homem racional, n. 3085, 3086. Quando o vero é conjungido ao homem, que ele seja apropriado ao homem, n. 3108. Para que o vero seja conjungido ao bem, é necessário que haja consentimento do entendimento e da vontade; quando a vontade consente, há então conjunção, n. 3157, 3158. Que o racional, quanto aos veros, seja adquirido por meio das cognições, e que os veros são apropriados quando conjungidos ao bem, e que, então, eles pertencem à vontade e são para a vida, n. 3161. Que o vero seja iniciado e conjungido ao bem, não de uma só vez, mas durante toda a vida e além, n. 3200. Que do mesmo modo que a luz sem o calor nada produz, assim também o vero da fé nada produz sem o bem do amor n. 3146. Qual é a ideia do vero sem o bem, e qual é a sua luz na outra vida, n. 2228. Que a fé separada seja como a luz do inverno, e a fé proveniente da caridade, como a luz da primavera, n. 2231.
[9] Aqueles que, em ato, separam da caridade o vero que é a fé, que não possam ter consciência, n. 1076, 1077. A causa por que separaram a fé de junto da caridade, e disseram que a fé salva, n. 2231. Quando o homem está sendo regenerado, que o Senhor insinue o bem nos veros que estão no homem, n. 2183, 2189. Que o homem não seja regenerado pelo vero, mas sim pelo bem, n. 989, 2146, 2183, 2189, 2697. Quando o homem é regenerado, que o Senhor venha ao encontro dele e encha com o bem da caridade os veros que estão nele, n. 2063. Aqueles que estão no bem da vida e não no vero da fé, como as nações e as crianças, que recebam os veros da fé na outra vida e sejam regenerados, n. 989; quanto às nações, n. 932, 1032, 2049, 2284, 2589 a 2604; e quanto às crianças, n. 2290, 2291, 2293, 2302, 2304. Que o homem seja regenerado por meio da afeição do vero, e que quando ele foi regenerado ele aja a partir da afeição do bem, n. 1904. Que naquele que deve ser regenerado a semente não possa se enraizar senão no bem, n. 880, 989. Que o lume do regenerado provenha da caridade, n. 854. Que os mesmos veros em um sejam veros, em um outro, menos veros, e em outros sejam também falsos, e isso se efetua segundo o bem que pertence à vida, n. 2439. As diferenças que existem entre o bem da infância, o bem da ignorância e o bem da inteligência, n. 2280. Quem são os que podem vir às cognições do vero e à fé, e quais são os que não podem, n. 2689.
[10] Que não haja igreja, exceto se os veros dos doutrinais forem implantados no bem da vida, n. 3310. Que o doutrinal não faça a igreja, mas sim a caridade, n. 809, 916, 1798, 1799, 1834, 1844. Que os doutrinais da igreja nada sejam, a não ser que se viva segundo eles, n. 1515. Que a doutrina da fé seja a doutrina da caridade, n. 2571. Que a igreja provenha da caridade, não da fé separada, n. 916. Que qualquer um possa conhecer, a partir da caridade, se tem o interno do culto, n. 1102, 1151, 1153. Que a igreja do Senhor sobre o globo terráqueo seja, em toda a parte, diferente [varia] quanto aos veros, mas que seja uma só pela caridade, n. 3267. Que a igreja seria uma só se em todos houvesse a caridade, ainda que diferissem quanto aos ritos e quanto aos doutrinais, n. 809, 1285, 1316, 1798, 1799, 1834, 1844. Que de um grande número [de igrejas que existem] a igreja se tornaria uma só, se para todos o essencial da igreja fosse a caridade, e não fé, n. 2982. Que existem dois doutrinais, o doutrinal da caridade e o doutrinal da fé, e que na Antiga Igreja houve doutrinais da caridade que hoje estão no número das coisas perdidas, n. 2417.
[11] Em que ignorância do vero estão aqueles que não estão nos doutrinais da caridade, n. 2435. E como hoje se põe o essencial da igreja na fé, que não se veja sequer, nem se preste atenção, às coisas que o Senhor disse tantas vezes sobre o amor e sobre a caridade, n. 1017, 2373. Que o bem que pertence ao amor ao Senhor e à caridade para com o próximo seja superior e anterior ao vero que pertence à fé, não vice-versa, n. 263, 264.

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